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Blindado, Bernardo escapa do interrogatório
e ataca imprensa

Do Lauro Jardim

Um batalhão de choque foi convocado pela bancada do PT na Câmara para blindar Paulo Bernardo das investidas da oposição na audiência da Subcomissão de Rádio Digital. Bernardo virou alvo por conta da revelação de suas viagens em aviões de empresários.

Como era esperado, tão logo terminou a fala sobre radiodifusão, Bernardo foi bombardeado por uma sequência de perguntas sobre sua relação com a Construtora Sanches Tripoloni.

Onyx Lorenzoni (DEM-RS) quis saber se Bernardo fazia ideia das razões do surpreendente crescimento dos negócios da construtora com o governo, no período em que ele comandava o Planejamento.

Arlindo Chinaglia argumentou que o tema da reunião é rádio digital – não as viagens do ministro – e pediu que o regimento fosse respeitado para poupar Bernardo.


De todo o modo, Bernardo já falou sobre tudo. Até criticou a imprensa – um daqueles recursos batidos das autoridades sem repostas, apanhadas em flagrante. Bernardo disse que as reportagens precisam ser melhor apuradas. Enfim, Bernardo falou sobre tudo, menos sobre as condições em que se deram as caronas no avião da construtora.

Bernardo chamou os jornalistas de desleixados e preguiçosos. Jornalistas assim, existem aos montes, embora em geral os qualificados dessa maneira sejam justamente os que incomodam as autoridades.

Mais tarde, depois de muito falar e pouco responder – sobre PAC, sobre obras no Rio Grande do Sul e até sobre sua relação com Luiz Antônio Pagot – Paulo Bernardo foi alertado pela oposição que as questões sobre o avião da Sanches Tripoloni ainda estavam em aberto.

Sem muita saída, Bernardo respondeu o que já se sabia: conhece dois os sócios da construtora e pegou carona algumas vezes no avião da empresa. Não respondeu nada além. Sobre as viagens de Gleisi Hoffmann, sua mulher, evitou responder alegando que não tinha procuração para tanto:

– A Gleisi não me dá procuração nem para pagar a conta da luz.

A oposição desistiu de continuar perguntando. Bernardo safou-se por ora.

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