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O que muda com a saída de mais um ministro?

DA BBC BRASIL

Mário Negromonte (PP) entregou nesta quinta-feira (2) sua carta de demissão do Ministério das Cidades, tornando-se o sétimo ministro a deixar o governo Dilma Rousseff em meio a suspeitas de envolvimento em casos de corrupção. Mas há mudanças profundas por trás do vai-e-vem de ministros? Poucas, segundo especialistas consultados pela reportagem.

“Faz parte de uma lógica de que nada mude mesmo”, opina o historiador Marco Antonio Villa, da Ufscar. “Se repete um modus vivendi de defender-se um ministro até que isso fique insustentável e ele seja trocado por outro, numa espécie de rotina.”

Além de Negromonte, deixaram o governo Dilma, pressionados por denúncias na imprensa, os ministros Carlos Lupi (Trabalho), Orlando Silva (Esportes), Pedro Novais (Turismo), Wagner Rossi (Agricultura), Alfredo Nascimento (Transportes) e Antonio Palocci (Casa Civil).

Para o cientista político Milton Lahuerta, da Unesp de Araraquara, as trocas ministeriais viraram algo visto como “natural”, mas ao mesmo tempo são aproveitados por Dilma “como se fossem algo virtuoso”.

“Passam a mensagem de que a presidente é forte, não vacila e reforça o caráter técnico de seu governo, mesmo que o substituto seja um político.”

BASE

Mas os substitutos pertencem aos mesmos partidos de seus antecessores –PMDB, PC do B, PP e PR–, mantendo a fatia de poder dos partidos da base governista.

Isto evidenciaria a dependência do que Villa e Lahuerta chamam de “presidencialismo de coalizão”, em que, para manter a base aliada e o poder de barganha no Congresso, o governo cede cargos ministeriais para os partidos.

“Com a dependência dessas coalizões, as mudanças são só na borda mesmo”, diz Lahuerta. “Por isso a sensação de que as coisas não mudam muito.”

Ao mesmo tempo, o professor da Unesp opina que as trocas fazem com que haja ao menos uma contenção do poder dos partidos aliados, fortalecendo o “núcleo duro” ao redor de Dilma, composto principalmente por Guido Mantega (Fazenda), Gleisi Hoffmann (Casa Civil), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência da República), Miriam Belchior (Planejamento) e Ideli Salvatti (Relações Institucionais).

OLIMPÍADA E COPA

Entre os ministérios trocados, ao menos três –Cidades, Turismo e Esportes– têm ligação direta com os preparativos para a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Um dos motivos atribuídos à queda de Negromonte é justamente a acusação, levantada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, de que ele teria dado aval para alterar um projeto da Copa, encarecendo-o. O ministro negou as acusações.

O Ministério das Cidades diz que, com a entrada do novo ministro, Aguinaldo Ribeiro, em princípio, nada muda nos projetos relacionados aos eventos esportivos.

Felipe Saboya, coordenador do projeto Jogos Limpos (criado para promover o envolvimento cidadão nos eventos), diz que, apesar de considerar “precários” os preparativos para as competições, não vê grande impacto na troca no gabinete presidencial.

Ainda assim, reclama por “mudanças mais estruturais”, como aprovação de projetos de lei de combate à corrupção e o fortalecimento de órgãos de controle.

IMAGEM LÁ FORA

No exterior, onde o Brasil ganha mais projeção com os preparativos para os eventos, o troca-troca ministerial tampouco deve ter muito impacto –pelo menos é o que opina o consultor de políticas públicas Simon Anholt, que costuma assessorar países em suas relações públicas.

“O público geral externo não está interessado nesse nível de detalhe nem vai lembrar. O que vai impactar 99% (dos observadores internacionais) são as imagens de pobreza do Brasil que serão mostradas durante os Jogos”, diz.

“Para 1% que tem laços comerciais com o Brasil, [as denúncias contra ministros] podem causar preocupação. No começo, podem achar bom o fato de tirar ministros criticados. Depois de um tempo, vão começar a achar que há algo errado.”

7 Comentários

  1. CAÇADOR DE PETISTAS Reply

    NADA, simplesmente “nada”, continua a roubalheira, continua a proteção sobre os apadrinhados de Lula da Silva, o chefe do mensalão do PT.
    Quem realmente pode mudar, são os brasileiros nas urnas dizendo “NÃO”, as mentiras de LULA DA SILVA, não elegendo “ningeum da quadrilha do PT”.

  2. Murilo Álvaro Viezzer Reply

    Pergunta: O que muda com a saída de mais um ministro?

    Resposta: Agora a República Federativa do Brasil, irá passar da posição n° 84 no IDH, para uma das 20 primeiras…

  3. Murilo?????????????????????
    Não muda absolutamente nada. Perdem-se os dedos , mas os aneis são os mesmos, ou seja, sai o laranja, mas quem continua mandando no esquema da falcatrua e dos roubos é a dilmentira e o luladrão.

  4. Muda que realmente 2012 é ano de limpeza, e verdades irão aparecer !!!

  5. Ilustre Fábio:
    Desculpe-me pelo alongado de alguns comentários. Mas seu blog me leva a tais reflexões que, aliás, não podem ficar adormecidas.
    Abs
    .-.-.-.–

    Em outras palavras, quer dizer que o governo é refém dos partidos da chamada base aliada e que, só são aliados – não porque o projeto de governo é bom e trará novos rumos para o país e seu povo –, mas porque existe uma frenética troca de favores e interesses inconfessáveis.

    Atualmente à maioria dos partidos políticos querem fazer parte do governo para ter ministérios ou estatais sob seu poder. Ou seja, manipular interesses. É o que se tem visto com a queda em cascata de ministros envolvidos em corrupção.

    Essa tal coalizão governamental, acaba sendo, na verdade, uma ‘coalizão’ dúbia. Pois, o problema continua o mesmo. Apenas mudam-se os administradores das pastas ministeriais e os novos representantes são do mesmo partido cujo ministro foi defenestrado.

    Ou seja: trocou seis por meia dúzia e o problema persistirá. Pois o governo é uma colcha de retalhos. E tem retalhos que já estão demasiadamente rotos e não suporta agasalhar a responsabilidade de uma nação que busca a pujança e a melhoria da qualidade de vida do seu povo.

    É preciso -= em caráter de urgência – formar novos políticos, uma nova consciência em defesa do serviço público e da responsabilidade social real, verdadeira, sem embuste.

    Para isso precisamos incentivar os estudantes universitários a se interessarem por uma nova cultura política. Não essa que por aí campeia.

    Ou se renova o conceito político ou se viverá na mesmice de sempre com o refrão do ‘salve-se quem puder’ ecoando nos ouvidos…

    É preciso pensar nas gerações futuras!

  6. A saída de um ladrão para entrar outro nada muda neste cenário
    político. O que me deixa indignado é que todo o político que rouba
    continua na mesma. Enriquece, não vai para a cadeia, descansa al-
    guns meses e depois volta de novo ao cenário político. Vergonha
    pura !!! Pergunte os macetes ao Jader Barbalho…

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