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As revistas semanais, segundo Ernesto Vargas

Veja produz uma verdadeira salada editorial em sua capa. Mistura, de novo, o Papa com a brilhante conclusão do ministro da Fazenda Mantega (“a inflação é a pior coisa que existe para o Brasil”), e, por fim, uma pesquisa inédita que nos brinda com a notícia de que o trânsito mata mais do que a competente e sempre crescente fábrica de bandidos instalada nas periferias das grandes cidades brasileiras. É a concorrência pela desgraça que assola e promove o nosso País aqui dentro e lá fora !!! O vaidoso ministro da Educação Mercadante leva outra pancada da semanal, que insiste em afirmar que ele não desistirá de derrubar Mantega para ocupar o manche da economia nacional. A matéria diz também que haverá uma dança das cadeiras nos ministérios, com Paulo Bernardo (Comunicação) de volta para o Planejamento e que a atual titular, Miriam Belchior, migrará para a Casa Civil no lugar da paranaense Gleisi Hoffmann. A mesma reportagem sugere que a aplicada aluna Gleisi voltara ao seu Estado para desenhar sua candidatura contra o governador Beto Richa e o insistente e sempre “pedra no sapato” Requião.

Nosso vizinho de baixo, o Uruguai, ganha destaque com a intenção oficial de liberar de vez a maconha. O próprio presidente Mujica defende que a cannabis deve estar à disposição do povo uruguaio, o que ganhou a mídia mundial na ultima semana. Provável que a indústria do turismo latino americana dê uma bela impulsionada. Só que os nossos amigos uruguaios terão de investir pesado na construção de novos aeroportos, hotéis e, principalmente, mais chaminés. No mais, Veja reproduz os principais temas dos jornais sem qualquer novidade. Mesmo a falência do conhecido banco que operou o mensalão, o Rural, não recebeu tratamento diferenciado da periódica, que apenas montou um texto a toque de caixa só para não passar batida pelo assunto.

No começo de março, o Cristo Redentor reluziu na capa da Época, que exaltava o renascimento do Rio de Janeiro sem poupar elogios à cidade que “voltava a inspirar o Brasil”. Os confetes eram muito mais numerosos para o prefeito Eduardo Paes, mas a parte do governo do Estado era glorificada com as alegadas melhorias na segurança, transporte público a atração de empresas. Mas os tempos mudam, e agora, cinco meses, dezenas de protestos e uma vertiginosa queda de popularidade depois, a revista é obrigada a retratar o colapso da gestão Sérgio Cabral. Ainda que amena, a matéria enumera falhas e mancadas do governador, a começar pelas farras patrocinadas pelo dono da Delta, passando pelo uso e abuso de helicópteros oficiais e o isolamento político. Quem te viu, quem te vê. Época adota ainda o surrado expediente de bombar outro produto do grupo ao colocar na capa a “bicha má” Félix, o vilão da novela das 9, para personificar reportagem sobre a maldade humana. O texto recupera antigas teorias e casos de mentes sádicas, mas é inconsistente do ponto de vista científico e incapaz de trazer novas luzes à discussão. Embora a pauta não fosse de todo ruim, resta a sensação de barra forçada a pretexto de festejar o folhetim televisivo. Pobreza.

Na IstoÉ, a estratégia para a matéria de capa é outra, mas igualmente pré-histórica: superdimensionar um tema. A revista descobre que a melatonina, ou o “Super-Remédio”, nada mais que o hormônio natural de indução ao sono, ajuda a emagrecer, combate a diabetes, a enxaqueca e previne contra a calvície, o AVC e o mal de Alzheimer. Mais um pouco e curará o câncer, a aids e a deficiência intelectual. No mais, nova estocada no tucanato paulista com o rescaldo do caso do metrô, mais do mesmo sobre a crise PT-Dilma e o desperdício de uma boa pauta sobre o comedimento com gastos por parte de autoridades estrangeiras – em vez de apuração, pesquisa e comparações com valores, apelou-se a exemplos conhecidos e catados via Google como o papa Francisco, o Fusca 87 do uruguaio José Mujica e o metrô do inglês David Cameron. O melhor é a entrevista com Zeca Pagodinho, que apesar de figura carimbada na mídia, é sempre uma diversão. Desta vez, ele conta que espera passar engarrafamentos no primeiro boteco que encontra, que ganha mesada da mulher por não controlar o próprio dinheiro e ensina que às vezes precisa trocar a cerveja gelada por vinho durante os shows, porque com a luz quente, pode ficar sem voz. Gênio.

Abs a todos e que venha o mês do cachorro louco !!!!!!

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