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Balança de manufaturados tem ‘rombo’ recorde em 2011

Déficit cresceu 30% frente a 2010, para US$ 92,46 bilhões.Para economista da Fiesp, Brasil está ‘exportando’ empregos.

De Alexandro Martello, para o G1 Brasília

Enquanto as exportações do agronegócio brasileiro se destacam, o mesmo não acontece com as vendas de manufaturados, ou seja, produtos industrializados. Segundo números do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a balança comercial dos manufaturados registrou um défcit (importações maiores do que exportações) recorde de US$ 92,46 bilhões em 2011.

Em todo ano passado, as exportações de manufaturados somaram US$ 92,29 bilhões (36,05% do total, o menor percentual desde 1977), ao mesmo tempo em que as importações destes produtos totalizaram US$ 184,75 bilhões em 2011, de acordo com dados oficiais.

Sobre o ano de 2010, quando o déficit da balança comercial dos produtos manufaturados somou US$ 71,21 bilhões, houve um crescimento de cerca de 30% no resultado negativo, ou US$ 21,25 bilhões. No ano retrasado, as exportações de manufaturados somaram US$ 79,56 bilhões, e as compras do exterior desta categoria de produtos totalizaram US$ 150,77 bilhões.

O último ano em que o Brasil registrou superávit na balança de manufaturados foi em 2006. Naquele ano, as exportações de manufaturados superaram as importações destes produtos em US$ 5 bilhões. Em 2007, 2008 e 2009, houve déficit nesta categoria de produtos de, respectivamente, US$ 9,23 bilhões, US$ 39,8 bilhões e US$ 36 bilhões.

A grande geração de emprego está nas manufaturas”
Roberto Gianetti da Fonseca, da Fiesp

Principais produtos
Nos produtos manufaturados, os dados do governo mostram que o Brasil comprou do exterior, principalmente, automóveis, no valor de US$ 11,89 bilhões em 2011, com crescimento de 39% sobre o ano anterior (US$ 8,54 bilhões).

Em segundo lugar no “ranking” de importações de manufaturados, aparecem os óleos combustíveis, com US$ 7,88 bilhões em compras, uma alta de 51% sobre 2010 (US$ 5,2 bilhões). Logo em seguida, vêm as partes e peças de automóveis, com importações de US$ 6,31 bilhões, com crescimento de 20,7% sobre o ano retrasado.

Do lado das exportações, o principal produto vendido pelo Brasil ao exterior, ainda na categoria de produtos manufaturados, foram os automóveis de passageiros, no valor de US$ 4,37 bilhões, com queda de 1% sobre 2010 (US$ 4,41 bilhões).

As partes e peças de automóveis vêm na sequência, com vendas externas de US$ 3,98 bilhões em 2011 – alta de 16,3% – seguidas pelos aviões (exportações de US$ 3,92 bilhões em 2011).

Balança dos produtos básicos
No caso da balança comercial dos produtos básicos (insumos), ainda de acordo com números do Ministério do Desenvolvimento, houve um superávit (exportações menos importações) de US$ 90,35 bilhões em 2011, ano no qual as vendas de básicos somaram US$ 122,45 bilhões e as compras do exterior destes produtos totalizaram US$ 32,1 bilhões.

Com isso, o superávit da balança comercial de produtos básicos, como grãos, petróleo e minério de ferro, por exemplo, registrou crescimento de 36,6% sobre o ano de 2010 – quando o saldo positivo somou US$ 66,1 bilhões. No ano retrasado, as exportações de básicos somaram US$ 90 bilhões, e as importações totalizaram US$ 23,89 bilhões. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento.

Para Fiesp, Brasil exporta empregos
Para o economista da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Giannetti da Fonseca, do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior, os números do governo mostram que não há dúvidas de que o Brasil está exportando empregos.

“A grande geração de emprego está nas manufaturas. Nada contra a exportação de básicos. Não é um contra o outro. É um e outro. A exportação de ‘commodities’ existe e é importante para a balança comercial, mas o que não podemos é negligenciar o que está ocorrendo em termos de desindustrialização no Brasil, que é substituição de produção local por importados. O déficit de manufaturas é o termômetro que mede a questão da desindustrialização”, disse Giannetti.

Para o economista, o governo teria de conceder mais incentivos para a indústria brasileira. “Esperamos um pouco mais de agressividade do BC e da Fazenda com a questão do câmbio. Já melhorou, mas não está em um nível que deveria. Deveria estara cima de R$ 2 por dólar. Também tem questões tributárias, de créditos de exportação acumulados, e impostos sobre a energia elétrica e combustíveis. E há investimentos baixíssimos em logística, como ferrovias, hidrovias e dutovias”, declarou. Para Giannetti, o déficit da balança de manufaturados deve superar a barreira dos US$ 100 bilhões em 2012.

De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Empresas de Comércio Exterior (Abece), Ivan Ramalho, ex-secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, o crescimento do déficit da balança comercial de manufaturados, em 2011, preocupa. Entretanto, em sua visão, o Brasil não estaria exportando empregos, pois as compras do exterior, segundo ele, se concentram em ‘insumos industriais’. Ele credita este aumento do déficit dos manufaturados em 2011 à queda do dólar – que gerou, em sua visão, aumento de “insumos industriais” importados.

“O câmbio pode levar a indústria a reduzir a nacionalização, gerando empregos lá fora. Em função da sobrevalorização do câmbio [dólar baixo, que vigorou durante a maior parte do ano passado, até a piora da crise financeira em agosto de 2011], faz com que as indústria reduza os componentes nacionais. Mas com a alta recente do dólar, e o programa Brasil Maior, a tendência é estabilizar o quadro atual, ou passar a ter um índice de nacionalização maior em alguns setores. Estou otimista que o déficit [de manufaturados] seja menor neste ano”, disse Ramalho.

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