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Israel retira tropas da Faixa de Gaza

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O Globo:

Movimento foi feito pouco depois do início da trégua de 72 horas mediada pelo Egito e após destruição de túneis do Hamas

As forças militares israelenses retiraram nesta terça-feira todas as suas tropas da Faixa de Gaza, pouco depois da entrada em vigor da trégua de 72 horas mediada pelo Egito entre Israel e o Hamas. O anúncio foi feito após as forças terrestres israelenses terem concluído a destruição de túneis escavados por guerrilheiros palestinos, segundo o Exército. Em comunicado, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu elogiou o Exército e a Agência de Segurança de Israel (Shin Bet) pelo trabalho, mas reiterou que não há garantia de 100% de sucesso.Depois que Jerusalém foi abalada por dois ataques na segunda-feira numa aparente reação à ofensiva em Gaza, um guarda foi esfaqueado nesta terça-feira na entrada de um assentamento na Cisjordânia, perto de Jerusalém.

— Esta foi uma ação complicada feita pelos soldados heroicos em condições difíceis de combate — afirmou o premier, para depois ressalvar:

— Como eu disse no início, não há garantia de 100% de sucesso, mas fizemos tudo para conseguir o máximo.

Ao menos 32 das passagens subterrâneas de infiltração e dezenas de eixos de acessos, que também serviam para transportar mercadorias, foram localizados e explodidos antes da pausa entrar em vigor às 2h da manhã (horário de Brasília), segundo a Rádio Israel e a Rádio do Exército.

De acordo com Netanyahu, a destruição dos túneis prejudicou uma arma estratégica que o Hamas investiu consideravelmente ao longo dos anos.

— Os túneis teriam permitido que o Hamas sequestrasse e assassinasse vários civis e soldados israelenses em ataques simultâneos de um número de diferentes túneis que ligavam a Israel.

O último soldado israelense saiu de Gaza às 8h, depois de um mês de ataques aéreos e terrestres. A retirada é um primeiro passo para as negociações pelo fim do conflito. Segundo porta-voz tenente-coronel Peter Lerner, as Forças de Defesa de Israel serão realocadas em posições defensivas fora de Gaza.

Minutos antes do início do cessar-fogo, o Hamas lançou uma salva de foguetes, chamando-a de “vingança” pelos ataques de Israel. A Operação Limite Protetor, que está em seu 29º dia, já deixou mais de 1.850 palestinos e 67 israelenses mortos, e recebeu fortes condenações da comunidade internacional.

O ministro das Relações Exteriores palestino, Riyad al-Malki, tem programado uma visita nesta terça-feira ao Tribunal Penal Internacional, na Holanda, enquanto ele tenta mover uma investigação sobre crimes de guerra contra Israel. Malki pediu às Nações Unidas no mês passado para acabar com o que chamou de impunidade de Israel e disse que o país “deve ser responsabilizado pelos seus crimes”.

CESSAR-FOGO PERMANENTE SERÁ DISCUTIDO NO CAIRO

De acordo com o jornal “Haaretz”, uma delegação israelense é esperado no Cairo nos próximos dias para negociar um acordo mais permanente, com mediação egípcia. A delegação palestina, incluindo membros do Hamas e da Jihad Islâmica, já está na cidade.

“Após a aceitação do cessar-fogo temporário, convocamos lideranças israelenses e palestinas para que venham ao Cairo para discutir um cessar-fogo permanente, e esperamos que a região se estabilize em breve”, afirmou em comunicado, o ministro egípcio das Relações Exteriores, Sameh Shoukry.

O porta-voz de Netanyahu, Mark Regev, confirmou que o governo de Israel aceitou a proposta.

TERCEIRO ATAQUE EM DOIS DIAS

O guarda foi esfaqueado na entrada de Ma’aleh Adumim, perto de Jerusalém, por um suspeito palestino que fugiu a pé. O guarda disparou enquanto o agressor fugia, mas sem atingi-lo, informou a polícia. Policiais de fronteira vasculham a área em torno de Kfar Azaria.

Na segunda-feira, dois ataques em diferentes partes da cidade deixaram um israelense morto e seis feridos. A investida ocorreu após o Hamas acusar Israel de violar uma trégua unilateral de sete horas e levaram ao reforço do policiamento na cidade.

Em um bairro de judeus ultraortodoxos, um homem dirigindo uma escavadeira atropelou um pedestre e virou um ônibus antes de ser baleado e morto por policiais. O pedestre morreu e mais cinco pessoas ficaram feridas — o motorista do ônibus, três passageiros e um policial.

Algumas horas depois, perto da Universidade Hebraica de Jerusalém, um atirador abriu fogo ferindo um soldado gravemente no estômago. As forças de segurança realizam uma caçada na tentativa de deter o agressor, que fugiu em uma moto.

Foto: AFP

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