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Morreu no trono

Do Ancelmo Gois:

O ditador argentino Jorge Videla morreu, acredite, sentado no vaso sanitário.

O segurança da prisão passou e o viu no vaso. Voltou e ele continuava lá. Morto. Foi sexta, depois das 8h.

7 Comentários

  1. EPITÁFIO DE UM GENERAL Reply

    Epitáfio de um general

    Gen Jorge Rafael Videla –
    87 anos – encontrado morto
    na cela onde se encontrava
    preso.
    Alexandre Garcia

    Morreu na prisão o General Jorge Rafael Videla, condenado na Argentina a duas prisões perpétuas. Cumpriu só uma, pois não tem duas vidas. Se ainda tivesse, creio que faria tudo de novo. Morreu com a consciência tranquila de quem cumpre com o dever. Foi condenado porque assumiu tudo que se atribuiu ao exército durante a guerra em que foram derrotadas duas organizações que pretendiam estabelecer no país um regime igual ao de Cuba. Desde a morte dele, não li nos jornais nada que não fosse a história escrita pelos derrotados. Testemunhei parte da história real quando eu era correspondente do Jornal do Brasil em países do cone sul.
    O que vou contar está no livro que escrevi e que a Editora Globo lançou em 1990 e teve 12 edições, inclusive com várias semanas na lista dos mais vendidos. Nenhuma revelação de agora, portanto. Conheci o General Videla numa recepção na embaixada do Brasil, em 1975. Era general-de-brigada, sem comando, e, na conversa, disse que Brasil e Argentina desperdiçavam energias com a rivalidade, já que o verdadeiro inimigo estava dentro da Argentina, matando o povo para aterrorizá-lo e tomar o poder, aproveitando-se do governo fraco da viúva de Perón.
    Católico praticante, ía à missa com comunhão todos os dias. Foi carola até nos filhos: nove. Alto e magro, tinha o apelido de pantera-cor-de-rosa.

    Reencontrei-o um ano depois, quando eu cobria o encontro de exércitos das Américas, em Montevidéu. Ele já era comandante do Exército. E me confidenciou: “Olhe, hoje há uma guerra interna na Argentina. Mas uma guerra estranha, em que apenas um lado está lutando: o lado da guerrilha e dos terroristas do ERP e dos Montoneros. Em breve, eles dominarão a Argentina e o Cone sul, se não houver uma reação. Vai ser preciso entrarmos nessa guerra. Vai correr muito sangue. Pode ser o meu sangue ou de alguns de meus nove filhos. Mas será preciso correr sangue, ou não teremos paz.” Em 24 de março de 1976, ele tirou a presidente fraca sob o aplauso da nação, entrou na guerra e venceu. Ameaçado, 10 dias antes eu me mudara para Brasília, depois de ter sido sequestrado pelos Montoneros – a extrema esquerda – e perseguido de morte pela Triple A, a extrema direita. A partir de então, deixei de testemunhar os acontecimentos na Argentina.

    Agora leio as notícias da morte de Videla. Dizem que morreu de hemorragia causada por uma queda na prisão. E todas as notícias o responsabilizam por conduzir uma guerra suja. Ora, a guerra suja já existia. Uma bomba posta na lanchonete perto de meu escritório na Calle Florida obrigou os bombeiros a lavarem com mangueiras o sangue na rua. Metralhavam filas de ônibus para que o povo os respeitasse pelo terror. Tinham metralhadoras antiaéreas tchecas no território liberado de Tucuman; sequestravam e torturavam até a morte as suas vítimas. Mantinham tribunais revolucionários com execuções em seguida. Videla então entrou nessa guerra suja. E venceu. Não o perdoam por ter impedido um regime totalitário marxista na Argentina. Quanto a guerra suja, que guerra não é suja? Nem mesmo as dos exércitos dos Papas. O lado aliado, na II Guerra, não relata a sujeira, porque a história é escrita pelos vencedores. Menos por estas bandas.

  2. PARABÉNS AO ALEXANDRE GARCIA PELO BELISSIMO TEXTO.O MESMO ACONTECEU NO BRASIL E OS TERRORISTAS DE ONTEM SÃO OS HERÓIS DE HOJE.

  3. Parabéns ao Alexandre Garcia! Um dos poucos jornalistas honestos, com coragem, microfone e tribuna, nesse país!
    Assisti-o num congresso em Foz do Iguaçú; sua simplicidade e autenticidade são desconcertantes.
    Num momento da palestra, onde ele relatava as verdades sobre o petismo, um baiano levantou-se aos berros, defendendo o safado do lulla!
    Com muita calma ele disse-lhe: “FALO COM CONVICÇÃO, POIS TESTEMUNHEI ESSES FATOS. ALÉM DO MAIS, TENHO CRÉDITO, POIS INFELIZMENTE VOTEI NESSE HOMEM” !.
    Pronto; matou o baiano amestrado, que antecipou num dia sua volta!

  4. Lembro de Videla, e da sua luta contra o terrorismo; como também lembro de todos os presidentes militares daqui, e a luta de cada um, contra o maldito terrorismo de então!
    O erro desses homens, tanto os daqui, quanto os argentinos e outros do cone sul, soldados treinados para lutar contra soldados, e com regras estabelecidas, e não contra bandidos sanguinários, assaltantes e sequestradores, que explodiam bancos e quartéis aleatoriamente, matando e destruindo tudo que estivesse por perto, como quem escolhe uma gravata pela manhã, foi conceder-lhes essa MALDITA ANISTIA.
    Tivessem deixado-os trancafiados na cadeia até o fim de seus miseráveis dias, PAGANDO PELAS MORTES QUE CAUSARAM, e pela tentativa de transformar isso aqui numa Cuba, o Brasil estaria livre dessa praga, e já teria assumido o lugar que é seu, no topo da economia mundial!

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