Uncategorized

Bovespa cede 2,7% com fortes perdas nos EUA e Europa

Epaminondas Neto da Folha

Em um dia turbulento para os mercados internacionais, os investidores reagiram com nervosismo aos números frustrantes da economia americana.

No velho continente, as principais Bolsas tiveram perdas entre 2,3% (Londres) e 3,3% (Frankfurt).

Do outro lado do Atlântico, a influente Bolsa de Nova York caiu 2,20%, uma retração de magnitude pouco frequente para essa praça financeira.

E no front doméstico, a “euforia” com os juros mais baixos perdeu força rapidamente: a Bolsa brasileira retrocedeu 2,73%, praticamente apagando os ganhos acumulados na sessão de ontem. O giro financeiro, no entanto, foi um pouco menor, na casa dos R$ 7,17 bilhões.

De sexta a sexta, porém, o Ibovespa registrou ganhos de 5,9%, o mais alto para um período semanal desde o final de julho do ano passado.

Já o dólar comercial foi negociado por R$ 1,636, tendo forte alta (1,17%) pelo segundo dia e acumulando um avanço de 1,9% na semana.

“Na semana que vem devemos ter mais alguns dias que podem trazer nervosismo para o mercado. Depois do feriado de segunda, temos a divulgação do índice ISM [sondagem do nível de atividade] do setor manufatureiro, entre outros indicadores importantes dos EUA. E no Brasil, nós vamos ter a ata do Copom [comitê do Banco Central que decide a política de juros do país] e que surpreendeu 100% dos economistas”, comenta Luiz Gustavo Pereira, da equipe de análise da Um Investimentos.

Prevista para quinta-feira, a ata vai explicitar os motivos que levam os integrantes do Comitê a reduzirem a taxa básica de juros de 12,50% para 12%, quando muitos esperavam a estabilidade da Selic.

A queda do Ibovespa foi agravada pelas fortes perdas vistas nos papéis da Petrobras, que desabaram 3,18% no caso das preferenciais e 3,02% no caso das ordinárias. Juntos, esses dois papéis movimentaram cerca de R$ 700 milhões do giro total de hoje.

“A [ação da] Petrobras chegou a cair 5% ao longo do dia, e foram alguns lotes grandes de compras, parece que por bancos estrangeiros, que ajudaram um pouco”, comenta Pereira.

Outros papéis que também recuaram de maneira acentuada vieram do setor siderúrgico, como CSN e Usiminas, com desvalorizações na casa dos 4%. No setor imobiliário, que ajudou a Bolsa a subir no pregão de ontem as perdas também foram vistosas: as ações da MRV e da Even caíram mais de 5%, enquanto os ativos da Tecnica e da Rossi retrocederam mais de 6%.

EMPREGO FRACO NOS EUA

Superando as projeções mais pessimistas, o país mais rico do planeta não registrou geração de empregos (considerando o saldo entre demissões e contratações do período) no mês passado, conforme as estatísticas divulgadas pelo governo dos EUA. A taxa de desemprego, medida por uma metodologia distinta, manteve-se em 9,1%, batendo as expectativas do período.

Desde o início de agosto, pelo menos, a volatilidade nos pregões está mais alta

O debate em torno da elevação do teto da dívida americana já abalou os nervos de muitos investidores, algo agravado pelo rebaixamento da dívida dos EUA pela agência Standard&Poor’s, o que garantiu semanas agitadas pelo restante do mês.

Embora haja consenso de que a economia dos EUA e da Europa devem desacelerar nos próximos meses, ainda é matéria de discussão se o gigante americano pode afundar novamente numa recessão.

Na quarta-feira, o Banco Central brasileiro brandiu o espectro de um agravamento da crise internacional para justificar o corte drástico dos juros de 12,50% para 12%, algo não visto desde o segundo semestre de 2009.

Comente