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A meia sola ministerial
de Dilma Rousseff

Do Josias de Souza — Nos últimos três meses, auxiliares que privam da intimidade de Dilma Rousseff venderam uma ilusão. Penduraram nas manchetes uma pseudonotícia: o início de 2012 seria marcado por uma reforma ministerial. Em fevereiro, a Esplanada teria, enfim, a cara de Dilma.

Há seis dias, em conversa com o vice Michel Temer, Dilma disse que não reformará o ministério. Fará apenas “ajustes” na equipe. Súbito, aquela mudança profunda de que falavam seus assessores virou, nos lábios da presidente, “coisa da imprensa”.

Antes, no dia 16 de dezembro, Dilma tivera a oportunidade de furar o balão que os áulicos do Planalto haviam inflado. Num café da manhã servido aos repórteres que acompanham o cotidiano do palácio, a presidente declarou:

“Vocês vivem falando que vai haver uma reforma! Ninguém nunca me perguntou. Não, não, ninguém nunca me perguntou: ‘Vai ter uma reforma?’” Submetido à levantada de bola, um dos presentes cortou: Vai ser em janeiro a reforma? E Dilma: “Vocês vão ficar surpresos.”

Quer dizer: podendo esclarecer, a dona da caneta, a Senhora do ‘Diário Oficial’, preferiu confundir. Àquela altura, a propalada reforma já subia no telhado. Um mês depois do ‘café-entrevista’, virou uma espécie de meia-sola ministerial.

Antes, dizia-se que, afora os sete ministros expelidos no primeiro ano, a reforma teria pelo menos mais dez lances. Agora, insinua-se que Dilma talvez não execute mais do que quatro movimentos. Dois deles por obrigação legal.

Por ora, oficializou-se apenas a saída de Fernando Haddad da Educação. É uma das imposições legais, já que o ministro será candidato. Na vaga dele, Alozio Mercadante. Para a cadeira de Mercadante, na Ciência e Tecnologia, Marco Antonio Raupp.

Se conseguir viabilizar-se como candidata à prefeitura de Vitória (ES), Iriny Lopes será o segundo imperativo legal. Terá de deixar a função de ministra-chefe da Secretaria de Políticas para Mulheres. No mais, apenas a intenção de devolver a pasta do Trabalho ao PDT e a pretensão de trocar o titular das Cidades, Mario Negromonte.

Se teve um dia a intenção de fundir ministérios (Pesca na Agricultura; Portos nos Transportes; Mulheres, Direitos Humanos e Igualdade Racial sob o mesmo guarda-chuva), Dilma deu meia volta.

Se pretendeu substituir ministros que considera ineficientes (Ana de Hollanda, da Cultura; Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário), Dilma desistiu. Ou adotou o ritmo do conta-gotas. Um gabinete com as feições da chefe? “Coisa da imprensa.”

Conforme o último Datafolha, Dilma fechou seu primeiro ano bem posta –59% dos entrevistados consideram sua gestão ótima ou boa. A economia explica o bom humor do grosso da platéia. A crise que aqui gorjeia ainda não gorjeia como lá… Na Europa, nos EUA.

Porém, um pedaço da popularidade de Dilma pode ser atribuído à momentânea reputação de “faxineira”. Uma fama imerecida. A presidente não agiu. Apenas reagiu, aí sim, às “coisas da imprensa”. No café da manhã de dezembro, chegou a lamentar:

“Lamento porque muitos dos ministros que saíram eram pessoas que eu considerava muito capazes. Então, eu lamento, em alguns casos, as perdas.” Queixou-se das preferências do noticiário.

“Cada vez que há um processo desses [de denúncias contra ministros], eu estou lançando um dos melhores programas e vocês estão pensando em outra coisa.” Hã?!?

“Eu estou lançando Brasil sem Miséria e vocês estão falando de outro assunto.” Heim?!? “Eu estou fazendo o Brasil Maior, vocês estão fazendo outro assunto. É como se houvesse dois Brasis. Eu acho que escândalo vende mais jornal.”

A vassoura foi para trás da porta no instante em que as manchetes alcançaram o ministro-companheiro Fernando Pimentel (Desenvolvimento). Para Dilma, os R$ 2 milhões amealhados pelo amigo em consultorias “não tem nada a ver com o governo”.

Sim, mas o consultor Antonio Palocci também fizera fortuna antes de tornar-se chefe da Casa Civil. “O Palocci quis sair”, esquivou-se Dilma. O ano terminou sob o eco de um brado retumbante da presidente.

“Eu vou, cada vez mais, exigir que os critérios de governança internos do governo sejam critérios internos do governo, que nenhum partido político interfira nas relações internas do governo. Isso vale para todos os partidos políticos.”

No momento, Dilma tenta acertar a nomeação de um substituto para Mário Negromonte (Cidades), do PP. O nome de sua preferência é Márcio Fortes, do mesmo partido. Conhece-o da gestão Lula. Considera-o operoso.

O diabo é que a bancada do PP não aceita Fortes. Age para torná-lo fraco. E Dilma retarda a decisão, analisa outros nomes. Nesta segunda (22), a presidente reúne seus 38 ministros.

Entre eles Negromonte, Ana de Hollanda e Afonso Florense, três ‘quase-talvez-quem-sabe’ candidatos ao olho da rua. Como os demais, apresentarão seus planos e metas para 2012. A isso dá-se o nome de “critérios de governança”.

6 Comentários

  1. O “lula51” NÃO DEIXA ELA MEXER COM OS SEUS PROTEGIDOS. “ela” É PRESIDENTE(?) MAS QUEM MANDA É O ex…

  2. Não acredito neste tipo de pesquisa. Como a roubalheira está no DNA do PT, continua em vigor a máxima “rouba mas faz”. Fazer o que! Esse é o eleitor brasileiro que pouco está se lixando para a classe política. Deixa a coisa rolar e no último dia vai ao TRE, em horário de serviço, preferindo faltar ao trabalho, sofrer com o sol na cara e intermináveis filas e fazer da política uma grande diversão.

  3. Dilma, a presidente, é farinha do mesmo saco de seu “monstristério”.

    Esqueçam, gente boa desse país, com eleições A CADA DOIS ANOS inexiste governança pública possível !

    Nossa República é uma ficção, até porque poucos sabem o que realmente significa uma res publica no exato sentido do termo e agem em consequência.

    Vamos mal e não estamos preocupados com o abismo que se aproxima.

  4. salete cesconeto de arruda Responder

    Quem eram os assessores que falavam de mudança profunda Fábio?
    Eu só via a IMPRENSA que não é – Falando nisso.
    A veja inventava..
    A folha comentava.
    A globo repercutia.
    A bande reafirmava
    O SBT se contorcia para não perder o bonde…
    Já o Bispo só ria!
    ESSA É A NOSSA GRANDE IMPRENSA que foi enganada pelos assessores?

  5. É emocionante ver os esforço que a midia faz, inclusice este Blog, para minimizar a aprovação da Presidente. Senão vejamos, dá a noticia boa da pesquisa e lasca cinco reportagens negativas do governo. Não sou petista mas estou vivendo melhor agora do que nos tempos do FH e outros. Pelo menos agora a gente sabe quem rouba.

  6. Acho que eu preferia não saber que tinha tanto corrupto neste nosso Brasil………..dá impreção que nos governos do pt há muito mais corruptos………

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