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Brasileiros pagam
R$ 194,8 bilhões de juros bancários por ano, ou
R$ 3,6 mil por cliente

Valor inclui cheque especial, crédito pessoal, crédito consignado, aquisição de veículos e de bens.

De Márcia De Chiara, de O Estado de S. Paulo:

SÃO PAULO – Os brasileiros gastam R$ 194,8 bilhões por ano com pagamento de juros de empréstimos bancários. Isso equivale a dizer que, se todas as 54 milhões de pessoas com conta em banco hoje tivessem buscado crédito no sistema financeiro, cada uma teria um gasto anual de R$ 3,6 mil. Essa cifra corresponde à despesa só com juros, sem considerar a amortização do empréstimo principal.

Os cálculos da despesa com juros foram feitos, a pedido do Estado, pelo presidente da empresa de classificação de risco Austin Rating, Erivelto Rodrigues. Para chegar a esse resultado, foram consideradas cinco linhas de crédito: cheque especial, crédito pessoal, crédito consignado, aquisição de veículos e de bens. Os saldos e as respectivas taxas de juros cobradas em cada linha usadas no cálculo estão disponíveis no relatório de crédito de março do Banco Central. Ficaram de fora o crédito imobiliário e o cartão de crédito.

Os dados mostram que, para as linhas analisadas, o gasto com juros cresceu 60% em três anos. Em março de 2009, a despesa anual com juros das linhas de crédito analisadas era de R$ 121,5 bilhões e, em março deste ano, atingiu R$ 194,8 bilhões. No mesmo período, o saldo das operações de crédito correspondentes cresceu 85%: de R$ 264,5 bilhões em março de 2009 para R$ 490,7 bilhões em março deste ano.

“O ritmo de aumento do gasto com juros foi menor do que o aumento do volume dos empréstimos feitos ao consumidor exclusivamente por causa da redução da taxa básica de juros, Selic, já que o spread ficou estável no período”, ressalta Rodrigues.

Em março de 2009, a Selic efetiva, que é o parâmetro do custo de captação dos bancos, estava em 11,7% ao ano. Em março deste ano, era de 9,4%. A queda é de 2,3 ponto porcentual. Durante esse período, o spread, que é a diferença entre o custo de captação e de empréstimo, ficou estável em torno de 28%.

Nas últimas semanas, o governo vem pressionando os bancos privados a reduzir os juros cobrados do consumidor para impulsionar o consumo, reativar o mercado doméstico e a atividade econômica, que enfraqueceu no primeiro trimestre. A estratégia foi baixar as taxas cobradas nas linhas de crédito dos bancos oficiais (Caixa e Banco do Brasil) para acirrar a concorrência e forçar a queda dos custos dos empréstimos aos clientes.

Fabio Silveira, sócio da RC Consultores, compara o efeito atual dos juros, amarrando o consumo, com o impacto nos preços exercido pela inflação. “O Plano Real tirou o peso da inflação no mercado doméstico, que foi trocado pelos juros e impostos.”

Silveira diz que, no momento atual, no qual a economia mundial deve crescer 2,5% este ano, a metade de 2011, é crucial reduzir os juros para garantir o dinamismo do mercado doméstico. “Imagina o quanto poderíamos ter crescido se não tivéssemos carregado juros elevados por quase 20 anos?”, questiona.

8 Comentários

  1. ANTONIO CARLOS Reply

    Por isto que o Poder Judiciário tem mandado extirpar a tabela price, pois os bancos cobram juros dos juros e o anatocismo é proibido pela SUMULA 121 do STF.

  2. Pedágio do PSDB é mais caro que de rodovias dos Estados Unidos

    Viajar de norte a sul no estado da Flórida, sudeste dos Estados Unidos, pela Rodovia Florida´s Turnpike custa US$ 21,20 em pedágios. O valor equivale a R$ 37,31, por 492,62 quilômetros percorridos. No estado de São Paulo, um trajeto de distância semelhante, da cidade de São José do Rio Preto à capital paulista custa R$ 61,50, por 440 quilômetros percorridos.

    O custo pago pelos paulistas em relação à distância é quase o dobro. A tarifa de pedágio por quilômetro rodado nos Estados Unidos é de R$ 0,08. Na viagem de São José do Rio Preto a São Paulo, cada mil metros implicam R$ 0,14.

  3. Vigilante do Portão Reply

    Mais um tiro certeiro dos marqueteiros do PT:

    A tal redução dos Juros!

    Trata-se, obviamente de uma FALÁCEA.

    A propaganda dos Bancos, principalmente do BB e da Caixa, dão a impressão de que a redução é “ampla geral e irrestrita”.

    Ledo engano.

    São apenas alguma linhas de crédito e para clientes selecionados .

    É o mesmo esquema do “Minha Casa, Minha Vida”.

    A propaganda faz imaginar que é simples, barato e, principalmente, PARA TODOS.

    Nada disso,

    O crédito para imóvel, abundante para a Classe Média, é insignificante para a chamada “Baixa Renda”.

    No caso da “Baixa Renda, o governo PROMETEU um subsídio no valor e taxas de juros baixas.
    Para essa modalidade, foram liberados apenas 5% dos recursos prebistos.

    Enquanto isso, para a “Classe Média”, com taxas normais de juros e SEM SUBSÍDIO, sobrou financiamento.

  4. Tira sociologia do currículo escolar e coloca economia no lugar. No futuro isso acaba por falta de demanda, as pessoas vão aprender que primeiro se faz poupança depois parte para o consumo.

  5. No tempo do FHC/ PSDB os juras eram ainda maiores, já fizeram as contas, os juros estavam na estratosfera?

  6. JORGE ALBERTO BANDEIRA Reply

    E OS JUROS QUE PAGAMOS ATÉ HOJE COMO É QUE FICAM??????????

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