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Travas do investimento

De Miriam Leitão, O Globo:

Depois de cair cinco trimestres consecutivos, é grande a expectativa sobre a recuperação do investimento. Até agora, há um termômetro frio e outro quente. A produção de bens de capital caiu em outubro, mas a importação cresceu. O ritmo dos investimentos, numa taxa acumulada em 12 meses, saiu de 21%, no final de 2010, para -2,4% no terceiro trimestre deste ano.

Como já escrevemos aqui, a alta do dólar é ruim para os investimentos porque dificulta a importação de máquinas.

Mas há outro efeito negativo, como explica o presidente da Niely Cosméticos, Daniel de Jesus. A empresa, que faturou, em 2011, R$ 528 milhões, gastou muito mais com a compra de matéria-prima importada. Depois disso, ficou com menos caixa para investir.

— Uma fatura de US$ 1 milhão representava um custo, em reais, de R$ 1,7 milhão. Agora, eu pago R$ 2,1 milhões. A diferença é grande, de R$ 400 mil. Poderia investir em pesquisa com esse dinheiro, gerar empregos, vender mais barato — explicou.

Como o fôlego do consumo hoje é menor, é importante que os investimentos voltem a crescer para impulsionar o PIB. A Formação Bruta de Capital Fixo é o principal indicador do IBGE para medir os investimentos e ele teve essa desaceleração forte, de 21% para -2,4%. Mede as compras de máquinas, de tratores e caminhões, e obras de infraestrutura.

A importação de bens de capital subiu de US$ 3,8 bilhões em setembro para US$ 4,5 bi em outubro, mesmo com a alta do dólar. Aumento de 18%. A principal importação foi de maquinaria industrial, que foi de US$ 1,24 bi para US$ 1,59 bi. Alta de 28%.

O vice-presidente da Abimaq, José Velloso, vê esse aumento com cautela. Acha que se trata de um repique estatístico. Pelo seu termômetro de vendas internas, acredita que a demanda por investimentos continua fraca e que haverá nova queda no quarto trimestre.

— Estamos numa fase descendente desde junho e é difícil dizer que já chegamos ao pior momento. O mais provável é que não tenhamos crescimento no nosso setor até o segundo trimestre do ano que vem. Como o setor de máquinas representa 53% da FBCF, medida pelo IBGE, o quarto trimestre deve ter nova queda — disse.

Velloso diz que o setor de máquinas tem um saldo negativo de 9 mil postos de trabalho no ano e que novas demissões estão a caminho. A carteira de encomendas está muito baixa, em 15,5 semanas, o que significa redução de 11% em relação a 2011.

Em 2010, quando a economia brasileira estava aquecida, as encomendas representavam, em média, 22 semanas de trabalho garantido. A ociosidade do setor chega a 29%, quando o normal é oscilar entre 15% e 20%.

Alvaro Gribel e Valéria Maniero (interinos)

2 Comentários

  1. A companheira parece já ter gastado todos os coelhos que tinha na cartola. E os 7 anos de vacas gordas foi o companheiro que desfrutou. Agora já estamos vivendo os de vacas magras. Mas se hoje já estão chorando por causa da taxa de câmbio, então amanhã vão morrer de tanto chorar, porque em dezembro de 2013 ela vai ser de R$ 2,50 ou até R$ 3,00, promessa do Mantega. A tal marolinha lá de 2008 está chegando com atraso, mas está chegando. Agora quem vai ouvir sermão sobre como acabar com a crise, somos nós. Acreditamos no conto do 51 e agora vamos pagar o preço. Kiko

  2. -O que o governo do presidente molusco desfrutou foi pelo crédito e as condições favoráveis deixadas pelo governo do FHC e pelo cruel, satânico governo do PSDB!!!
    -Agora o que a Dilma herdou do molusco??? Absolutamente nada!!!
    Apenas a incompetência, a corrupção, o aumento das custas da máquina pública!!!

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