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Bancos dizem que mais regulação custaria queda de 3,2% no PIB

Luciana Coelho na Folha

Pressionadas pelo debate sobre regular mais os bancos nos EUA e na Europa, acirrado pela crise, grandes instituições financeiras lançaram hoje um levantamento em que listam eventuais custos de regras mais duras: 7,5 milhões de empregos e um recuo de 3,2% do PIB das principais economias até 2015.

Os cálculos foram feitos pelo Instituto Internacional de Finança (IIF), que reúne 440 instituições financeiras do mundo todo –inclusive bancos que estiveram no vértice da crise de 2008.

Nas contas do instituto, as regras que vêm sendo discutidas –como aumentar a exigência de liquidez– levarão os bancos a implementar mudanças significativas em seus balanços para fecharem as contas.

O custo seria então coberto com um aumento de spread (ágio cobrados pelos bancos sobre as taxas de juros básicas da economia) de até 3,6% em cinco anos e com uma redução das contratações/aberturas de vagas, estima o levantamento.

“E essas medidas podem nem reduzir a probabilidade de futuras crises”, disse Philip Suttle, economista-chefe do IIF, durante a apresentação dos dados ontem.

OPOSIÇÃO À REGULAÇÃO

O cabo-de-guerra entre bancos e reguladores não é novo.

Desde 2009, quando a crise se agravou nos EUA e na Europa, o Comitê de Basileia de Supervisão Bancária (que reúne bancos centrais) tenta impor regras mais rígidas e esbarra na oposição das grandes instituições privadas, que temem que as regras reduzam-lhe a receita.

Uma das medidas que caiu por terra foi a elaboração de uma lista de entidades que teriam que cumprir metas mais rígidas, por serem consideradas “sistemicamente importantes” –um colapso delas contaminaria o sistema financeiro global.

Os bancos viram a medida como uma espécie de lista negra, que afugentaria investidores e credores.

Ontem, o diretor-gerente do IIF, Charles Dallara, usou retórica semelhante para se referir ao aumento de exigências: os bancos maiores seriam “obrigados”, segundo ele, a afinar o foco e reduzir sua exposição a bancos menores, o que pode desequilibrar o sistema.

Além disso, os diretores do IIF defenderam uma melhor regulação durante a entrevista coletiva em Washington ontem, mas condenaram qualquer forma de distinção de exigências –especialmente sobretaxas .

EMERGENTES

Dallara foi específico ao ser indagado sobre o Brasil: os emergentes, embora tenham sido menos atingidos pela crise, devem se submeter aos mesmos critérios de regulação.

Segundo ele, é uma questão de preparação para uma maior entrada de dólares nesses mercados –a qual já se faz sentir por meio de pressão sobre a inflação e o câmbio.

“Com a taxa básica de juros dos EUA em virtualmente zero, haverá um aumento da pressão sobre as economias emergentes, que receberão um fluxo maior de capitais”.

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