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O que fez a balança comercial ter rombo recorde

Da Miriam Leitão

O resultado da balança comercial de janeiro veio pior do que a AEB (Associação de Comércio Exterior do Brasil) tinha imaginado. O déficit de US$ 4,057 bilhões é o maior já registrado pelo país. A associação previa, no máximo, um déficit de US$ 2 bi. E não dá para culpar a Argentina, diz José Augusto de Castro, presidente da AEB, porque com ela tivemos superávit de US$ 226 milhões, 83,7% mais alto do que em janeiro de 2013.

No mês passado, as exportações somaram US$ 16,027 bi e as importações, US$ 20,084 bi. Em ambos os casos, representam uma alta de 0,4% em relação a janeiro do ano passado. Na comparação com dezembro, no entanto, as importações cresceram 5,4%; e as exportações caíram 26,6%.
As vendas para a Argentina, que passa por uma crise cambial, caíram 13,7% em relação a janeiro do ano passado, mas tivemos superávit, pois nossas importações caíram ainda mais, 26,1%. As vendas para o Mercosul como um todo diminuíram 6,2% e para a União Europeia, 5%. Aumentaram, no entanto, as exportações para a China (27,7%) e EUA (11,4%).
Castro explica que as exportações de produtos manufaturados caíram 2,6% e de semimanufaturados, 5,8%, enquanto a de produtos básicos cresceram 5,3%, puxadas por petróleo, minério de ferro e farelo de soja.
Segundo a AEB, as vendas de automóveis despencaram 27,4% em janeiro; de autopeças, 27%; de veículos de carga, 19,9%; de motores para automóveis, 4,7%, itens que vão, principalmente, para a Argentina.
Castro destaca o aumento forte das importações de alguns itens, como vestuário (23,7%), máquinas e aparelhos de uso doméstico (48,2%) e móveis (46,1%).
– Pode ser antecipação de importação para garantir uma taxa de câmbio – diz.
O resultado da balança comercial poderia ter sido ainda pior, de acordo com ele, se não tivessemos tido superávit com Argentina e se tivessemos contabilizado este ano as importações de petróleo de 2013, como já ocorreu. Além disso, o minério de ferro jogou a favor, com aumento de preço em janeiro.
– Ou seja, não tem penduricalhos de 2013, é só 2014 mesmo.
Para este ano, a AEB prevê que a balança comercial fechará com superávit de US$ 7,2 bi, mas pretende revisar este número por causa da Argentina, que deve comprar menos.

1 Comentário

  1. antonio carlos Responder

    O nosso problema é que quem compra produtos com melhor valor agregado não está comprando. E quem compra está só comprando commodities, China e EUA. E este DesGoverno insiste em atrapalhar o agronegócio.

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