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É preciso jogar luz no aumento da Copel

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Rosana Felix, Gazeta do Povo

Para quem acompanha minimamente o noticiário, a autorização para o reajuste médio de 35% na tarifa elétrica da Copel não foi nenhuma surpresa. O que causa espanto mesmo é a verborragia dos governantes a respeito do assunto – não se sabe se fruto de ingenuidade, desconhecimento ou mesmo má-fé.

O conjunto de reportagens e análises sobre o assunto é vasto, mas, por conta do espaço, vamos nos ater apenas a acontecimentos recentes.

Em primeiro lugar, o fato é que partiu da companhia o pedido de aumento médio de 32%. As planilhas foram encaminhadas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) no fim de maio. No início daquele mês, já era sabido que o reajuste seria bem salgado. Isso porque o custo médio da energia adquirida em leilões pela Copel dobrou, e a diferença teria de ser cobrada do consumidor. Tudo isso foi noticiado amplamente pela Gazeta do Povo e outros jornais.

O próprio governo do estado já sinalizava para a necessidade de reajuste. Em texto publicado em 15 de maio no site oficial de notícias, havia a informação de que “a Copel Distribuição está pagando um custo elevado de compra de energia para ser fornecida ao consumidor paranaense”.

Segundo ponto: de quem é a responsabilidade pelo reajuste? Essa resposta é mais complexa, mas, de forma resumida, tanto o governo federal quanto o governo estadual têm sua parcela de responsabilidade, assim como a administração da Copel.

É verdade que o custo da energia no Brasil aumentou muito nos últimos meses por decisões equivocadas da gestão de Dilma Rousseff. Em janeiro de 2013, quando o governo federal decidiu que iria reduzir a tarifa de energia para o consumidor, esqueceu-se de combinar com São Pedro. Como nosso sistema hídrico ficou à míngua pelo baixo volume de chuvas, tivemos que recorrer às termelétricas, que têm custo de operação elevado.

Mas parte dos problemas de hoje decorre das reestruturações do setor elétrico implantadas pelos ex-presidentes FHC e Lula, em 1995 e 2004, respectivamente. Não sou especialista, mas dou todo crédito à análise feita pelo Instituto de Desenvolvimento Estratégico do Setor Energético (Ilumina): além dos erros de política energética, há problemas na modelagem. Segundo o Ilumina, mesmo que a distribuição de chuvas sobre as hidrelétricas brasileiras tivesse sido regular e positiva, os custos do sistema aumentariam. É como um “defeito genético” que irá persistir independentemente de quem sentar na cadeira da Presidência da República – a não ser que sejam feitas alterações na regulamentação.

Lucro e prejuízo

O modelo vigente determinou a separação das empresas de geração e distribuição. Assim, a companhia paranaense tem as subsidiárias Copel Geração e Transmissão e a Copel Distribuição, entre outras. A Copel Geração produz e vende energia em leilões; graças às decisões de Dilma Rousseff, essa subsidiária teve lucro líquido de R$ 431,6 milhões no primeiro trimestre de 2014. Por outro lado, a Copel Distribuição, que precisa comprar energia nos leilões, teve um prejuízo de R$ 14,6 milhões no mesmo período.

No balanço final, o saldo é positivo – para os acionistas. O lucro líquido da Copel no primeiro trimestre foi de R$ 583 milhões, um recorde. Pelas regras atuais, aproximadamente 50% disso vira investimento dentro da própria empresa; a outra metade é distribuída entre os acionistas.

O ponto é: se o governador Beto Richa diz que “não aceita” o reajuste pedido pela Copel e homologado pela Aneel, também não deveria aceitar o lucro recorde de R$ 583 milhões da estatal, pois as duas situações são fruto do mesmo modelo energético vigente no país.

Obviamente, o ideal seria que os políticos e gestores sentassem juntos e discutissem alternativas ao modelo atual, que está se mostrando insustentável.

5 Comentários

  1. Sociedade Responde Responder

    Diz a reportagem: “É verdade que o custo da energia no Brasil aumentou muito nos últimos meses por decisões equivocadas da gestão de Dilma Rousseff”. ** Decisões populistas e eleitoreiras, por isso equivocada. Ou seja, para fazer média com o povão, cujo custo de vida não está fácil, dona Dilma mandou baixar o preço da energia, em patamares muito elevados, mesmo sabendo que mais tarde iria pesar no bolso do brasileiro. ** Só não esperava que a bananosa estourasse ainda antes das eleições, não é mesmo? ** Continua a reportagem: “Em janeiro de 2013, quando o governo federal decidiu que iria reduzir a tarifa de energia para o consumidor, esqueceu-se de combinar com São Pedro” ** Obviamente que esse tipo de tarifa não se reduz! E, pior, nos índices em que foi feito. ** O ideal era aumento menor na tarifa, do que descontos exagerados que trazem riscos para as próprias empresas. ** Mas, o aumento menor de tarifa não dá impacto, não cria expectativa no povo e, portanto, não dá aos “interessados populistas” o retorno que esperam, principalmente na boca da urna. ** Isso quando o tiro não sai pela culatra e dá no que está dando: prejuízo para o bolso do consumidor, e desrespeito do governo federal com a política pública que deveria trabalhar a favor do cidadão e não contra ele. ** Com os aumentos acima do aceitável em vários estados brasileiros, ficará quase que proibitivo pagar a tarifa de luz. ** O que vale dizer que muita gente terá, inevitavelmente, cortes mais frequentes de energia elétrica. E a culpa é, sim, do governo federal e suas medidas tresloucadas.

  2. O que não me causa nenhuma surpresa dos governantes em
    todas as esferas e principalmente a federal é de concordar
    com este aumento abusivo de 35 % da tarifa elétrica.
    Nenhum salário teve este padrão de aumento desde o início
    do plano real. Os políticos e todos os governantes que defen-
    dem a estabilidade inflacionária do nosso país deveraim ser
    mortos em praça pública. ISTO É UM VERGONHA !!!!!!!!

  3. Este aumento consumado da energia elétrica é o início de um efeito
    cascata que vai ocorrer em todos os produtos que consumimos.
    O setor produtivo vai ficar inviabilizado por esta medida. Resta sa-
    ber se o povão ainda acredita neste governo maldito.

  4. Doutor Prolegômeno Responder

    A única coisa que faltou foi dizer que há enorme interesse tributário no aumento, porque o Paraná, graças ao ex-governador rabugento, elevou a alíquota de ICMS sobre energia e telecomunicações para 29%. Assim, o aumento reflete-se diretamente nas falidas contas do governo estadual, que embolsa o aumento arrancado dos contribuintes, sem fazer qualquer esforço extra.

  5. Vigilante do Portão Responder

    Caso o pedido de reajuste fosse EQUIVOCADO, a ANEEL não teria HOMOLOGADO.

    A ANEEL, como todo mundo sabe, é composta de INDICADOS pelo Governo FEDERAL.

    A Análise, nos casos do reajuste, é TÉCNICA.

    Pior foi a cobertura da GAZETA, CONFUNDINDO o eleitor.

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