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Ala do PT do Paraná quer Paulo Bernardo em Itaipu

Raymundo Costa e Fernando Exman, no Valor Econômico

Com o fim das férias da presidente Dilma Rousseff, retorna à pauta do Palácio do Planalto a reforma ministerial programada para este mês. No fim do ano passado, a própria presidente alertou que as mudanças decepcionariam aqueles que esperam uma ampla reforma no primeiro escalão do governo. Se depender do PT e dos partidos aliados, porém, a renovação do gabinete não será tão acanhada. Nos últimos dias, a Pasta que entrou na mira foi o Ministério das Comunicações, atualmente comandado pelo ministro Paulo Bernardo (PT).

A ideia de uma ala do PT paranaense é deslocar Paulo Bernardo para a diretoria-geral da usina hidrelétrica de Itaipu no lugar de Jorge Samek, que transferiu seu domicílio eleitoral para Foz do Iguaçu e aguarda uma decisão de Dilma para lançar-se à disputa pela prefeitura do município. O plano, se levado adiante, reforçaria a presença do partido no Paraná e daria à presidente mais uma carta para manejar, caso Dilma agora decida promover uma dança das cadeiras menos limitada.

O recado já foi enviado ao Palácio do Planalto. Integrantes do grupo político de Paulo Bernardo trataram do assunto com o ministro Gilberto Carvalho, chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. E também chegou aos ouvidos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Um parlamentar petista disse a Lula que Samek pretendia candidatar-se a prefeito de Foz de Iguaçu, mas recebeu como resposta um sorriso irônico. Integrantes da cúpula petista também duvidam que Samek deseje deixar seu cargo na estatal criada pela parceria dos governos de Brasil e Paraguai na década de 1970.

“É uma alternativa que a presidenta Dilma vai ter, aí vai depender dela”, comentou um integrante do grupo político de Bernardo e entusiasta da mudança.

Petistas alegam ainda que a mudança teria como ponto positivo reduzir a pressão sobre a família do ministro, que é casado com a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann. No entanto, na avaliação de interlocutores do casal, a articulação deve-se a uma estratégia do PT: a substituição de Samek por Paulo Bernardo abortaria as disputas dentro do partido e entre os aliados pela presidência de Itaipu. Além disso, a jogada renderia propaganda gratuita à futura candidatura do atual diretor-geral da estatal e, diante da possibilidade de Gleisi candidatar-se a governadora do Estado, obrigaria Bernardo a se dedicar integralmente a fazer política no Paraná com vistas a tirar os tucanos do poder local em 2014.
Bernardo e Gleisi atuaram efetivamente em favor da candidatura a prefeito de Curitiba do ex-deputado Gustavo Fruet, que recentemente deixou o PSDB e filiou-se ao PDT. O PT também tem candidaturas promissoras em Londrina e outras cidades paranaenses importantes. Para dirigentes do partido, Samek tem grandes chances de eleger-se, pois, durante o período em que ocupou a direção-geral de Itaipu pelo lado brasileiro, a empresa estatal patrocinou diversas atividades em Foz do Iguaçu.
A saída de Paulo Bernardo do comando do Ministério das Comunicações pode ainda dar novo impulso ao debate dentro do governo sobre a regulação da mídia. Bernardo herdou do governo Lula uma proposta sobre o assunto, mas, apesar das pressões do PT, impediu que o projeto avançasse. Outro argumento citado por pessoas próximas a Bernardo é que o ministro das Comunicações e ex-titular do Ministério do Planejamento durante parte do governo Lula ainda tem “missões e metas a cumprir” em seu atual cargo.
Coincidentemente, os petistas tentam chegar a uma conclusão sobre o prazo de que Samek precisa para se desincompatibilizar e poder disputar a Prefeitura de Foz do Iguaçu por conta do caráter excepcional de Itaipu, uma empresa binacional. Assim, em vez de ter de deixar a função em abril como outros presidentes de estatais e ministros, Samek poderia pedir demissão em junho, prazo fixado para os servidores públicos em geral. A dúvida ainda não foi dirimida pela justiça eleitoral.

4 Comentários

  1. Samek vai adiar enquanto puder a decisão sobre candidatura. Não quer largar o osso de jeito nenhum. Articula apoio do PT a Reni Pereira, do PSB, partido que no Paraná é controlado pelo grupo do governador Beto Richa, dwn PSDB. Pereira lidera as pesquisas. E ê de Foz. Samek até pouco tempo era verador em Curitiba. O risco de derrota é grande. Além de se manter à frente de Itaipu, tentando convencer a cúpula do PT d que esta é a melhor saida, tentará indicar wn vice de Reni

  2. Todo mundo sabe que o Samek não quer largar o osso da diretoria-geral de Itaipu. Tenta adiar o máximo que pode a decisão sobre sua candidatura a prefeito de Foz. As pesquisas que apontam o deputado Reni Pereira, do PSB, como líder da disputa, conspiram a seu favor. O risco de derrota nâo interessa a ninguém, nem ao PT nem ao próprio Samek. Assim, o diretor de Itaipu tenta convencer a cúpula petista de que é melhor apoiar o candidato do PSB, partido que pertence à base do governo Dilma, mas que no Paraná é controlado pelo grupo do governador tucano Beto Richa. Além de permanecer à frente da binacional, Samek também pretende controlar a candidatura de Pereira indicando o vice, alguém de sua extrema confiança. A escolha pode recair sobre seu assessor de comunicação, Gilmar Piolla, recém-filiado ao PT, que além de não possuir nenhuma experiência política (não disputou sequer cargo em grêmio estudantil) não tem nenhuma ligação com a cidade. Aliás, essa é a vantagem de Reni numa eventul disputa com Samek. Até pouco tempo o diretor de Itaipu era vereador em Curitiba. Mas, daí a indicar seu office boy como vice de uma cidade importante omo Foz, já é demais. Mas, na cabeça dos novos ricos e poderosos, tudo pode. Todos se acham Lula. O casal de ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, são outros que se acham. A diferença é que estes sabem que o PT é importante para seus planos e assim o controle da máquina partidária é fundamental. Samek já desprezou o partido de quem se serviu por muitos anos. Basta-lhe a amizade de Lula. Na diretoria de Itaipu, se pudesse teria descartado todos os petistas. Prefere se entender com os adversários do partido e os amigos. Essa situação vai se estender pelos principais municípios do Estado, onde o casal de ministros têm compromissos com gente de fora do PT por conta da eleição da senadora. Vai ter petista rangendo dentes, comendo as mãos e o próprio fígado. É esperar pra ver.

  3. Ai, ai. Esperem, Bernardo será o próximo a cair. É tudo uma questão de tempo aliás, uma questão de momento certo.

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