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O feitiço contra
o feiticeiro

Do Ferreira Gullar:

Sinceramente, você acha que Lula contava com tamanho descontentamento popular, após dez anos de governo petista?

Acredito que não. Pelo menos, é o que poderia deduzir dos tantos discursos que fez, quando presidente da República, e que foram repetidos depois por sua substituta, Dilma Rousseff, pelos ministros de ambos os governos e pelos dirigentes petistas. O Brasil nunca antes, em tempo algum, foi tão feliz. Por isso mesmo, insistem em fazer de conta que o descontentamento, que se manifesta todos os dias nas ruas, não tem nada a ver com eles.

Mas tudo tem limite. Por isso mesmo, Lula, esperto como é, veio a público dizer que, quando líder sindical, nunca participou de vandalismos. É verdade. Mas o problema maior, para ele, não é o vandalismo, que todo mundo condena.

O que é mais preocupante, para o governo, nessas manifestações, pelo que reivindicam e pelo que denunciam, é a demonstração de que algo deu errado nos governos petistas, que vieram para contentar os trabalhadores e o povão.

Não resta dúvida de que Lula, ao ampliar o assistencialismo com o Bolsa Família, ao aumentar o salário mínimo e tomar medidas estimuladoras do consumo, possibilitou a ascensão de um amplo número de pessoas a condições de vida um pouco melhores.

Esse fato teve reflexo positivo na vida econômica –mas no quadro social do país, como advertiram os economistas, tratava-se de uma melhoria momentânea, incapaz de ampliar-se e mesmo sustentar-se por muito tempo. É que os investimentos imprescindíveis em setores estruturais, de que depende o crescimento econômico efetivo, não foram feitos, certamente porque não trariam consigo o mesmo apelo eleitoral. Essa é uma característica do populismo, coisa antiga no Brasil.

A preocupação em conquistar o eleitor –e especialmente o eleitor mais carente e menos informado dos problemas do país– foi desde o início a marca do governo petista. E não por acaso. Todos se lembram da declaração de José Dirceu, dada naquela época, garantindo que o PT ficaria no governo por 20 anos, pelo menos.

Dez anos, ele já ficou; quanto aos outros dez, pelo que se vê agora, restam sérias dúvidas. Mas, por isso mesmo, a preocupação essencial do governo Dilma é a mesma que a do governo Lula, mas com algumas concessões que foi obrigada a fazer, como privatizar aeroportos e, agora, permitir a participação de empresas privadas estrangeiras no leilão do campo de Libra.

Por suas raízes ideológicas, o PT nasceu sonhando com uma revolução do tipo cubana no Brasil e, consequentemente, contra o capitalismo. Foi difícil manter-se nessa posição, com as mudanças ocorridas no mundo, após queda do Muro de Berlim.

O radicalismo petista –que o levara a negar-se a assinar esta nova Constituição que está em vigor– amainou-se após as sucessivas derrotas de Lula como candidato à Presidência da República. Ele obrigou o partido a recuar e passar a falar mais manso. Graças a isso, foi eleito e passou a viver um dilema: se se mantivesse esquerdista, não governaria. De qualquer modo, abraçava Bush e fazia questão de mostrar que sua verdadeira simpatia para Ahmadinejad.

Aqui dentro, a coisa era mais complicada: como privatizar os aeroportos se sempre condenara as privatizações? Mas tinha de fazê-lo e passou, então, a chamar as privatizações de “concessões” e pôr nelas exigências que as inviabilizavam. Agora, teve que recuar. Por outro lado, restava-lhe o caminho ambíguo do populismo chavista. E assim ampliou em vários milhões os beneficiados pelo Bolsa Família e financiou o consumismo das faixas mais pobres.

Sucede que, no Brasil, há muito mais necessitados do que Lula pensava e todos passaram a querer também bolsa, casa, geladeira, fogão, televisão de graça. Por outro lado, a economia exige que o Estado se abra à iniciativa privada. Ou faz isso, ou o país para de crescer. Aliás, já há quem preveja, para breve, crescimento zero.

Assim, Dilma abriu o leilão de Libra a empresas estrangeiras, o que foi certo, mas os operários do petróleo não pensam assim; pensam como Lula lhes ensinou: privatizar a exploração do petróleo é trair a pátria. Com essa ele não contava.

11 Comentários

  1. Numa coisa Dirceu errou em suas previsões: o PT não ficará no poder por 20 anos, e sim por no MÍNIMO 24 anos seguidos! 8 de Lula; 8 de Dilma; e 8 de Lula. O povinho gostcha desse tipo de governo, sem ética, amoral, pois identificou-se com ele!

  2. PEDROCA DO TEXAS Responder

    Está engolindo o próprio veneno o PTismo. Agora,um pouco tarde ,mas viram que o ESTADO é um leão muito pesado.Tem que dar para a iniciativa privada aquilo que não é essencial, é só assim que o país vai voltar a crescer. Ficar dando o peixe na mesa de todos não resolve.Tem que ensinar a pescar.

  3. É verdade. Este partido é tem a filosofia dos dois pesos e duas medidas, O pior é que você vai numa comunidade carente percebe que eles continuam na miséria, em habitações precárias, sem saneamento e as pessoas na maioria vivem de bicos, não estudam e não produzem e nem contribuem mas, quando se entra dentro das casas lá tem tudo. Televisões modernas, geladeiras, maquina de lavar, muitas roupas, celular, maquiagem, tudo que o consumismo pode comprar. Quer dizer a classe miserável não produz mas, gasta muito!!!! Pergunto se isso é sair da miséria e da pobreza!! Tudo isso é momentâneo. Passando o PT eles voltam a ser miseráveis e não conseguir comprar nada. Daí volta a violência e a revolta porque a pessoa se sente excluída se os outros tem coisas e eles não. O que resolve a miséria é dar oportunidades para as pessoas se prepararem para o trabalho e dar estudo para eles poderem de fato ter vida digna.

  4. marisley souza Responder

    QUEREM PROVA MAIOR: nem ele nem a poste participam de
    solenidades abertas…somente em pequenos auditórios com
    audiência ‘previamente selecionada’!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  5. Pode até ser verdade … duvido muito… Mas e de atoterrirista … morte assassinato sequestr roubo…. e no governo dessse cara …. quantos ministros … ladrões… mensalão… et caterva.

  6. O petismo só tem uma ideologia – ficar no poder para refestelar-se. Para isso arranjam qualquer pretexto, sobretudo os inconfessáveis. Eles sabem que o povo, com o analfabetismo imperante, colabora.

  7. O grave problema é NÃO temos partidos preparados para conduzir a nação. como ficará o Brasil no cenário mundial….os desafios de superar a crise mundial desemprego e a concorrência dos emergentes. Voltamos aos 2 dígitos da SELIC, os banqueiros vibram de felicidade. Em 10 anos o Brasil estagnado em termos de reformas os estados endividados alta carga tributária.
    Não temos portos, aeroportos, estradas….há uma inércia generalizada. TEREMOS NOVAMENTE DE ENGOLIR ESSA CORJA DE MENSALEIROS.

  8. Quer saber! nem Sigmundo Freud explica.como ele mesmo dizia:
    Somos feito de carne, mas temos de viver como se fossemos de ferro.Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada.O difícil é suportar quando descobrir que foi enganada, aí está o povo nas ruas.

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