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Morreu Oscar Niemeyer

Aos 104 anos, morreu o arquiteto Oscar Niemeyer. Ele estava internado no Rio de Janeiro desde 2 de novembro por uma infecção respiratória. O arquiteto completaria 105 anos em 15 de dezembro.

Jaime Lerner, contristado, recebeu a notícia da morte de Oscar Niemeyer e segue amanhã para o Rio para as últimas homenagens ao mestre. A convite de Lerner, quando era governador, Niemeyer projetou o MON (foto), hoje a marca mais expressiva do panorama arquitetônico de Curitiba.

No Leia Mais, saiba sobre a vida e a obra de Oscar Niemeyer em matéria da Folha de S.Paulo. Nas palavras de Darcy Ribeiro, “Oscar Niemeyer é o único brasileiro a ser lembrado, no mundo todo, daqui a mil anos”.

Nascido no bairro de Laranjeiras, no Rio, Oscar Niemeyer se formou em arquitetura e engenharia na Escola Nacional de Belas Artes em 1934. Em seguida, trabalhou no escritório dos arquitetos Lúcio Costa e Carlos Leão, onde integrou a equipe do projeto do Ministério da Educação e Saúde.

Por indicação de Juscelino Kubitschek (1902-1976), então prefeito de Belo Horizonte, Niemeyer projetou, no início dos anos 1940, o Conjunto da Pampulha, que se tornaria uma de suas obras brasileiras mais conhecidas.

Em 1945, o arquiteto ingressou no Partido Comunista Brasileiro (PCB), entrando em contato com Luiz Carlos Prestes e outros políticos. Ao longo das décadas, travou amizades com diversos líderes socialistas ao redor do planeta, viajando constantemente à União Soviética –conjunto de países comunistas liderado pela Rússia– e a Cuba.

Em 1947, Niemeyer fez parte da comissão de arquitetos que definiria o projeto da sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York. A proposta elaborada por Niemeyer com o franco-suíço Le Corbusier serviu de base para a construção do prédio, inaugurado em 1952.

Durante os anos 50, projetou obras como o edifício Copan e o parque Ibirapuera, ambos em São Paulo, além de comandar o Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Novacap, responsável pela construção de Brasília.

Ao lado de Lúcio Costa, ajudou a dar forma à nova capital, concebendo edifícios como o Palácio da Alvorada e o Congresso Nacional.

Inaugurada em abril de 1960, Brasília transformou a paisagem natural do Brasil central em um dos marcos da arquitetura moderna.

Obras nacionais de Oscar Niemeyer

O Congresso Nacional
Impedido de trabalhar no Brasil pela ditadura militar, Niemeyer se mudou em 1966 para Paris, onde abriu um escritório de arquitetura. Projetou a sede do Partido Comunista Francês, fez o Centro Cultural Le Havre, atualmente Le Volcan, realizou obras na Argélia, na Itália e em Portugal.

Após a anistia, retornou ao Brasil, no início dos anos 1980. No Rio, projetou os CIEPs (Centros Integrados de Educação Pública, apelidados de “brizolões”) e o Sambódromo, durante o primeiro governo de Leonel Brizola no Estado (1983-1987).

Em 1988, Niemeyer se tornou o primeiro brasileiro vencedor do prêmio Pritzker –o Oscar da arquitetura. Depois dele, Paulo Mendes da Rocha recebeu a honraria, em 2006. Ainda em 1988, Niemeyer elaborou o projeto do Memorial da América Latina, em São Paulo.

Nos anos 1990 e 2000, a produção de Niemeyer continou em alta, com a inauguração do Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), o Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, e o Auditório Ibirapuera, dentro do parque, em São Paulo.

Em 2003, exibiu sua versão de um pavilhão de exposições na tradicional galeria londrina Serpentine –que todo ano constrói um anexo temporário.

Em 2007, projetou o Centro Cultural de Avilés, sua primeira obra na Espanha, construída durante três anos ao custo de R$ 100 milhões. Inaugurado em março de 2011, o Centro Cultural Internacional Oscar Niemeyer foi fechado após nove meses, em meio ao agravamento da crise econômica, desentendimentos entre o governo local e a administração do complexo no dia do aniversário de 104 anos de Niemeyer. Em meados de 2012, no entanto, o centro foi reaberto.

Mais de 60 anos após a realização do Conjunto da Pampulha, o arquiteto voltou a assinar um projeto de grande porte em Minas Gerais em 2010, com a inauguração da Cidade Administrativa do governo do Estado, na Grande Belo Horizonte.

Atualmente, em Santos, está em execução o projeto de Niemeyer para o museu Pelé. A previsão é que a obra seja concluída em dezembro de 2012.

Niemeyer deixa a mulher, Vera Lúcia, 67, com quem se casou em 2006. Deixa ainda quatro trinetos, 13 bisnetos e quatro netos, filhos de Anna Maria –sua única filha, morta em junho deste ano aos 82–, fruto de seu casamento com Anita Baldo, de quem ficou viúvo em 2004.

16 Comentários

  1. Esse homem realmente foi brilhante!!! Poderia viver 200 anos que quando morresse faria falta!!!

  2. sergio silvestre Reply

    Sagitariano do mesmo dia que eu,dia 15,não fazia obras,só monumentos .
    Partidario do FIDEL ,CHAVES,morreu comunista e ateu.
    Tambem ninguem é dono da verdade para contestar NIEMAYER,se está certo ou errado.
    Todo homem nasce e morre com suas convicções.mas com a idade que o NIEMAYER ,morreu,seria meu sonho de consumo.
    Suas cigarrilhas cubanas diarias não o deixaram bater os 120 anos.

  3. Parreiras Rodrigues Reply

    Sniff…Sniff…Sniff…

    Deus haverá de lhe dizer: É de comunistas assim que eu gosto. Deu casa e comida para um irmão meu (Luiz Carlos Prestes), deu casa prum seu empregado.

    Entre e redesenhe o céu a seu gosto, Oscarzinho, isso aqui tá muito reto, monótono e a única curva que se vê é a da lua, de minguante a crescente!

    Mas antes, saia por ai para se reencontrar com Le Corbusier, Juscelino, aquela turma.

    Lerner demora, inda mais agora que tá amando!

  4. “Jaime Lerner, contristado, recebeu a notícia da morte de Oscar Niemeyer e segue amanhã para o Rio para as últimas homenagens ao mestre.”

    O adeus de um gênio a outro!

  5. FOI UM COMUNISTA INTELIGENTE E SEMPRE ESTEVE BEM COM TODOS OS GOVERNANTES E ASSIM NAO LHES FALTAVA TRABALHO. DESCANSE EM PAZ.

  6. daniel moraes Reply

    a maior perda da história desse país. o Brasil perdeu seu maior expoente mundial. fará mta falta, nunca será esquecido.

  7. Tisa Kastrup Reply

    O Grande Arquiteto do Universo recebeu a concorrência lá no céu. O papo vai ser muito bom e o resultado do “brainstorming”, melhor ainda.

  8. Cidadão curitibano Reply

    O Brasil perde um grande homem de notável capacidade, raro nos dias de hoje.
    Oscar Niemeyer deixa uma vasta obra pelo Brasil e pelo mundo.
    Mesmo sendo um dos melhores arquitetos da história, sabia que não bastava planejar e construir novas cidades, contudo, o que mais importa mesmo é transformar a sociedade.

  9. Doutor Prolegômeno Reply

    Não há dúvida que foi um dos maiores arquitetos da história. Mas, foi um comunista convicto que sempre teve o nariz no marrom dos poderosos, de Stálin a Mao, de Fidel a Tito. Sempre os elogiou e nunca denunciou seus crimes. Como artista foi um gênio. Como “humanista” tinha muitas contradições.

  10. Paulo Szlapak Sobrinho Reply

    Perda irreparável, me emocionei vendo a trajetória de vida e as belezas da arquitetura moderna deixada por este grande homem, que orgulha o Brasil.

  11. O MON é horroroso, assim como toda obra dele. Por que gênio? Por projetar obras não funcionais?

  12. Vigilante do Portão Reply

    Lembrando:

    A PETEZADA e o INCOMPETENTE do Requião,

    Quando da construção do MUSEU do OLHO,

    FORAM CONTRA!

    DIZIAM QUE “ERA DESPERDÍCIO DE DINHEIRO PÚBLICO”.

    É só dar uma olhadinha nos anais da Câmara e da Assembleia, bem como rever os jornais da época.

    Lerner, então governador, mesmo com a campanha contrária, construiu o MUSEU.

  13. Segundo os grandes arquitetos, Niemeyer nunca passou de uma grife. O que ele fez em Brasília, segundo os próprios, não passa de uma sacanagem, regiamente paga com dinheiro público, sua grande especialidade, de Juscelino a Dilma, ele vendeu, e muito bem, seus rabiscos a todos.

  14. PREGAVA O COMUNISMO,MAS MORAVA NO METRO QUADRADO MAIS CARO DO MUNDO E QUANDO ESTAVA DEPRIMIDO IA BEBER EM PARIS.PIMENTA NO DOS OUTROS É REFRESCO!

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