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As perspectivas de Aécio

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De Ricardo Setti, Veja:

O presidenciável Aécio Neves (PSDB) tem como um dos principais desafios colocados à mesa alcançar uma grande vitória em São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil — quase 32 milhões de eleitores, perto de 23% de todo o eleitorado brasileiro –, e a recente pesquisa Datafolha mostra que ele está chegando lá.

Se o segundo turno da eleição fosse hoje, informa o Datafolha, o mais confiável instituto de pesquisa de intenções de voto do país, Aécio teria 50% dos votos válidos do maior Estado brasileiro, e a presidente Dilma apenas 31%.

Se projetarmos para a eleição de 5 de outubro o mesmo (e alto) índice de abstenção verificado no segundo turno da eleição de 2010 — 19,5% –, e supormos que haverá, de novo, 2,3% de votos em branco e 4,4% nulos, Aécio teria em números redondos 12 milhões de votos contra 7,4 milhões da presidente.

A diferença entre os dois seria de 4,6 milhões de votos em favor de Aécio.

José Serra venceu Dilma em 2010 em seu próprio Estado natal por apenas 1,8 milhão de votos.

É preciso considerar, também, que a campanha eleitoral mal começou, e mal começou o processo de transferência de votos do governador tucano Geraldo Alckmin para Aécio — Alckmin tem massacrante vantagem sobre todos os adversários no Estado, com 57% das intenções de voto e reeleição garantida no primeiro turno, se o pleito fosse hoje.

Com a campanha eleitoral engatinhando, ainda não é possível medir os efeitos da peregrinação intensa que fará, em boa parte dos 645 municípios paulistas, o candidato a vice de Aécio, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), o senador mais votado da história, com mais de 11 milhões de votos alcançados em 2010. O senador permanecerá percorrendo o Estado durante quase toda a campanha, devendo acompanhar Aécio apenas em viagens pontuais a outros Estados.

Caso esse cenário se confirme, Aécio só com São Paulo diminuirá consideravelmente a diferença de 12 milhões de votos que Dilma livrou sobre Serra no país em 2010.

Se a São Paulo somarmos Minas Gerais, segundo colégio eleitoral do país, com 15,3 milhões de eleitores, o quadro sorri para o candidato tucano.

Dilma derrotou Serra em Minas por 1,8 milhão de votos, e no Estado que governou duas vezes, deixando o poder com 77% de popularidade, as previsões são de que Aécio inverterá dramaticamente a situação. O candidato tucano a governador, o ex-ministro Pimenta da Veiga, estima que Aécio possa sair de do Estado com uma vantagem de 3,5 milhões de votos sobre a presidente — o que significaria, eliminada a vantagem da eleição anterior com os votos conquistados nesta, 5,3 milhões de votos menos naqueles 12 milhões de Dilma em 2010.

Só em São Paulo e em Minas, segundo essa estimativa, os 12 milhões terão caído para 1,8 milhão. E aí temos os Estados que votaram firmes em candidatos tucanos em eleições presidenciais anteriores — Goiás, os dois Mato Grossos, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Espírito Santo…

Aécio, além do mais, dispõe de palanques muito mais fortes do que os de Serra em Estados onde os tucanos foram triturados em 2010, como Bahia, Ceará, Amazonas e Maranhão. Em Pernambuco, onde Dilma explodiu e derrotou Serra por 2,3 milhões de votos, agora haverá um candidato da terra disputando o eleitorado. E por aí vai.

Completando o quadro, o percentual de eleitores que de forma alguma votarão em Dilma, segundo o Datafolha, é de 37% — ao passo que esse percentual negativo, para Aécio, é de 17%.

2 Comentários

  1. Aécio tem uma história política honrada e foi ótimo governador reeleito em Minas Gerais. Tá quilômetros de distância em preparo para governar o Brasil.

  2. Doutor Prolegômeno Responder

    São Paulo, a grande locomotiva deste país, está acordando de sua letargia, depois de vinte anos. Se pudesse transferia meu título para lá. Proponho voltarmos a ser quinta comarca da província de SP.

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