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Bovespa tem maior tombo desde o fim de 2008: 8,08%

Do Josias de Souza — A Bolsa de Valores de São Paulo fechou o pregão desta segunda com uma expressiva queda de 8,08%.

O Ibovespa, índice que mede o volume de negócios, fechou em 48.668. Tombo dessa magnitude não se via desde outubro de 2008, ano da crise global.

Deve-se o infortúnio ao medo que se espraiou pelas bolsas do mundo no primeiro dia de negócios depois que a S&P (Standard & Poor’s) rebaixou a nota da dívida dos EUA.

No instante em que a cotação das ações derretia, Dilma Rousseff almoçava no Itamaraty com o primeiro-ministro do Canadá, Stephen Harper.

Depois do repasto, a presidente foi ao microfone. Ao lado de Harper, repisou a tese segundo a qual o Brasil de 2011 está mais preparado para a crise que o de 2008.

Dilma tachou de precipitada a decisão da agência que rebaixou de AAA para AA+ a nota dos títulos da dívida americana.

O pânico que pôs a Bovespa de joelhos apenas levou às penúltimas consequências o drama de uma semana que começara mais cedo.

Esta segunda-feira havia sido desenhada na noite de sexta, quando a Standard & Poor’s borrifou gasolina na fogueira que arde nos EUA e na Europa.

A crônica do declínio anunciado materializou-se já no fim de semana, no fechamento das bolsas do Oriente Médio.

De madrugada, quando o Brasil ainda dormia, a encrenca deu as caras nas bolsas da Ásia. Como pedras de um dominó macabro, caíram as bolsas da Europa.

Nos EUA, o índice Dow Jones arrostou erosão de 5,5%. A maior queda desde dezembro do fatídico ano de 2008.

Considerando-se a (i)lógica que guia os mercados, não é despropositado supor que, nos próximos dias, aqui e ali, os negócios experimentem alguma recuperação.

Com as ações de grandes companhias ao rés do chão, sempre haverá investidores dispostos a comprar.

Porém, a despeito de eventuais espasmos de alta, o termômetro das bolsas informa que a economia global está mais para o fundo do que para a beira do poço.

Para que o movimento se inverta, os governos dos EUA e Europa terão de se provar capazes de evitar que os dois principais mercados do mundo entrem em recessão.

Por ora, não foram convincentes. Daí o fato de a decisão de uma agência de risco que errou em todas as previsões que fez em 2008 ter virado as bolsas de ponta-cabeça.

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