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Para Dilma, BC muda regras e coloca R$ 30 bil de crédito

Das agências

O Banco Central anunciou três medidas que alteram as regras sobre depósitos compulsórios, que são os recursos que os bancos têm de deixar como garantia com o BC sobre cada depósito, com o objetivo de ampliar os recursos disponíveis na economia e melhorar o acesso de micro e pequenos empresários. A principal é a liberação às instituições financeiras de 50% do valor obrigatório para novas operações, o que colocará R$ 30 bilhões no mercado.

Analistas apontam que as medidas têm a intenção de dar ânimo à economia, para o consumo ou para investimentos empresariais. No entanto, consideraram que a simples liberação de crédito não significa movimentação de dinheiro, porque depende da autorização por meio da análise das financeiras e da vontade de buscar empréstimos de consumidores e de investidores, ainda cautelosos quanto ao cenário do País.

Conforme o BC, as medidas foram possíveis porque o recolhimento de compulsórios passou de R$ 194 bilhões em 2009 para R$ 405 bilhões hoje, com crescimento de R$ 50 bilhões em apenas 12 meses. Ainda, informou que a recente diminuição na concessão de crédito por parte dos bancos diminuiu a inadimplência e, por consequência, recuou o nível de risco no sistema financeiro nacional. O chefe do Departamento de Normas do BC, Sergio Odilon dos Anjos, projetou ontem que outros R$ 15 bilhões devem ser somados aos R$ 30 bilhões iniciais ao longo do tempo, conforme a demanda aumente.

A instituição também ampliou de 58 para 134 o rol de instituições financeiras que podem vender operações de crédito em andamento para abrir espaço para novos empréstimos. A outra medida visa ampliar o número de bancos que poderão usar até 20% dos próprios recolhimentos compulsórios sobre depósitos à vista para empréstimos e financiamentos que sejam enquadráveis no Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Assim, o BC reduziu de R$ 6 bilhões para R$ 3 bilhões o valor do Patrimônio de Referência Nível 1 necessário às instituições.

Para o professor de economia Adilson Antonio Volpi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR), as medidas são respostas à restrição ao crédito imposta nos últimos meses pelos bancos, que buscam mais garantias de clientes diante do cenário nebuloso na economia. “Para dar liquidez à economia, isso funciona. Como não pode mais elevar a taxa de juros (para conter a inflação) porque reduziria mais o acesso ao dinheiro, o BC permitiu o uso dos compulsórios para empréstimos para aumentar o dinheiro disponível, sem que houvesse custo adicional de juros mais altos.”

Integrante do Grupo Macroeconomia Estruturalista do Desenvolvimento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Luciano D’Agostini diz que, em curto prazo, a medida é interessante porque aumenta a velocidade das transações, mas, no médio, pressiona a inflação e pode elevar o endividamento. “É estranho porque o BC elevou a taxa de juros para conter a inflação e agora flexibiliza os depósitos de compulsórios para elevar o consumo”, afirma, ao apontar o aumento do risco para 2015 e 2016.

1 Comentário

  1. Agora que a canoa já começou a fazer água é tarde, as empresas não investem por falta de crédito, não investem porque tem medo do amanhã. O de quê adianta dar credito se o cara não tem como pagar? O povo está de arrasto, a capacidade de endividamento está nas nuvens, mas só o Governo da companheira presidenta ainda não se deu conta disto.

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