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Aécio apresentará projeto que acaba com a reeleição

De Débora Bergamasco e João Bosco Rabello:

BRASÍLIA – O senador e pré-candidato à Presidência da República Aécio Neves (PSDB-MG) está elaborando um projeto para propor no Senado que vai polemizar e alterar o atual cenário político: ele quer extinguir a possibilidade de reeleição presidencial, de governadores e prefeitos e ampliar de quatro para cinco anos os mandatos de todos os novos eleitos, aplicando, desde já, a regra que poderia afetar a si mesmo caso eleito.

Sua ideia é que, uma vez aprovada, a regra passe a valer já para os vencedores do pleito de 2014, impondo ajustes aos mandatos atuais de senadores e deputados, ampliando-os para forçar a coincidência nas eleições seguintes e fixando-os nos mesmos cinco anos estabelecidos para Presidente da República.

Aécio ainda matura o projeto, mas não esconde a convicção de que os quatro anos previstos na legislação vigente são insuficientes para uma gestão minimamente eficiente de um País ou Estado. A reeleição, por sua vez, condiciona a segunda metade do mandato à campanha eleitoral, submetendo o governo e, por extensão, a população, a uma gestão distanciada dos reais interesses do País. Ele chama de soluções bienais a falta de coincidência das eleições que considera nefasta para a administração pública. Com frequência, classifica de “loucura” eleições de dois em dois anos.

Aécio diz a seus pares estar ciente da dificuldade que seria emplacar um projeto desses no Congresso. Sabe o potencial de influência dos governadores, por exemplo, que têm planos de se manter o maior tempo possível no poder e do próprio governo Dilma Rousseff, que provavelmente exigiria postura contrária de sua bancada ao plano. Mas o mineiro tem seus motivos para entrar nessa batalha e acha que a proposta lhe dá cacife para campanha de 2014.

A seu favor, lembra que não é a primeira vez que defende o fim da reeleição e a mudança do tempo de mandato presidencial. Em 2007, deu entrevistas a favor dessa alteração, mas não tinha ainda força política para influenciar na condução desse processo. Na ocasião, não tinha a clareza que tem hoje sobre as chances de disputar a Presidência por seu partido. Seis anos depois, candidato do PSDB à sucessão presidencial e virtual comandante do partido – será eleito presidente nacional da legenda no dia 19 de maio – sente -se com o espaço necessário para liderar o movimento no PSDB e no Parlamento.

Desapego do cargo. Assim como a ex-ministra Marina Silva (sem partido), em segundo lugar nas últimas pesquisas de intenção de voto, o PSDB de Aécio Neves e Fernando Henrique Cardoso identificou uma insatisfação do eleitorado com o perfil do político disposto a se manter no cargo a qualquer custo. Defender essa ideia publicamente passa a ideia do desapego, já que a regra se aplicaria a ele próprio. Ironia histórica é que revoga o modelo implantado pelo líder mais carismático de seu partido, e entusiasta de sua candidatura, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso que aprovou emenda para viabilizar sua reeleição em 1997.

O gesto, no entanto, se insere na estratégia de remoçar o PSDB, sinalizando com a presença mais efetiva da nova geração do partido, à qual pretende associar sua imagem.

Economia
No plano econômico, o senador mineiro já busca a assessoria de novos economistas, com qualificação atestada por grandes expressões do setor. Dessa forma, procura se desvincular do rótulo conservador aplicado pelos governistas aos candidatos de oposição.

Também já prepara o discurso contra as acusações de “privatista” que tanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como a presidente Dilma Rousseff utilizaram sobre os tucanos nas últimas campanhas.

Petrobrás
Nas eleições passadas, o PSDB teve dificuldade para administrar o tema e os próprios tucanos reconhecem que a estratégia dos adversários funcionou bem, especialmente na campanha de 2006, na disputa de Lula contra Geraldo Alckmin. Agora, Aécio vai adotar o discurso de que quer “reestatizar a Petrobrás”, usando o mote para criticar o suposto aparelhamento da empresa e o suposto uso de seus recursos para fins que seriam prejudiciais à boa gestão da empresa.

17 Comentários

  1. Constanza del Piero Responder

    Corretíssimo! E para presidente também! – O cara faz a primeira gestão rasoável, e na segunda vem só buscar os “honorários” auferidos junto a fornecedores e outros envolvidos nas falcatruas diárias. Parabéns Aécio!

  2. HAMILTON LUIZ NASSIF= LONDRINA Responder

    Está mais perdido que cego em tiroteio.!!! Mais um que ajudou a afundar o P. S. D. B. Mais uma esperança perdida .!!!!!

  3. Bagrinho do Litoral Responder

    Este projeto deveria incluir os legislativos, pois assim se acabariam feudos como os do Sarney et caterva…

  4. angelo garbossa neto Responder

    Até que enfim alguém teve um lampejo de inteligência !!!!
    Parabéns pela proposta, o mesmo deveria valer para os senadores para vereadores e deputados estaduais e federais deveria ser permitido somente uma reeleição.

  5. ALELUIA!!
    Finalmente um projeto decente neste País de gente medíocre.
    Só acho que o mandato deveria ser de 6 ou 7 anos pois assim daria tempo de um político em exercício de cargo executivo executar projetos de longo prazo sem se preocupar em eleger seu sucessor.

  6. MeuDeus, como ele vai explicar essa posição ao FHC, afinal FHC chegou até a comprer votos para garantir a sua reelição. vai ficar contra o padrinho político?

  7. Engraçado não? Foi o PSDB quem criou a reeleição para favorecer o FHC. Será que já está contando com a derrota nas urnas no ano que vem? Esse Aécio é muito fraquinho como oposição.

  8. Deixa eu entender …. Quando era para reeleger o FHC podia, agora mudou ??? Não entendi ….

  9. A REELEIÇÂO NUNCA DEVERIA EXISTIR.
    ELA EMPROBRECE A NAÇÃO.
    QUEM MANDA NO PAÍS NÃO SÃO OS POLÍTICOS E SIM OS FINANCIADORES DELES (BANQUEIROS E DONO DE REDES MERCADISTAS, CARTORÁRIOS, E LATIFUNDIÁRIOS) . ISSO É BASTANTE NOTÓRIO
    TAMBÉM ACHO QUE DEVERIA SER ESTENDIDA AO LEGISLATIVO, DE CABO A RABO.

  10. sergio silvestre Responder

    O hic hic Aécio tem essas miragens quando exagera nos alucinogenos.Começa a ver pombas brancas ,que quando se aproximam viram pterodatilos.
    Esse surfa na mediocridade,cada candidato né.

  11. O que essa farsa chamada de político deveria fazer além de encher a cara nos bares do Rio de Janeiro seria apresentar um projeto que proibisse o financiamento privado de campanhas políticas – financiamento público de campanha já. Isso o Aécio não tem peito e nem interesse em propor. Outro projeto que ele deveria apresentar é uma CPI para investigar a compra de votos da reeleição do FHC e as origens do mensalão.

  12. Em época de eleições a gente vê cada besteira, cada demagogia deslavada. É por este e outro tipo de besteira que o Aécio não consegue emplacar.

  13. Fim da reeleição…será que vai para frente…

    O projeto que acaba com a reeleição de presidente, governadores e prefeitos, e amplia o mandato para cinco(5)anos, é excelente.

    Porém esta “manco”, para não dizer que esta eivado de casuísmos, pois não acaba com a reeleição do Parlamento, Senadores, Deputados Federais, Deputados Estaduais e Vereadores, onde existem parlamentares com mais de 40 anos de mandato e/ou mais de 10 reeleições, ditos como do “alto clero”, mas na verdade são verdadeiros coronéis atuando em beneficio próprio.

    Sou favorável ao fim da reeleição para todos os cargos do executivo e do parlamento.

  14. Concordo totalmente com você, mas quem inventou esta idiotice de reeleição foi o FHC, que deve estar arrependido até hoje da mancada que deu. Talvez estivesse sob o efeito “benéfico” da canabis sativa, que agora defende com unhas e dentes

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