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PT e PSDB revelam nossa mediocridade

Do Gilberto Dimenstein

Leiam todas (rigorosamente todas) as notícias sobre a candidatura Serra e vejam se existe alguma (uma única) menção sobre como sua decisão de disputar a Prefeitura estaria relacionada à melhoria da caótica cidade de São Paulo. O que se fala é sobre o impacto nas eleições estaduais e presidencial.

É uma revelação de nossa mediocridade. É uma mediocridade na qual nós, da imprensa, somos coadjuvantes.

Nesse baile da mediocridade estão todos, PSDB, PT e PSD, além do PMDB, juntos, de mãos dadas. Kassab só não está com o PT porque Serra, na última hora, saiu candidato. Do contrário, Kassab e Haddad estariam juntos –apesar de o PT ter sido, nestes anos todos, oposição. É como se ninguém acreditasse em coisa alguma, apenas na tomada no poder. O pior é que nem disfarçam.

Até o momento, essa eleição paulistana nada tem a ver com o cidadão comum que, todos os dias, é obrigado a enfrentar o caos do trânsito, a sujeira nas ruas, a escola pública sofrível, a poluição, a saúde precária. Onde estão das ideias para fazer da cidade uma incubadora de talentos, gerando mais e melhores empregos?

Parte da mediocridade somos nós mesmos, que não fazemos esse tipo de pergunta tão óbvia.

*

Serra já comunicou a sua candidatura ao PSDB. Quando vai comunicar à cidade que vai colocar São Paulo como foco prioritário de seu projeto político?

10 Comentários

  1. Uma das notas que li foi uma declaração do próprio Serra (des)qualificando sua candidatura como sendo igual a um ENTERRO: “se eu ganhar, será um enterro com honras militares; se eu perder, será um enterro de indigente”. E as mesmas perguntas que você, Fábio Campana, faz sobre o cenário paulistano deveriam ser feitas para o cenário curitibano, em especial ao neo-vermelho Gustavo Fruet.

  2. Será que a imprensa é coadjuvante ou protagonista? Proselitismo chapa-branca, nariz marrom e din-din tilitando no caixa são mais importantes que desenvolver uma consciência cívica. Será que existe algum jornalista independente?

  3. Dimenstein – você viveu em Nova Iorque e parece que – data venia – não viveu lá..

    São Paulo, gente boa, não tem mais solução; qualquer candidato serve porque não vai resolver nada.

    São Paulo é um monstro que devora a todos que moram ou que ali estão por algum motivo.

    A grande incubadora de talentos que você menciona não conseguirá, por mais que se pretenda, resolver a nossa grande esfinge: decifra-me ou te devoro !

    Ela está devorando todo mundo; não há salvação para São Paulo.

    Vou te dar uma sugestão: um prefeito não basta; tem que mudar a concepção, tem que eleger um parlamento político-administrativo da municipalidade; dividir para poder administrar; 1 só prefeito não consegue; parece uma idéia maluca, mas não é.

    E tem mais: nada de governança pública eficiente se conseguirá enquanto tivermos ELEIÇÕES A CADA DOIS ANOS.

    Essa maratona sucessiva em busca de cargos e mandatos públicos está acando com a República; foi um mecanismo solerte e nefasto à cidadania estabelecido justamente pela politicagem que sabem melhor que todos nós juntos que nessa correria ninguém é responsável por nada.

    Não se esquente comigo, Dimenstein, ajude a acabar com essa excrescência de eleições a cada dois anos !

  4. o RETORNO DO SERRA A DISPUTA SÓ COMPROVA QUE O PSDB É UM PARTIDO DE CACIQUES…QUE NÃO POSSUI QUADROS PARA RENOVAR A POLITICA E APRESENTAR-SE COM ALTERNATIVA DE PODER…É UMA PENA…LASTIMÁVEL.

  5. Ta feio pro Serra vai passar fome se não for prefeito ele nunca consegue terminar um mandato aí é isso que acontece com quem é guloso que passa por cima de todo para chegar ao topo nada tem

  6. Um dos melhores artigos que li nos últimos tempos.
    Os partidos são todos iguais, pois as pessoas são todas iguais, buscam apenas os seus interesses. Sigla é apenas para cumprir regulamento das candidaturas. Ideologia? Que ideologia?
    Aqui no nosso canto muito se critica o Gustavo Fruet, como vira casaca. Mas qual é a ideologia de cada partido? No PMDB não deixaram ele crescer para não fazer sombra ao Requião. No PSDB a mesma coisa. Se ele fosse prefeito de Curitiba fatalmente iria fazer sombra ao Beto Richa. É assim desde o tempo do Brizola. Ninguém quer criar cobra dentro de casa. Perguntem ao Partido onde estava o Leprevost, porque não deixaram ele ser candidado a prefeito de Curitiba. Porque iria fazer sombra ao Sr. Ricardo Barros.
    Assim caminha a humanidade.
    O povo que se dane, aliás merece, pois os políticos que ai estão são frutos do seu meio.
    Muitos são honestos hoje porque ainda não tiveram chance de serem desonestos. De poder a eles e veja o que acontece.

  7. Este nós, é o qual eu não me incluo, pois os senhores da imprensa
    sempre foram conivente com intuito de adquirir benefícios próprios,sugar o mais que puderem dos cofres públicos do bolso do cidadão. São tao corruptas quanto eles.

  8. Voces ja viram, em entrevistas coletivas, algum jornalista, cobrar do mandatario, a efetivação de suas promessas de campanha?

  9. É incrível o que acontece no Brasil.

    Um povo apático, sem armas pra lutar e conformado em apanhar o dia inteiro.

    Enquanto uma criança é estuprada em um ônibus de linha, em plena luz do dia por um detento em liberdade condicional, se discute lei geral da copa! Ou quem será candidato a prefeito! Ou primeiro turno do campeonato paranaense! (a coisa mais irrelevante do universo.)

    Se você não tem segurança pública, você não tem nada!

    Tá tudo errado!
    Cadê a reforma tributária?
    Cadê a reforma política?
    Cadê o novo código penal?

  10. “É uma mediocridade na qual nós, da imprensa, somos coadjuvantes.”

    Sinceramente, nunca achei a imprensa coadjuvantes, mas sim a parte mais crítica da nossa sociedade. Quem duvída assista ao video http://www.youtube.com/watch?v=ZgAQWDyWVm8. E não pensem que é exclusividade da Globo. Gilberto, parabéns pela sua coragem. O problema é como informar a sociedade da conduta da nossa imprensa por ela mesma.

    A maioria da imprensa vive de verba de propaganda do governo ou bate no governo para ser chamado e receber propostas de contrato de publicidade. Senão recebem verbas da oposição.

    A imprensa em sua maior parte se faz de amiga da sociedade mas tem muito interesse econômico na política.

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