Uncategorized

Depois de invasão, polícia fecha Assembleia hoje

Fernanda Trisotto e Sandro Moser da Gazeta do Povo

Depois dos protestos contra o projeto de lei que permite ao governo do Estado terceirizar serviços públicos, o Gabinete Militar, responsável pela segurança da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), determinou o fechamento do portão principal da casa. Por volta das 11h30, duas viaturas da Polícia Militar (PM) estavam posicionadas em frente ao local, regulando a entrada do público.

A determinação, feita pelo Coronel Arildo Dias, que comanda o gabinete, também prevê que os deputados que apoiaram a manifestação, que são principalmente da oposição, vão poder distribuir cinco senhas cada um que darão direito aos manifestantes entrarem na assembleia para acompanhar a sessão. Quem for identificado como invasor das galerias da casa na segunda-feira (5) não poderá entrar na Assembleia, mesmo com a senha. Além disso, o esquema de segurança será reforçado, para impedir a entrada de manifestantes.

Nesta manhã, os deputados ouviam mais um depoimento de Eduardo Requião, ex-superindentende da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), na CPI dos Portos.

Durante a manhã e o início da tarde, manifestantes chegavam à Assembleia e ficavam na praça. Eles planejam falar com a imprensa e depois seguir para uma caminhada com panfletagem. O grupo foi transformado em um fórum permanente de discussão e deve se reunir na sexta-feira (9).

Polêmica

Sindicalistas e estudantes ocuparam a Assembleia na segunda-feira para tentar impedir a votação do projeto sem a participação da sociedade, por meio de audiências públicas. Para os manifestantes, o projeto é uma terceirização de serviços que devem ser oferecidos pelo governo e não pela iniciativa privada. Durante a invasão, houve empurra-empurra com seguranças, que chegaram a usar armas de choque-elétrico para conter os manifestantes, mas sem sucesso.

Para driblar os manifestantes, que prometeram ficar no prédio para impedir a votação, os deputados chegaram a se reunir no “plenarinho” – sala menor próxima ao plenário principal – para retomar a sessão suspensa desde o fim da tarde. Ao perceber que não evitariam a votação da pauta, os manifestantes começaram a deixar a Assembleia de mãos dadas e gritando palavras de ordem. O “plenarinho” chegou a ser isolado por PMs à paisana para evitar uma nova invasão e a interrupção da votação.

>>> Veja fotos da manifestação

Após a saída dos sindicalistas e estudantes, os deputados retornaram ao plenário principal e continuaram a sessão. Por volta das 23h45 da segunda-feira (5), o texto do projeto foi aprovado em segunda discussão e recebeu 39 votos favoráveis e oito contrários. Alguns minutos depois, por volta das 00h13 já da terça-feira (6), os deputados aprovaram cinco emendas feitas ao projeto – uma sexta emenda foi rejeitada, tratando da composição do Conselho Fiscal do convênio.

O projeto será votado em terceira discussão no plenário da Assembleia em sessão ordinária nesta terça-feira. Antes de seguir para sanção do governador Beto Richa (PSDB), a proposta precisa ser aprovada ainda em redação final. O regimento interno da Alep, porém, possibilita que esta última votação seja dispensada por meio de requerimento aprovado pelo plenário.

Comissão-geral

Logo depois que retomaram a sessão da Assembleia, os deputados estaduais aprovaram dois requerimentos e transformaram a sessão em comissão-geral, como estava previsto desde o início do dia. Eles também aprovaram duas sessões extraordinárias. A intenção da base de apoio ao governo Richa era, com isso, acelerar as votações. Com o plenário transformado em comissão-geral, os projetos de lei precisam de apenas uma votação para serem aprovados e não em dois turnos, como acontece normalmente.

Acordo e invasão

Antes da saída pacífica, terminou frustrada uma tentativa de acordo entre deputados e as cerca de 250 pessoas, que invadiram e ocupavam o plenário da Alep.

Os deputados pediram a desocupação do plenário e, em troca, comprometiam-se a votar apenas em primeiro turno o projeto de lei. Pela proposta, a votação seria retomada nesta terça-feira e seria dada a oportunidade de duas pessoas discursarem antes da votação.

Os manifestantes rejeitaram a ideia e disseram que só sairiam do plenário se a terceirização fosse discutida com a sociedade em audiências públicas, antes de ser votada pelos deputados (leia na íntegra a carta dos manifestantes sobre a ocupação).

Tensão

No início da ocupação, o grupo de sindicalistas e estudantes rasgou a Ordem do Dia (lista com os projetos a serem votados) durante a ocupação. O estudante de psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) e primeiro-secretário da União Nacional dos Estudantes (UNE), Alysson Bordi, chegou a atirar os papeis contra o rosto do deputado Stephanes Junior (PMDB).

Os manifestantes prometiam interromper a votação do projeto sempre que ele entrasse em pauta, com a justificativa que não houve debate com a sociedade sobre a terceirização de serviços. “Se for necessário, vamos radicalizar (ainda mais)”, disse Bordi.

Cerca de 50 policiais militares acompanharam os protestos do lado de fora da Assembleia. Eles ficaram de prontidão ao lado de oito viaturas da Polícia Militar (PM) em frente ao Legislativo. Um veículo com quatro policiais do Batalhão de Choque também esteve nas proximidades para intervir, caso fosse necessário.

Às 18h30, houve novo confronto entre manifestantes e seguranças. Um grupo de pessoas que estava na rampa de acesso tentou entrar no plenário e reforçar a ocupação, mas foi contido. Em seguida, a presidência da Casa mandou cortar o sinal de internet sem fio do plenário para evitar a comunicação dos manifestantes com pessoas do lado de fora da Casa.

Críticas

A condução da sessão por Rossoni tem sido criticada por deputados da oposição e da situação. Eles acreditam que ele poderia ter evitado a invasão do plenário. Segundo o que os parlamentares confidenciaram, o presidente da Casa deveria ter se precavido e suspendido a votação do projeto de lei da terceirização assim que os ânimos começaram a exaltar-se. Para eles, foi um erro insistir na votação.

O temor era que pudesse haver um confronto mais sério entre policiais e os manifestantes, o que poderia prejudicar a imagem da Assembleia e do próprio governo Richa, que apresentou a proposta de terceirização.

A invasão

A primeira tentativa de invasão aconteceu pela entrada da imprensa, na parte de trás do plenário, onde os seguranças da Casa conseguiram evitar a entrada dos manifestantes com o uso de choque. Em seguida, o grupo foi às tribunas de honra, nas laterais. Nessas entradas houve muita confusão e depois de cerca de 15 minutos de empurra-empurra, o plenário foi invadido.

Os sindicalistas e estudantes ocuparam e lotam a galeria destinada ao público da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no início da tarde para pressionar os deputados estaduais e evitar que os parlamentares aprovarem o projeto de lei que permite ao estado do Paraná terceirizar serviços públicos, através de Organizações Sociais (OSs). A iniciativa é do governo Richa, mas enfrenta resistência de sindicatos e entidades estudantis.

O grupo de manifestantes gritava palavras de ordem regulamente desde o início da sessão. Uma delas dizia: “Não! Não à privatização!” Além disso, eles exibiam faixas contra a proposta.

O presidente da Alep, Valdir Rossoni (PSDB), chegou a suspender a sessão por cerca de 15 minutos, perto das 16h, por causa do barulho da manifestação. Durante a paralisação, o grupo de sindicalistas e estudantes gritava palavras de ordem contra Rossoni e o governo: “Rossoni, eu não me engano. Privatizar é coisa de tucano.”

Logo depois, perto das 16h30 a sessão foi paralisada novamente, depois de um bate-boca entre o deputado Reinhold Stephanes Junior (PMDB) e o público. O parlamentar reclamou que os manifestantes não seriam democráticos por não saber ouvir opiniões divergentes. A platéia revidou com gritos de “vendido!”.

Providências

Ao final das sessões, por volta das 00h20, o deputado Aldemar Traiano solicitou a mesa executiva que se apura a possível participação de funcionários da Casa na invasão do Plenário. Pediu, ainda, para que as imagens das sessões fossem encaminhadas ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) para apontar os responsáveis pela invasão.

7 Comentários

  1. MOISES CA VALCANTI Responder

    Parece que estamos voltando aos tempos da ditadura militar, a única diferença é que os ditadores são aqueles que o próprio povo elegeu.
    Como podem barrar a entrad daqueles que os elegeram justamente para representarem o povo.
    Qual é a razão que existe e está obscura para tanta pressa nesta votação…… Te mos que ter cuidado para não privatizarem Policia Receita Estadual, Escolas etc…

  2. Sudoeste do Parana Responder

    Tive, agora, uma excelente idéia. Porque não colocam algumas cercas em volta do Poder Legislativo para não deixar que o povo compareça a sessões de seu interesse…

  3. Daqui a algum tempo teremos de volta a PM cercando a Assembléia, pois deverá garantir a votação da Privatização da Copel, alguém se lembra da tropa toda cercando a “casa do povo”.

  4. Valéria Prochmann Responder

    Moro e trabalho no Centro Cívico, que está se tornando “incívico” tamanha a violência de alguns manifestantes. Tudo a favor do direito democrático à manifestação pacífica, mas tudo contra a violência do tipo jogar papeis na cara de um deputado e rasgar papeis oficiais. Quem recorre à violência perde a razão, pois é óbvio que forças de segurança têm que intervir para conter os abusos, os quais – caso não sejam reprimidos – tendem a se tornar cada vez piores. Participei de inúmeras manifestações políticas na minha vida, como ativista estudantil e feminista, contudo jamais aprovei práticas de baixo nível para chamar atenção para uma causa, por mais justa que fosse. Também é estranho que os manifestantes da hora, liderados pelo PT, não façam protestos semelhantes nas cerimônias do governo federal que está “privatizando” aeroportos e rodovias ao bel prazer da iniciativa privada por pura incompetência para fazer os necessários investimentos e implantar uma gestão pública eficiente. É lamentável ver o movimento estudantil brasileiro assim tão pelego. Por fim, uma coisa é privatização – transferência da propriedade da coisa do setor público estatal para o setor privado, por venda ou doação – outra bem diferente é terceirização – na qual a propriedade permanece pública, somente a gestão é privada, sob regulamentação e fiscalização pública mediante contratos de gestão. Quem diz o contrário pretende confundir a opinião pública. Infelizmente o Estado brasileiro está a provar, governo após governo, sua incapacidade para a gestão com bons resultados – quem perde é a população, que paga caro para receber serviços sofríveis, graças entre outros fatores também ao corporativismo de quem quer sempre ganhar mais e trabalhar menos, o que no fundo é o grande motivo dessa gritaria: o que não querem é a gestão moderna por processos e resultados. Em tempo: sou contra demissões por motivo político.

  5. FAÇO MINHAS AS PALAVRAS DO MOISÉS:
    —-“Qual é a razão que existe e está obscura para tanta pressa nesta votação? Temos que ter cuidado para não privatizarem Policia Receita Estadual, Escolas etc…”

  6. E a petezada não se conforma, tem que proibir a entrada mesmo, aliás, se a polícia tivesse feio isso ontem, DUVIDO que toda aquela bagunça do PT teria tido espaço. Se para conter a ira desses PT’s é necessário usar a força policial, então que usem a força policial, o importante é não deixar PT criar espaço, e moléques PT é bem fácil de conter, é só descer o cacetete e mandar pra casa ou prá cadeia por desordem em local público.

    SIMPLES NÃO?

    PT, O CÂNCER DO BRASIL, assim diz um amigo meu…

Comente