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Emprego tem baixo crescimento em julho
no Brasil

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Folha de Londrina

O País registrou menor saldo de vagas de trabalho com carteira assinada para julho desde 1999. O total de empregos formais gerados no mês foi de 11.796, volume 71,5% inferior ao de julho do ano passado, quando foram geradas 41,5 mil vagas. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) e foram divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). No Paraná foram criadas 2.683 vagas com crescimento de 0,10%. De janeiro a julho, o País teve crescimento de 1,56% com 632.224 vagas e o Estado registrou elevação de 2,44% com 66.188 vagas.

O setor que mais demitiu em julho foi a indústria de transformação com o fechamento de 2 mil vagas no Paraná e 15.392 vagas no Brasil. Para o diretor de pesquisa do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Julio Suzuki, o resultado do emprego de julho mostra que o ‘’arranjo macroeconômico do País baseado em consumo, comércio e demanda interna faliu’’. Para ele, não adianta liberar crédito se as pessoas estão endividadas. Ele também não descarta a possibilidade de a taxa de desemprego começar a subir ainda neste ano.

Suzuki acredita que os empregos na indústria têm sido os mais afetados porque o setor sofre com a competitividade com os importados e com o custo elevado de produção. No Paraná, um dos segmentos que mais demitiu em julho foi a indústria de material de transporte (as montadoras) com fechamento de 729 vagas em função do estrangulamento do mercado argentino, das restrições na concessão de crédito para compra de carros novos e do recuo nas vendas no mercado interno. Além deste segmento, também demitiram no Estado a indústria de couro, borracha e fumo (-693 vagas), a indústria metalúrgica (-374 vagas), a indústria têxtil e de vestuário (-352 vagas).

O presidente do Sindimetal-PR, Alcino Tigrinho, disse que houve queda de vagas no setor porque há muitas empresas que fornecem para as montadoras e, mesmo as que não são fornecedoras, sofrem com a reação em cadeia. Para ele, o estímulo ao crédito anunciado pelo Banco Central de R$ 25 bilhões nesta semana também não vai trazer soluções, pois é um modelo esgotado.

Na contrapartida, o setor de serviços criou 3.193 vagas no Estado e 11.894 no Brasil. ‘’O setor de serviços não sofre com a concorrência internacional’’, disse Suzuki.

Para o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Sandro Silva, a geração menor de vagas no mercado de trabalho tem ocorrido em função da desaceleração da economia, da crise internacional que afeta as exportações brasileiras, do aumento dos juros e do câmbio valorizado.

Silva disse que um alento importante é que o País continua gerando empregos e foram mantidos os aumentos reais dos salários. Ele lembrou que a indústria vem tendo dificuldades há algum tempo no Brasil e agora as montadoras começaram a demitir fortemente. ‘’O setor de veículos foi um dos que mais foi beneficiado com a desoneração do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e agora demite’’, disse.

No ano passado, o Paraná gerou 90.349 novas vagas. Silva prevê que talvez haja melhora na geração de empregos no último trimestre do ano, mas acredita que o volume de vagas criadas seja menor que no ano passado. Para Suzuki, o Paraná deve sofrer a influência da macroeconomia e pode ter pequena ascensão do desemprego em 2014. Assim como Silva, também prevê geração de vagas menor em 2014.

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