Uncategorized

As revistas semanais, segundo Ernesto Vargas

Brasil campeão e as semanais continuam a disputar uma espécie de segundona editorial! Na concorrência pelo troféu das “piores informativas da semana”, Veja se supera de novo nas páginas amarelas. Depois de revelar as visionárias e imprescindíveis opiniões do ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, dessa vez a periódica nos traz a relevante postura política e social de Maycon Freitas….ele mesmo !!!!! Um “famoso” jovem carioca que criou o mundialmente conhecido UCC (União Contra a Corrupção). Para economizar em adjetivos, positivos ou negativos, resta citar a seção cultural de Veja. Alguém sabe que o neto de Freud, Lucian Freud, era um pintor surrealista e agora tem vários dos seus quadros expostos no MASP ? E que os astros do hip-hop americano querem ser endeusados e não apenas ganhar dinheiro e fama ? Para fechar, o cineasta espanhol Pedro Almodóvar nos presenteia com o seu novo filme “Os Amantes Passageiros”, uma comédia que retrata o descaso das autoridades do seu país em relação à crise que vem minando a Espanha há mais de um ano. Conclusão: Veja não acrescenta nada e muito menos nos surpreende com suas páginas insossas.

> No mesmo dia em que o Datafolha mostrou o desmoronamento da aprovação a Dilma, a Época chegou às bancas perguntando que fim levou a “estadista”. Mas talvez uma imagem mais representativa que a da silhueta da ausência presidencial, na capa da revista, fosse a de uma estátua de pedra: engolida pelas convicções inflexíveis e pela personalidade de cão, Dilma não consegue articular politicamente, desconfia de todos e patina com um governo sem foco claro. A revista descortina bem o quadro atual e lança propostas concretas para que o país evolua em combate à corrupção, saúde, transportes, educação e segurança. Vale para ampliar o debate. Matéria sutilmente irônica tira um sarro da modinha editorial e ensina a fórmula para publicar um romance erótico: uma porção de clichês, algumas cenas de sacanagem, uma “heroína” submissa e um final feliz. Nem precisa saber escrever. Sobre literatura de verdade, outra matéria conta a curiosa história da crítica pesada de Graciliano Ramos (o homenageado da Flip deste ano) que mudou a obra do então iniciante Guimarães Rosa. Ainda na seção cultural, Época explicita novamente que não há independência em seu departamento de jornalismo: quase colado à indicação para Bates Motel, da Universal Channel, eis que surge frondoso anúncio de página inteira da mesma série de TV. Até quando, Editora Globo?
> Na mesma linha de Veja, a IstoÉ destaca na capa o fim da inércia dos três poderes com a onda de manifestações. A revista conjectura o rearranjo das forças para 2014, o novo patamar de fiscalização social, a pressão sobre Dilma, entre temas correlatos – nada de muito surpreendente. A edição como um todo, aliás, é bem fraca e traz temas batidos (o desempenho ruim de estudantes brasileiros em matemática) ou de relevância duvidosa (sobre culto a objetos de João Paulo II ou a alta média de gols na Copa das Confederações, aliás enganosa pela presença dos amadores do Taiti). Faltou inspiração na reunião de pauta. A revista ainda descobre e entrevista um sociólogo espanhol que considera Dilma “a primeira líder mundial a ouvir as ruas”. Se ouviu, não está entendendo nada.
> E que volte o Brasileirão e seus jogos mais ou menos dessa fase morna e não menos insossa do que as semanais ! Abs

1 Comentário

  1. Graças ao bom Deus não assino nenhumas destas revistas, ofertas recebo toda semana, mas a minha pouca inteligência não suporta tanta mediocridade e mesmice.

Comente