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Presidiário Natan Donadon pode retornar à tribuna da Câmara hoje

Do Josias de Souza:

A cena registrada no vídeo acima talvez seja reprisada nesta quarta-feira na sessão noturna da Câmara. Pela segunda vez em sua história, a Casa dos representantes do povo pode assistir ao discurso de um presidiário. Vai a voto um segundo pedido de cassação de Natan Donadon (ex-PMDB-RO).

Na primeira votação, em 28 de agosto de 2013, os deputados se autocondenaram a reviver esse vexame. Podendo promover o sepultamento definitivo do cadáver político, os colegas de Donadon preferiram se matar. A cassação do preso exigia pelo menos 257 votos.

“A Câmara não vai cometer hara-kiri político”, dizia naquela noite um otimista Chico Alencar (PSOL-RJ). Abertos os votos, o resultado materializou o impensável: ‘sim’, 233 votos; ‘não’’, 131. ‘Abstenção’, 41. A Câmara, que sempre tivera um comportamento de alto risco, dessa vez optara acabara por cometer suicídio.

Donadon não tem a fama dos colegas de cárcere José Genoino e João Paulo Cunha. Mas revelou-se mais destemido do que os revolucionários de grife do PT. Condenado a 13 anos de cadeia por formação de quadrilha e desvio de R$ 8 milhões da Assembleia Legislativa de Rondônica, ele se recusou a sair pela porta dos fundos da renúncia.

Sacramentado o vexame de cinco meses atrás, Donadon ergueu aos mãos para o alto em oração. O preso é um cristão fervoroso. Atrás da última fileira de poltronas, festejou a morte do plenário como um renascimento pessoal. Depois, foi reconduzido ao camburão. Algemado, voltou para o xadrez.

A Vara de Execuções Penais de Brasília autorizou Donadon a comparecer à Câmara novamente. Mas ele não confirmou à direção da Câmara se dará as caras. Optou pelo suspense depois que o presidente da Casa, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) indeferiu seu pedido para que a votação fosse fechada.

Será o primeiro pedido de cassação a ser votado depois da promulgação da emenda constitucional que tornou abertas as votações. Imagina-se que, sob holofotes, os deputados não se arriscarão a protagonizar um novo desastre. Ainda assim, receando a falta de quórum, Henrique Alves rogou ao plenário, nesta terça (11): “Não faltem! Quero informar da sessão para que ninguém agende viagem.”

Uma eventual fuga em massa dos deputados resultaria na reedição do desastre. Daí o apelo do do presidente da Câmara. A maioria dos deputados torce para que Donadon não compareça. Se comparecer, que não discurse. Se discursar, que renuncie. Henrique Alves avisou: com ou sem renúncia, a cassação será votada.

A sensatez recomenda aos deputados que aprovem a cassação de Donadon por unanimidade. Mas a Câmara, você sabe, não perde oportunidade para dar razão a todos os que esperam que o Legislativo faça o pior o melhor que pode. Se você quiser assistirar, a TV Câmara transmitirá a sessão a partir de 19h. Na dúvida, tire as crianças da sala.

2 Comentários

  1. Doutor Prolegômeno Reply

    O Brasil é uma pândega. Imagine o que pensam os estrangeiros de um deputado presidiário. Algo assim como um sujeito com pijama listrado e uma bola de ferro no pé, discursando no plenário da Câmara Federal. Coisa surreal, coisas do Brasil, um país onde nem papel higiênico rasga no picote…

  2. Por isto mesmo que o voto tem que ser aberto. É necessário divul-
    gar os caras que votam na escuridão para foder com o povo !!!

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