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BC faz intervenção, mas dólar permanece em alta

De O Globo:

RIO – O Banco Central finalmente realizou uma intervenção no mercado de câmbio para conter a forte alta do dólar comercial sobre o real, no começo da tarde desta sexta-feira, mas ainda assim a moeda americana manteve trajetória de valorização. Foi ofertado US$ 1,5 bilhão em contratos de swap cambial, operação que equivale à venda de dólares no mercado futuro, mas só US$ 877 milhões foram efetivamente vendidos em 17.600 contratos, dos 30 mil contratos oferecidos inicialmente. Por volta de 13h42m, a moeda americana subia 1,13% sobre o real, a R$ 2,138 para venda, depois de avançar 1,42% na máxima do pregão, a R$ 2,144.

— O mercado precisa de moeda (no mercado à vista). Leilão de swap cambial (no mercado futuro) não resolve — disse Sidnei Nehme, diretor-executivo e economista da corretora NGO.

A autoridade monetária tinha consultado operadores no fim da manhã desta sexta-feira sobre a demanda por um leilão de contratos de swap cambial. Para analistas, a valorização do dólar é estimulada pelo movimento no exterior frente a outras moedas, em dia de pessimismo global. Era esperado que a elevação da Selic ajudasse na valorização do real, com uma suposta maior entrada de divisas no país em busca de juros maiores.

A moeda americana começou em alta nesta sexta-feira mesmo depois de o Banco Central (BC) surpreender o mercado com uma alta de 0,5 ponto percentual na Taxa Selic, para 8% ao ano, na noite da última quarta-feira. A decisão veio apesar do fraco crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de bens e serviços produzidos na região) divulgado pelo IBGE na última quarta-feira.

Parte do mercado não esperava intervenção nesta sexta-feira porque é o último dia útil do mês, quando há formação da taxa Ptax por volta de 13h, utilizada como referência nos contratos de dólar futuro na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F), que balizará os ganhos e as perdas com o vencimento do contrato de dólar futuro que expira em junho, de acordo com operadores. Neste tipo de pregão, é natural ocorrer maior volatilidade e o BC teria um acordo informal para não intervir.

De acordo com dados divulgados na última quarta-feira, fundos de pensão e gestoras brasileiras formam a categoria de investidores que possui o maior volume de apostas na valorização do dólar e, portanto, acumula os maiores ganhos com a depreciação do real. Segundo dados da BM&F, esse tipo de investidor possuía uma posição líquida de US$ 19,2 bilhões na última quarta-feira em apostas na valorização da moeda americana sobre o real em contratos de dólar futuro e de cupom cambial. Enquanto isso, bancos apostavam na queda do dólar, com posição líquida de US$ 12,9 bilhões, e investidores estrangeiros também, com posição líquida de US$ 6,5 bilhões.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operava em queda, com recuo de 1,13%, aos 53.732 pontos, no Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro. A desvalorização acompanhava a reação negativa no exterior dos investidores à nova taxa recorde de desemprego na zona do euro, que atingiu 12,2% em abril, e a piora das perspectivas para ações afetadas pela elevação da Selic, como construtoras. Os mercados americanos também operavam em queda. Em Wall Street, Dow Jones subia 0,08%, enquanto S&P 500 perdia 0,14% e Nasdaq subia 0,06%.

— As notícias não são amigáveis. O PIB está fraco, o dólar disparou, e a meta do governo agora é brigar com a inflação. Essa alta do dólar faz com que tenha fuga de recursos. Há um mau humor generalizado — avalia Pedro Galdi, analista-chefe da corretora SLW.

Entre as principais ações do mercado brasileiro, preferenciais (PN, sem voto) da Petrobras subiam 1,05%, a R$ 20,06, enquanto Vale PNA recuava 0,57%, a R$ 29,21. Já ordinárias (ON, com voto) da OGX Petróleo recuavam 2,66%, a R$ 1,46.

Juros futuros em alta
Depois da alta da Selic para 8% ao ano, os contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) na Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM&F) eram negociados em alta, refletindo apostas de maiores elevações da Selic daqui para frente. O contrato DI com vencimento em julho de 2013 era negociado a 7,72%, enquanto o contrato com vencimento em janeiro de 2014 chegava a 8,42%. De acordo com Getúlio Ost, operador da gestora Quantitas, a elevação dos juros futuros reflete apostas de que a Selic vai subir mais 0,50 ponto percentual em cada uma das duas próximas reuniões, terminando o ano em 9%.

— Sempre enxergamos o BC mais leniente com inflação e preocupado com crescimento. Mas agora parece que o governo e o BC perceberam que a inflação pode ser um problema para o crescimento. O contrato DI de janeiro de 2014 precifica mais duas altas de 0,50 ponto percentual da Selic, mas é claro que o BC tem mais 45 dias para acompanhar os desdobramentos no mercado — disse Ost.

Na Europa, os mercados fecharam com perdas pela divulgação da taxa de desemprego na zona do euro, que chegou a 12,2% em abril, novo recorde histórico. A Eurostat estima que cerca de 26 milhões de pessoas estavam sem emprego nos 17 países que adotam a moeda única europeia. Na Bolsa de Londres, o FTSE 100 terminou com perda de 1,11%, enquanto o CAC 40, de Paris, recuou 1,19%. Em Frankfurt, o DAX perdia 0,61%. Em Madri, o IBEX 35 recuou 1,34%. Em Milão, o FTSE MIB perdeu 0,79%.

7 Comentários

  1. Doutor Prolegômeno Responder

    Um ditado chinês diz que aquele que monta o lombo do tigre, termina, invariavelmente, no seu ventre. Confiar numa estratégia de crescimento montada no consumo é equivalente a cavalgar o lombo do tigre. Madama Dilma e seu assistente Manteiga derretida logo serão engolidos pela fera que julgam que domesticaram. Acabaram-se os coelhos na cartola de Lula, o dono do circo Brasil?

  2. Vigilante do Portão Responder

    É o “mercado”, acordando para a péssima administração da Economia Brasileira.

    Coisa de INCOMPETENTES:

    Inflação alta;
    PIB pequeno;
    Pouca poupança para pagar juros;
    Gastos em demasia;
    Baixo investimento.

    TUDO ao mesmo tempo.

  3. A chapa está esquentando e a manteiga vai derreter. Os EUA dão sinais de recuperação e de elevação da sua taxa de juros, atraindo investimentos para o dólar, que ainda é mais seguro do que a esculhambação da economia brasileira sob Dilma. Isso vai valorizando o dólar e aumentando o risco de inflação. A estagflação está à vista e as teorias econômicas do lulopetismo vão se mostrando inúteis.

  4. KKKKK, Alegria de palhaço é ver o circo pegar fogo, kkkkkk,

    Agora saletes, serginhos(professor de português) e outros abobados, vão dizer que é a nossa torcida que está levando o Brasil para o brejo, kkkkkk

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