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Greve de ônibus atinge 100% da frota em Curitiba

guadalupe

Da Banda B:

Não há um ônibus sequer circulando em Curitiba e região nesta sexta-feira (27). Depois de cobradores cruzarem os braços ontem, hoje, os motoristas também não estão trabalhando.Às 10h30 de hoje o Prefeito Gustavo Fruet (PDT) afirmou em seu perfil na rede social Facebook que a justiça determinou a volta imediata ao trabalho dos motoristas e cobradores. “A Justiça do Trabalho acaba de determinar que Sindimoc e Setransp – coloquem em circulação 100% da frota com 50% de cobradores em terminais, ônibus e estações-tubo sob pena de multa diária de R$ 30 mil”, afirmou o prefeito. Resta saber agora se a medida será cumprida.

As empresas alegam que deixaram os portões das garagens abertos, porém, piquetes organizados pelo Sindicato dos Motoristas e Cobradores (Sindimoc) não estariam deixando ninguém sair. Já os representantes do sindicato dizem que os empresários não permitiram a saída dos motoristas porque a greve dos cobradores continua e o prejuízo da catraca livre deveria continuar hoje. A Urbs admitiu que a greve atinge 100% dos ônibus.

Diante dessa guerra de versões, o fato é que cerca de 2 milhões de passageiros estão sem transporte hoje. Na madrugada, a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho, Ana Carolina Zaina, reconheceu a legalidade da greve dos cobradores, já que houve indicativo da paralisação e a população não foi prejudicada. As 13h30 uma nova reunião no TRT entre Urbs, Comec, empresas e trabalhadores deve tentar por fim ao movimento.

Nas ruas, os trabalhadores protestam contra a falta de ônibus. “Até ontem quem mandava em Curitiba era a Fifa, hoje é a Urbs? Eles têm direito de lutar pelos seus direitos e nós não podemos ficar sem ter como ir e vir”, disse a vendedora Nadir Zeta, que aguardava transporte hoje cedo no Terminal Boqueirão.

“Até quando vamos ficar nas mãos de motoristas e cobradores? Já teve greve esses dias e olha a gente aqui de novo sem ônibus. Não sei o que vou fazer, mas tenho que chegar no meu trabalho hoje”, protestou o pedreiro José Zilioto.

A Urbs, desde cedo, já começou a cadastrar vans e carros particulares para circulação hoje. O preço máximo da passagem é R$ 5,00. O cadastro está sendo feito na Rodoferroviária.

Ontem, na greve dos cobradores, os ônibus circularem sem a cobrança da passagem. O prejuízo, segundo a Urbs, chegou a R$ 2,5 milhões. Pelo twitter, o prefeito Gustavo Fruet reafirmou que não seria possível sustentar a circulação dos ônibus sem cobrança da passagem nesta sexta-feira, o que já indicava uma paralisação total.

Em nota, a Urbs lamentou a paralisação. ” A Urbs diz que “o alto custo da operação impede a manutenção do serviço com catraca livre pelo segundo dia consecutivo.”

Coletiva

Ontem, o presidente do Sindicato dos Motoristas e Cobradores de Ônibus de Curitiba e região metropolitana (Sindimoc), Anderson Teixeira, repudiou as declarações da Urbs e do sindicato das empresas (Setransp) de que a greve dos cobradores seria ilegal. De acordo com ele, duas decisões liminares mostram que a justiça negou por duas vezes os pedidos dos patrões e confirmou a legitimidade do movimento.

“Temos todos os amparos jurídicos para manter o movimento e os trabalhadores lamentam essas notas da Urbs e da Setransp. Há mais de 20 anos temos trabalhadores em situação análoga escrava nas estações tubo e nada é feito. Não queríamos uma nota de repúdio e sim uma proposta a ser avaliada”, afirmou.

Segundo Teixeira, o objetivo dos trabalhadores não é prejudicar a população e sim exigir os seus direitos. “Queremos dignidade e respeito, que falta hoje no transporte coletivo de Curitiba. Neste momento 100% da frota está rodando por parte dos trabalhadores e cobradores que não quiseram aderir a greve também exercem suas funções normalmente”, comentou.

Sem acordo

Na quarta-feira, não houve acordo na reunião no Tribunal regional do trabalho entre Sindimoc, Urbs, Comec e empresas do setor. Ficou acertada uma nova reunião para sexta-feira (27), porém, com a deflagração da greve, este encontro poderá ser antecipado.

A audiência trouxe à tona diversos pontos da pauta de reivindicações dos trabalhadores, a exemplo da devolução dos valores descontados pelos dias de paralisação na última greve, o fim do assédio moral caracterizado pelas ameaças de punições, o uso de bermudas em dias quentes, a interrupção do desconto dos salários em razão da raspagem de pneus em calçadas, a concessão de vale-cultura e passes livres, a consulta aos trabalhadores nas alterações das escalas de trabalho, a concessão de um kit inverno (peças de vestuário para suportar as baixas temperaturas) e a adoção de medidas para minimizar as más condições de trabalho nas estações-tubo, entre outras solicitações.

Em relação às estações-tubo, alvos de frequentes reclamações, ficou decidido que a Urbanização de Curitiba (URBS) juntará ao processo, em 10 dias, um cronograma de trabalho para implantação de mantas térmicas nos tetos das estações e de banheiros químicos para uso dos trabalhadores, além da apresentação de projeto de estações-modelo, dotadas de estrutura capaz de garantir condições dignas de trabalho aos cobradores durante suas jornadas. A URBS se comprometeu ainda a reparar, no prazo de 60 dias, todas as estações que estão sem as portas ou com as mesmas danificadas.

Outro ponto de discussão foi a possibilidade de criação de uma comissão de trabalhadores, com indicação de representantes sindicais, para acompanhar os processos de aplicação de punição disciplinar pelas empresas de transporte.

A desembargadora Ana Carolina Zaina apresentou proposta inicial de conciliação contemplando toda a pauta de reivindicações dos motoristas e cobradores. Entre as sugestões apresentadas pelo Juízo estão a devolução dos valores indevidamente descontados em razão dos dias de paralisação da greve anterior, a necessidade de comunicação ao sindicato e a concessão de prazo para defesa quando houver punição aos trabalhadores, a criação de comissão com representação sindical para avaliar as questões de assédio moral e o não desconto nos salários de valores de multas aplicadas pela URBS e daqueles relacionados à raspagem de pneus em calçadas.

3 Comentários

  1. HIPOCRISIA !!! Responder

    NO DIA DE JOGO, PARA POSAR DE “GATINHO”, BOM GESTOR, OS ONIBUS VÃO PARA A RUA COM CATRACA LIVRE…

    AGORA PASSADO O JOGO, SEM OS HOLOFOTES DA MIDIA, COMO FICA A POPULAÇÃO???

    PORQUE OS ONIBUS NÃO FORAM PARA A RUA, A DISPOSIÇÃO DO TRABALHADOR COMO ONTEM???

    SOMENTE UMA RESPOSTA; “- HIPOCRISIA !!!”

  2. Doutor Prolegômeno Responder

    Sob a égide negra e nefanda da era lulopetista o peleguismo sindical laboral-patronal (movido a contribuição compulsória arrancada dos trabalhadores e empresários) faz a população refém dos caprichos e das safardanagens políticas e das conveniências do momento. Quem sofre é o populacho que faz papel de palhaço e é espezinhado e humilhado e ainda terá de pagar a conta da vagabundagem sindical.

  3. Já estamos fartos dessas greves, quem sofre com isso somos nós os trabalhadores. (Sempre pagando a conta de alguma maneira)

    Manda esses motoristas e cobradores embora, e pega outros.

    Tem vários profissionais querendo uma chance (um emprego), tudo nesta vida tem limite.

    Estamos muito cansados disso, começa campanha política e essas coisas começam a acontecer direto, tem partidos e sindicalistas por trás disso.

    Greve de tudo…… acho que os trabalhadores tem este direito da greve (reivindicação por condições e salários melhores), porém, já passou da conta.

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