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32 partidos políticos, e nomes ao léu “neztepaiz”

Artigo de Roberto Pompeu de Toledo publicado em edição impressa de VEJA

NOMES AO LÉU

Que há num nome?, pergunta Julieta a Romeu. Ela mesma responde: “O que chamamos rosa, mesmo com outro nome, teria o mesmo doce odor”.

Quem procurar o que há no nome dos partidos políticos brasileiros vai se perder numa sopa de umas poucas palavrinhas que, repetidas à exaustão, mais os confundem do que os singularizam.

Nos últimos quinze dias, o generoso sistema político brasileiro acolheu mais duas agremiações, uma com um nome comprido — Partido Republicano da Ordem Social (Pros) — e outra com um curto — Solidariedade. Uma terceira, que escolheu o nome exótico, para um partido, de Rede Sustentabilidade, foi reprovada.

Por que o Solidariedade, que apresentou assinaturas falsas no seu rol de apoiadores, recebeu a aprovação do Tribunal Superior Eleitoral, enquanto a Rede Sustentabilidade, de comprovada lisura, não o mereceu, é mistério fora do alcance do colunista.

Nosso tema será mais ligeiro e mais fútil, como convém a um universo pândego como o do sistema partidário brasileiro.

Com os dois nascidos nas últimas semanas, são 32 os partidos brasileiros. São muitos. Mas são poucas as palavras com que se identificam, cada qual usando uma combinação diferente das mesmas e surradas fórmulas “social/socialista”, “trabalhista/trabalhadores”, “democrata/democrático” ou “república/republicano”.

A família com maior número de ocorrências é a social/socialista — dez, variando dos conhecidos Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) e Partido Socialista Brasileiro aos nanicos Partido Social Democrata Cristão e Partido Social Liberal. Reconheçamos que “social” e “socialista” não apontam para a mesma coisa.

Mas reconheçamos também que, no caso brasileiro, nem todos os “socialistas” apontam para o socialismo, nem os “sociais” às políticas sociais, quando apontam para alguma coisa. Socialistas e sociais confundem-se no gosto pelo antepositivo soci-, tido como de miraculoso efeito junto ao eleitorado.

Vêm em seguida os partidos com “trabalhista/ trabalhadores“ no nome — oito, no total. “Dos trabalhadores” são dois — o PT e o PSTU. Este, além de ser dos trabalhadores, é socialista, e para culminar declara-se “unificado”.

A julgar pela quantidade de partidos “social/socialistas” e “trabalhistas/trabalhadores”, no entanto, é forçoso concluir que por enquanto a unificação pouco avançou. Os que se chamam de “trabalhista” são seis, dos mais conhecidos PTB e PDT ao PTdoB (Partido Trabalhista do Brasil) e PRTB (Partido Renovador Trabalhista Brasileiro).

Os trabalhadores do Brasil estão muito bem servidos. Têm ainda à disposição as variedades Trabalhista Cristão e Trabalhista Nacional, basta decifrar o que significam. Mas os democratas não ficam atrás — os partidos com democrata/democrático no nome são também seis — os veteranos PMDB, PSDB, PDT e DEM, o novato PSD do ex-prefeito Kassab e, por último, o menos cotado Partido Social Democrata Cristão, do ei-ei-ei Eymael, o sorridente cavalheiro que, entra eleição, sai eleição, bate seu ponto.

Quatro partidos apresentam-se com as palavras “república/republicano”, três com “nacional”, outros três com “cristão” e dois com “progressista”. Já conhecemos a receita. Pega-se um “trabalhista” aqui, um “social” ali, um “republicano” acolá, mistura-se bem, mexe-se, coa-se, acrescenta-se um “brasileiro” ou “nacional” a gosto e está batizado o partido. Raramente se vai além disso.

Os dois surgidos nos últimos dias, porém — reconheça-se —, de certa forma foram. O Solidariedade nem tanto, uma vez que apenas procura tirar vantagem em cima do famoso movimento polonês dos anos 1980, sendo que a distância entre um e outro é tão notável na dimensão histórica quanto na existente entre as figuras de Lech Walesa e do Paulinho que gosta de apelidar-se “da Força”.

Mais significativa é a contribuição do Partido Republicano da Ordem Social, o Pros, ao trazer a palavra “ordem” de volta ao quadro partidário. A última vez que ela se fez presente foi no Prona, o Partido da Reedificação da Ordem Nacional (nada menos do que isso), do falecido Enéas.

O Pros defende a “ordem social”. Talvez a “ordem” só tenha entrado para ajudar na sonoridade da sigla. Mas talvez o propósito seja mesmo cuidar da ordem social — um setor que andava negligenciado desde a extinção do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), de memorável atuação no Estado Novo e na ditadura militar.

1 Comentário

  1. Sergio Silvestre Responder

    Dizer frases shakeasperianas para explicar esse antro de partidos é desperdicio.
    O Pompeo até com certa dose de finesa,poderia falar em cheiro de peido,latrinas fetidas e casas de fornicação com olor agradavel dos suvacos sem lavar de trocentos politicos suados.
    O palavreado acima encaixa bem melhor quando falamos destes crápulas.

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