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Agora Roberto Carlos se diz favorável a biografias não autorizadas

De Fábio Grellet/Rio, O Estado de S. Paulo:

Mais famoso artista a recorrer a uma regra do Código Civil para proibir a comercialização de uma biografia não autorizada por ele, o cantor e compositor Roberto Carlos afirma agora que concorda com o projeto de lei que muda essa norma. Se for aprovado pelo Congresso Nacional, o projeto vai permitir a publicação de biografias sem necessidade de autorização da pessoa biografada. Questionado se é a favor ou contra o projeto, ele foi enfático: “Sou a favor”. A entrevista foi veiculada na noite de domingo pelo Fantástico, da TV Globo.

Em 2007, Roberto Carlos recorreu à Justiça para exigir a proibição da venda de sua biografia Roberto Carlos em Detalhes, escrita por Paulo Cesar de Araújo. Ele se baseou no artigo 20 do Código Civil, que prevê: “Salvo se autorizadas (…), a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento e sem prejuízo da indenização que couber, se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se se destinarem a fins comerciais”. Roberto Carlos foi atendido pela Justiça, e o livro está fora do mercado até hoje.

Questionado durante a entrevista se atualmente liberaria a publicação do livro, Roberto impôs condições: “Isso tem que ser discutido”. “Há algum tempo, para a gente proteger o direito à privacidade, só existia uma forma: não permitir uma biografia não autorizada”, disse. “O biógrafo pesquisa uma história que está feita pelo biografado. Ele não cria uma história, (ele) narra aquela história que não é dele, que é do biografado, mas a partir de quando escreve, ele passa a ser dono daquela história. Isso não é certo”, afirmou o cantor.

Segundo ele, caso o autor da biografia faça afirmações mentirosas, a reparação posterior feita pela Justiça “não funciona”. “O resultado é um pouco tardio. Todo mundo já leu, já viu”, disse.

Roberto defendeu que seja criada uma lei mais flexível sobre as biografias. “(Que permita a publicação) sem autorização, porém com certos ajustes”, afirmou. O músico não esclareceu quais seriam esses “ajustes”: “Isso tem que se discutir, são muitas coisas, tem que haver um equilíbrio. Que não fira a liberdade de expressão nem o direito à privacidade”.

Roberto Carlos anunciou também que ele próprio está gravando depoimentos sobre sua vida para serem usados em uma biografia. “Vou contar tudo o que eu acho que tem sentido contar em relação ao que vivi”, afirmou. Questionado sobre quem daria a forma final ao livro, ele respondeu: “Eu”. No entanto, Roberto estaria procurando um escritor, segundo afirmou a TV Globo.

O cantor disse que em sua biografia vai narrar o acidente que sofreu quando ainda era criança e morava em Cachoeiro de Itapemirim (ES), sua cidade natal. Atropelado por um trem, ele perdeu parte da perna direita. Roberto teria se aborrecido com a narração dessa história por Paulo Cesar de Araújo e por isso teria proibido a obra. Ontem, Roberto negou que esse tema seja tabu e disse que vai descrevê-lo. “Só eu sei o que senti”, disse.

Além do projeto de lei, em trâmite no Congresso Nacional, a proibição da publicação de biografias não autorizadas também é discutida na Justiça. Em 2011, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros impetrou uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) no Supremo Tribunal Federal contra o artigo 20 do Código Civil. Biógrafos e editores evocam a liberdade de expressão para justificar a mudança dessa regra.

A polêmica aumentou nas últimas semanas, depois que a empresária Paula Lavigne, ex-mulher de Caetano Veloso, anunciou a existência de um grupo de músicos que tentam barrar mudanças na lei. O “Procure Saber” é composto por Gilberto Gil, Caetano Veloso, Milton Nascimento, Chico Buarque, Marisa Monte, Djavan, Erasmo Carlos e, segundo o próprio grupo, também por Roberto Carlos. Na entrevista exibida ontem, porém, ele defendeu posição diferente daquela anunciada pelos colegas.

Até a noite de ontem, o “Procure Saber” não havia se manifestado sobre a entrevista de Roberto Carlos.

6 Comentários

  1. Doutor Prolegômeno Responder

    Nossas primas-donas não querem ser criticadas, nem satirizadas, nem historiadas. Querem apenas o aplauso incondicional e os direitos autorais milionários para viajarem tranquilos em seus iates e aviões particulares. Para nós, que damos duro, resta tomar um Dreher.

  2. antonio carlos Responder

    O rei da jovem guarda defende o direito de publicar biografias e, como ele mesmo disse, está gravando videoteipes sobre a vida dele. É assim que o rei entende ser uma biografia. Isto não é biografia, é autobiografia, aí não há de quem reclamar, porque ninguém é idiota de falar mal de si mesmo.

  3. Não é bem assim! Sou a favor mas “temos que conversar”….
    È a grana por trás de tudo. O que é legítimo!

  4. Esta ai, uma figura que se acha acima de todos, o Rei da cocada, o dono do pedaço. Uma certa emissora fez dele um Rei, ele adorou, parte do povo povo acreditou, e temos que aguentar essa mala sem alça. Vexatório toda vez que essa figura abre sua boca…

  5. NARIZ DE FOLHA Responder

    RECUOU SÓ DEPOIS DAS PAULADAS QUE ELE LEVOU NOS FECEBOOK DA VIDA.

    O “ESSE CARA”, NÃO É MAIS O RC.

  6. E tem idiota que compra e pede autografo!
    Essas ideias poderiam ser estendidas aos nossos “curriculum vitae”.

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