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Por falta de espaço, navios esperam até 40 dias para atracar em Paranaguá

De Rafael Moro Martins, Uol Curitiba:

Um congestionamento acumula navios na costa do Paraná. Eles aguardam uma vaga para atracar no porto de Paranaguá (a 98 km de Curitiba), principal ponto de embarque e desembarque de grãos da América Latina. A espera vai de 20 a 40 dias. No fim de semana, havia cerca de 50 navios aguardando na fila.

A Appa, autarquia do governo do Estado que administra o terminal, afirma que a combinação entre bons preços no mercado de commodities, dólar valorizado e condições meteorológicas desfavoráveis causam a fila, que “não é habitual”. Segundo a administração, a fila pode ser reduzida “rapidamente”.

“Fila de navios é assunto tradicional em Paranaguá”, rebate Nilson Camargo, assessor técnico-econômico e especialista em infraestrutura de transporte para o agronegócio da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). “Elas se agravam nessa época de pico na exportação de granéis, mas são comuns o ano todo.”

A causa do problema é conhecida. “A infraestrutura não acompanhou a demanda. Em 1990, Paranaguá movimentou cerca de 13 milhões de toneladas de cargas. Em 2011, foram 41 milhões de toneladas. E o porto é exatamente o mesmo, com o agravante de que os equipamentos se depreciaram nesse período”, diz Camargo.

“Se há espera, há deficiência, não há dúvida. Investimentos em infraestrutura chegam muito depois da demanda”, diz João Gilberto Cominese Freire, diretor do Sindop, sindicato que representa os operadores portuários (empresas que fazem carga e descarga), e presidente do conselho de administração da Rocha Terminais Portuários e Logística.

“Em Paranaguá, faltam investimentos em dragagem, vias de acesso, readequação de equipamentos, que são antigos. Os equipamentos do corredor de exportação [de graneis] têm quase 40 anos”, declara Freire.

Camargo também reclama de deficiência da aparelhagem. “Os guindastes do corredor de exportação movimentam 800 toneladas por hora, muito abaixo da capacidade nominal de 1.500 toneladas. Eles são velhos, obsoletos. Precisamos de mais cais, e de mais profundidade nos pontos de atracação. Como hoje ela é pequena, os navios precisam sair com menos carga. Mas o custo do frete é o mesmo”, afirma Camargo.

O resultado da combinação entre alta demanda e infraestrutura deficiente são as filas. “Hoje, um navio espera, em média, 20 dias até haver espaço para atracar. Mas a demora pode chegar a 40 dias”, diz o analista da Faep.

A situação é mais crítica na exportação de soja, milho e açúcar e no desembarque de fertilizantes.

Operadores e embarcadores acabam tendo de pagar uma multa aos armadores (donos dos navios) pelo atraso nas operações. “Em 2011, pagaram-se em Paranaguá US$ 115 milhões em multas apenas na importação de fertilizantes. É um número muito considerável. Com esse dinheiro, poderia se fazer um corredor de exportação novo”, diz Freire.

A solução para o problema depende de investimentos. “A Appa não tem dinheiro para isso. Dependemos de recursos federais”, diz o analista da Faep.

Freire é mais otimista. “Vemos, pela primeira vez em alguns anos, esforço em resolver os problemas que existem há décadas. Os governos estadual e federal são cientes dos problemas de Paranaguá, que se arrastam por décadas. Mas as soluções vêm a passos muitos lentos, pois governos têm limitações e burocracia. Mas há, ao menos, boa comunicação entre Curitiba e Brasília.”

Foto: Navios enfrentam congestionamento no porto de Paranaguá (PR) e aguardam de 20 a 40 dias para atracar. A administração culpa o mercado aquecido e as chuvas e diz que a fila “não é habitual”. (Heuler Andrey/UOL)

12 Comentários

  1. Entra governo, sai governo e os argumentos são os mais variados para justificar a ausência de tecnologia de ponta.

    O Porto de Paranaguá é um dos mais importantes corredores de exportação do País e não é tratado com o devido zelo pelos governantes do Estado.

    O que não falta por aqui são as desculpas seja o governo que for, tucano, do velho MDB de Guerra, o que não cessa são as desculpas!

    Como sofre esse povo caiçara!

  2. Mas gente, isto tudo não era para estar resolvido, pelo jeito continua como antigamente, fila de caminhões, navios,…etc…etc….

  3. Jose Carlos Fernandes. Responder

    Como diriaa Carlos Chagas, na Appa, “ta de vaca não reconhecer bezerro”.

  4. e a culpa agora e do mercado BETO MERCADO RICHA hahahahahahahahhahhahahahahahahahahahahah…………………..

  5. Em Itajaí a coisa era mais ou menos assim, e sempre na esperança que o mercado resolvesse seus problemas. E o mercado resolveu, mesmo: A iniciativa privada montou na outra margem do Itajaí-Açu, (no máximo uns 300 metros, lógico, sob protestos imensos da politicalha safada), o Porto de Navegantes.
    Moderno, enxuto, tocado por profissionais, longe da pelegada, e da politicalha corrupta.
    Com um custo operacional baixíssimo se comparado com o monstrengo paquidérmico do outro lado, consegue trabalhar a mesma freguesia, com o dobro da velocidade, a um custo muito inferior, gerando lucros aos seus invesntidores, e impostos à comunidade.
    O empreendimento tirou Navegantes do limbo e da miséria, jogando-a no rol das cidades emergentes de S.C.
    Enquanto isso, no lado podre do Itajaí-Açu, sequer os três berços de atracação destruídos na enchente de 2008 foram plenamente restaurados.

  6. Conforme comentario dos especialistas na reportagem acima,devemos nos atentar que,apos muitos anos e diversas gestoes anteriores a essa ,do gov. Beto Richa,começou realmente uma nova fase administrativa da APPA.Primeiro,troca dos cargos politicos por pessoas tecnicas em areas portuarias, ,segundo,-dialogo e projetos entre governos estadual e federal, reduçao da burocracia aproximando os operadores e usarios com a atual administraçao,investimentos federais,estaduais e da iniciativa privada,recuperando o abandono de muitos anos…e nao podemos esquecer que alem de equipamentos a o fator humano,o reconhecimento profissional,pois apos todos os problemas enfrentados ,o porto sempre atingiu recordes,devido ao profissionalismo do seu quadro de funcionarios.Começaremos a perceber o bom senso e o reconhecimento.Veremos que mudanças significativas nos governos federal e estadual,ira impor uma açao conjunta,buscando melhorias em nosso porto,orgulhando nosso povo…

  7. Independente de posição política, meus caros… Fato é que continua como sempre: Desculpas e mais desculpas…

  8. Na APPA estão mais preocupados é com cargos comissionados. A coisa ainda não andou… É um toma-lá-dá-cá que dá gosto!!!
    Quando é que vai acabar essa farra!!! Os funcionários de carreira não aguentam mais…

  9. Zé do Itibere Responder

    Quando o Airton era Superintendente isso não acontecia, mas o Beto Richa não estava satisfeito. A preocupação maior da direção da APPA é tirar os comissionados de Paranaguá, preenchendo as vagas com pessoal de Curitiba. Ontem mais três foram dispensados. Hoje outro advogado de fora “Matheus primeiro os meus” foi apresentado pelo Ferrante para resolver todos os problemas. Enquanto isso a parte operacional fica a ver navios…literalmente. Não dá para entender.

  10. Estão tirando o pessoal do Airton para colocar o pessoal do Dividino, pasmem vocês foi colocado como coordenador de operações um ex policial militar, acho que esse sidadão deve entender muito de operação portuária, vamos Dividino resolver todos os problemas operacional do porto é assim que se faz Parabéns.

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