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PCdoB em seu 13º Congresso

Por Théa Rodrigues, da redação do Vermelho

Nesta tarde desta quinta-feira (14), após a cerimônia de abertura do 13º Congresso do PCdoB, com informe especial do presidente do partido, Renato Rabelo, deu-se início ao debate das teses por meio das intervenções dos delegados, representantes dos comitês dos seus estados e membros da direção política nacional.

Antes das exposições, as delegações internacionais, que participaram pela manhã da continuação do Seminário Internacional do 13º Congresso do PCdoB, foram apresentadas ao público presente. Em uníssono, os delegados nacionais e estrangeiros entoaram o hino da Internacional Comunista em um momento simbólico e emblemático.

“Avançar nas mudanças” é o objetivo principal das exposições apresentadas no púlpito do Palácio de Convenções do Anhembi, em São Paulo, sede temporária da luta comunista neste momento de celebração do congresso. Tendo isso em vista, os delegados expuseram suas considerações em relação aos 10 anos dos governos democráticos de Lula e Dilma, bem como a atualização da perspectiva para o Brasil. Também abordaram a construção do partido nesta realidade inédita e as diretrizes para seu fortalecimento.

A deputada estadual Angela Albino (PCdoB-SC) foi a primeira a apresentar-se e iniciou seu discurso citando João Amazonas, principal ideólogo do PCdoB, que falava sobre “a encruzilhada histórica”. Segunda ela, “a encruzilhada que se coloca agora é se ficaremos contemplativos, longe da luta real, ou se reforçamos a dura batalha da luta institucional e dos movimentos sociais”. Angela falou da importância da integração de ambas as frentes: “não há contradição entre as frentes de massa e a institucional”.

A deputada disse ainda que os comunistas reconhecem o caráter estratégico da necessidade de “defender o legado destes dois governos [Lula e Dilma], que são filhos legítimos paridos das entranhas da luta do povo brasileiro”.

Edson França, presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), também falou sobre a experiência histórica destes dez anos das forças progressistas na presidência da República. Dentre as conquistas históricas do período, o militante defendeu as cotas: “pudemos, através delas, incluir negros e pobres nas universidades públicas e atuar contra a desigualdade no Brasil”.

O presidente da Unegro comemorou ainda a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, “a mais completa legislação do mundo em relação à promoção social de populações racialmente descriminadas”.

França destacou, portanto, os avanços nas questões raciais, “apesar da dura resistência conservadora sintetizada na voz da oligarquia midiática, representada pela revista Veja, Folha de S. Paulo, Estadão e TV Globo”.

O problema do monopólio da grande imprensa é um dos motivos que leva o PCdoB a defender a democratização da mídia, uma luta que trava já há algum tempo por meio do Centro de Estudos da Mídia Alternativa – Barão de Itararé. E foi sobre isso que falou Altamiro Borges, presidente do centro, em sua interferência no congresso comunista.

“Todos aqui de uma forma ou de outra criticam a mídia como principal partido da direita brasileira”, disse o camarada, que considera “insuficiente” os esforços do governo pela democratização. Ainda de acordo com ele, “a mídia já definiu um eixo de atuação contra o governo da presidenta Dilma Rousseff: a economia”.

Por outro lado, Altamiro Borges comemorou os avanços em relação ao Marco Civil da Internet, que, segundo ele, só se tornou prioridade “após as denúncias de espionagem norte-americana contra o governo do nosso país”.

Este é outro ponto importante que foi tocado por grande parte dos delegados internacionais e não seria diferente com os nacionais: a ingerência norte-americana escancarada por seus escândalos de espionagem global. Trata-se apenas da ponta do iceberg em relação às tendências da crise estrutural e sistêmica do capitalismo e do imperialismo. O mundo está em transição e, como lembrou o presidente Renato Rabelo, durante a abertura, há uma nova direção da luta pelo socialismo.

Socorro Gomes, membro do Comitê Central e presidenta do Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos e Luta pela Paz e do Conselho Mundial da Paz, citando Karl Marx (1818-1883), lembrou que a essência do capitalismo é transformar tudo em mercadoria. Ela também se referiu a Vladimir Lênin (1870-1924), que dizia que o imperialismo é a última etapa do capitalismo, “é a truculência e a opressão”.

Segundo Socorro, o imperialismo utiliza-se de qualquer desculpa para invadir e destruir um país, em prol de seus interesses. Ela demonstrou preocupação com a atual conjuntura, porque “em crise, o capitalismo se torna ainda mais perigoso”. Ressaltou, portanto, a importância do partido manter a luta anti-imperialista, a solidariedade e busca pela paz, que são características do internacionalismo do PCdoB. “A luta pela paz é revolucionária”, afirmou.

O debate das teses do 13º Congresso do PCdoB continua nesta sexta-feira (15). Após as apresentações dos delegados, haverá um ato político que contará com a presença da presidenta Dilma Rousseff, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entre representantes político-partidários e lideranças de movimentos sociais.

Compuseram a mesa dirigente do primeiro dia de debates das teses: Renato Rabelo, Adilson Araújo, Alice Portugal, Altamiro Borges, Ana Rocha, Ângela Guimarães, Carlin Moura, Dalva Stela, Daniel Almeida, Daniel Iliescu, Vanessa Graziottin, Jô Moraes, João Batista Lemos, Leila Márcia, Luciana Santos, Manuela D’Ávila, Marcio Jerry, Nagyla Drumond, Nivaldo Santana, Olgamir Amância, Orlando Silva Jr., Pérpetua Almeida, Renan Thiago Alencar, Ronald Freitas e Virgínia Barros.

Nos últimos 10 anos o PCdoB firmou-se no cenário nacional como um dos partidos brasileiros que mais cresceu “tanto na esfera organizativa quanto eleitoral”. Atualmente, registra 340 mil filiados e mais de 110 mil militantes. O Partido se estrutura em mais de 2,3 mil municípios nos 26 estados do Brasil e no Distrito Federal.

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