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Ministério Público investiga fraude do leite no Paraná

De Vinícius Roratto, Correio do Povo:

O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MP) investiga a atuação de uma cooperativa paranaense no esquema de adulteração de leite no Rio Grande do Sul. Segundo o MP, a empresa adquiria toda a produção de leite cru do entreposto da empresa Marasca, em Selbach, onde foram armazenados os lotes contaminados com ureia e formol. O centro foi interditado na operação Leite Compen$ado na semana passada.

Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura no RS (Mapa/RS), Ana Stephan, há dois anos, a unidade da Marasca estava sendo investigada por suspeitas de adulteração e problemas sanitários. O Ministério Público ainda apura a relação entre as operações da Marasca e a atuação de um funcionário da cooperativa que trabalhava dentro do entreposto da empresa gaúcha. Veterinário, ele também respondia pelas compras dos produtores e foi preso na operação Leite Compen$ado na quarta-feira passada.

A cooperativa também é citada pelos produtores que entregavam o produto aos transportadores detidos. Segundo uma criadora de Ibirubá, todas as notas fiscais eram emitidas em nome da cooperativa tendo o município gaúcho de Eugênio de Castro como destino. Apesar disso, a maioria dos fornecedores de leite não sabia onde a produção iria parar ou com que marca chegaria aos supermercados. “Não sei para onde ia o nosso leite”, relata a produtora. “De vez em quando, eles ainda reclamavam que tinha percentual de água demais no nosso leite. Faziam a gente ajustar os resfriadores”, descreve.

Na semana passada, após o escândalo, a criadora chegou a receber uma visita de integrantes da cooperativa interessados em manter a captação. Segundo representantes do setor na região de Ibirubá, o leite que até então era coletado pelos suspeitos, segue sendo captado pela cooperativa paranaense com os mesmos motoristas de antes. Procurada pela reportagem, a diretoria da cooperativa não se manifestou, mas garantiu que será divulgada hoje uma nota oficial. A Marasca também não emitiu posicionamento sobre as declarações do Ministério da Agricultura.

Resultados dos testes de leite à vista

Sai nesta terça-feira o resultado do exame laboratorial que definirá o destino dos 318 mil litros de leite apreendidos na semana passada na Operação Leite Compen$ado. Segundo a chefe da Divisão de Defesa Sanitária do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul (Mapa/RS), Ana Stephan, os testes definirão o volume que deverá ser inutilizado devido à presença de formol. Devem sair em dois dias também os resultados do exame referentes à suspeita de leite em pó contaminado com antibiótico, cujo produto seria de uma empresa do Vale do Taquari.

Produtor remaneja entrega de leite

Os tambos da região de Ibirubá, onde foi desbaratado esquema de fraude no leite pela operação Leite Compen$ado, realocaram rapidamente a produção para outros transportadores e cooperativas. Pelo menos cinco dos criadores que entregavam a produção foram incorporados pela Cooperativa de Pequenos Agropecuaristas de Ibirubá (Coopeagri). “Fomos procurados e incorporamos aqueles que tinham qualidade”, relatou o secretário da cooperativa, Diego Budke, responsável por acompanhar de perto as inspeções dos produtores credenciados. As novas adesões da última semana elevaram em 1,5 mil litros/dia a captação, que, diariamente, é entregue em Espumoso para uso pela Santa Clara.

O reflexo no campo pegou até quem não tinha nenhuma relação com os transportadores suspeitos. A criadora Jurema Pezini já se prepara para ver o preço pago pelo litro cair nas próximas semanas. Ela prevê que o atual valor de R$ 0,85 baixe para a casa dos R$ 0,70. “O produtor não tem nada a ver com isso, trabalha com o mesmo custo, investiu em silagem e ainda tem contas para pagar”, lamenta a pecuarista que entrega diariamente cerca de 900 litros de leite para a Bom Gosto. Segundo ela, o leite é coletado por um transportador independente como vários que atuam na região. O receio de perda também ronda o tambo de Baldur Fredrich, que trabalha há 30 anos com vacas leiteiras. Segundo ele, a produção de 450 litros é entregue para a Mu-Mu em caminhão do laticínio, o que acredita ser mais seguro.

2 Comentários

  1. Eta Brasil! Não é novo esse negócio de por porcaria e veneno no leite por aqui. O pior é que ninguém vai para a cadeia, enquanto isso, o consumidor e as crianças vão indo aos pouquinhos para o cemitério. Na China os que fizeram isso foram condenados à morte!

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