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Para embaixadora na ONU, independência do Brasil incomoda aliados

Fernanda Godoy, do O Globo

A embaixadora do Brasil junto à ONU, Maria Luiza Viotti (foto), acaba de passar o bastão no Conselho de Segurança, onde o país encerrou neste domingo sua participação de dois anos. O Brasil luta por uma vaga permanente, mas enquanto a reforma do conselho não vem, aposta suas fichas na coordenação com Índia e África do Sul (com os quais integra o grupo Ibas) que continuam no órgão.

Mas este novo perfil incomoda alguns dos antigos aliados, como países europeus e os EUA, não?

É verdade, e isso é porque nós temos exercido liderança com uma característica muito própria, com um perfil independente. E isso, de certa maneira, incomoda.

Há uma expectativa de países como os EUA, a França e o Reino Unido, que se referem ao Brasil como uma grande democracia, que perguntam ao Brasil, à Índia e à África do Sul, três grandes democracias, por que nós não estamos com eles em questões de direitos humanos.

Há uma certa dificuldade, da parte deles, de entender que o Brasil não necessariamente se alia a determinadas posições. Por exemplo, acho que ficou muito claro no caso da Síria, em que o Conselho de Segurança estava extremamente polarizado (de um lado, os europeus e os EUA; do outro, China e Rússia), que havia uma expectativa de que o Brasil reforçasse o lado europeu.

Assim como a China e a Rússia esperavam que nós fôssemos mais para a linha que eles estavam defendendo. E nós nos mantivemos numa posição diferenciada, dizendo que era importante que o Conselho se manifestasse, que somos contra violações de direitos humanos. Mas achamos que é preciso uma solução negociada.

Então, foi uma articulação de uma posição intermediária, porque os países desenvolvidos têm uma única receita para a soluções de conflitos: sanções. Eles tomam em geral uma posição muito açodada. No caso da Síria, foi essa articulação que permitiu ao Conselho adotar um consenso pela primeira vez, na declaração presidencial de agosto. E isso só foi possível porque o Brasil, a Índia e a África do Sul já tinham se articulado previamente na plataforma Ibas.

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