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Protesto perto do prédio do governador do Rio termina em confronto

Cerca de 300 manifestantes protestaram, na noite desta quinta-feira, 4, nas imediações do prédio onde mora o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), na Rua Aristides Espínola, no Leblon, zona sul. O grupo chegou a interditar a Avenida Delfim Moreira nos dois sentidos e começou a ser dispersado às 22h55 pela Tropa de Choque, com bombas de efeito moral e gás de pimenta. O Choque conseguiu liberar a avenida por volta das 23h40. Um grupo reagiu com pedras e, de acordo com a assessoria do governo, pelo menos três pessoas foram detidas até as 23h22. Algumas haviam corrido para a praia e foram presas na areia.

Os ativistas reclamaram que os policiais estavam sem identificação. Dois ônibus ficaram no meio de uma cortina de fumaça de gás lacrimogêneo e os passageiros acabaram abandonando os veículos.

Durante o ato, os militantes exibiram cartazes acusando justamente a Polícia Militar de agir de forma truculenta em outras manifestaçõese. Eles gritavam frases como “Cabral é ditador”.

Por volta das 20h30, houve um princípio de confusão quando dois jovens começaram a ser hostilizados pelos demais manifestantes. Os rapazes seriam dissidentes do grupo Ocupe Delfim Moreira, que ficou acampado no local por dez dias até ser expulso na madrugada de terça-feira, 2, pela PM.

Os dois jovens teriam participado da reunião com o governador na semana passada, e passaram a ser considerados traidores do movimento. Quando foram reconhecidos, um grupo começou a avançar em direção aos rapazes, aos gritos de “traidor”, “infiltrado” e “não nos representam”. Um dos jovens saiu do local às pressas.

Mais cedo, uma equipe da TV Record foi encurralada por manifestantes mais exaltados, que foram agressivos com a repórter. Os jornalistas tiveram de deixar o local, com a ajuda de outros participantes do protesto, que fizeram um cordão de isolamento.

No ato desta quinta, cerca de 30 pessoas usaram guardanapos de pano amarrados na cabeça, numa referência a uma comemoração que reuniu Cabral, secretários de Estado e o empresário Fernando Cavendish, dono da Construtora Delta, em Paris. Naquela festa, alguns integrantes dançaram usando guardanapos na cabeça.

O protesto foi organizado pela internet por um grupo que se intitula Anonymus Rio. Os ativistas previam reunir 10 mil pessoas, e na internet 9 mil confirmaram presença. A Polícia Militar monitora os manifestantes. Muitos curiosos também param para observar o grupo. O governador não passou pelo local.

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