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De transplante de cabelo a botox, o que os candidatos têm feito para conquistar eleitores

antes e depois gif

De Michele Miranda, O Globo:

Na corrida pelo cargo de presidente da República, estar em dia com a estética não é apenas um detalhe no mar de deveres a serem cumpridos, como apresentar uma campanha eleitoral convincente e ter aliados políticos. Vale tudo para abocanhar alguns votos: fazer plástica, mudar a sobrancelha, maquiagem definitiva, clarear os dentes. Enquanto Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, de 66 anos, já encontrou seu espaço como mulher na política e nesta campanha “só clareou os cabelos”, segundo seu hairstylist Celso Kamura, Marina Silva (PSB), de 56 anos, ainda tenta adequar sua naturalidade à sofisticação que o cargo exige. Já Aécio Neves (PSDB), de 54 anos, perdeu peso, fez implante capilar, fez uso de botox, de acordo com especialistas, e tem sido elogiado pelos ternos que escolhe para a TV e pela informalidade da calça jeans quando sai em campanha nas ruas.

— Dilma como ministra era completamente diferente. Ela fez plásticas, maquiagem definitiva nos olhos, trocou os óculos pelas lentes de contato e agora ela tem experiência de ser mulher na política, e manteve o estilo da primeira campanha — analisa Paula Acioli, coordenadora do curso de gestão de Moda, da FGV. — Marina está em construção. Sempre que ela aparecer, vamos ver diferença; ela já acertou a sobrancelha e rendeu-se à maquiagem, mas não precisa mudar o estilo nem ir contra as regras da religião evangélica, é só trabalhá-lo melhor, sofisticar a naturalidade de que ela gosta tanto, como o uso das echarpes e lenços, que podem ganhar um caimento melhor. As duas têm em comum o gosto pela alfaiataria, usado pelas mulheres da política e executivas. Marina opta por tons claros. Dilma costuma usar vermelho e foi o que fez no segundo debate: como caiu nas pesquisas, tratou de escolher um blazer vermelho para acentuar seu poder e reforçar sua origem petista.

Quem pensa que um corte de cabelo ou um batom vermelho são escolhidos ao acaso ou apenas para ficar na moda se engana. Cesar Augusto, embaixador da L’Oréal Professionnel, enumera a quantidade de mensagens que podem ser transmitidas aos eleitores através da estética.

— A maquiagem é fundamental para esconder a imagem de cansaço na maratona de campanha; eles dormem pouco e têm muitos compromissos. Aécio, por exemplo, deve optar pelo BB Cream (uma espécie de base que corrige as imperfeições da pele) com pó compacto, além de usar porcelana nos dentes para dar mais força ao sorriso e um xampu que dá um ar acinzentado ao cabelo, sem esconder o grisalho, transmitindo experiência — opina. — Todos os candidatos optaram por um corte e um penteado que deixe a testa livre, porque isso passa intelecto, credibilidade e maturidade. É só pensar nos Beatles, com aquelas franjinhas, eles eram considerados imaturos, inocentes. Aposto que Dilma e Aécio cortam o cabelo a cada 15 dias, para estar impecável e dar um ar de organização.

O botox, ou a toxina botulínica, começou a ser usado como tratamento médico no início dos anos 1990 e virou uma febre em Hollywood nos anos 2000 como uma maneira de prolongar a juventude física, minimizando as rugas e marcas de expressão. Não tardou para cair no gosto de outros setores para além das celebridades. Por que não na política, já que os candidatos aparecem cada vez mais na TV?

— A aparência é extremamente importante em qualquer trabalho. Todos os candidatos estão com a aparência boa. Dilma fez o face lifting para levantar a musculatura do rosto, tirou excesso de pele, a popular “papadinha”, e corrigiu as pálpebras quando era candidata ao seu primeiro governo — comenta o cirurgião Sérgio Panizzon, dono da Clínica Moinhos Plastic Center, onde a presidente fez os procedimentos quando virou o nome do PT para tentar suceder Lula. — Ela buscou um ar jovial, natural. Depois disso, não fez mais nenhuma cirurgia. O botox a partir dos 40 anos vira uma prática de rotina para executivos e políticos. É possível perceber, porque paralisa a musculatura de determinado lugar e pelo que pude ver o Aécio fez aplicação na testa, no canto dos olhos, correção das pálpebras, além de um implante de cabelos. Já Marina é avessa a mudanças e opta por expor suas marcas de expressão.

Segundo o consultor de moda masculina Lula Rodrigues, o Brasil é o segundo país do mundo a consumir produtos de beleza para homens e os políticos integram estes dados. Ele acredita que Aécio é bem assessorado ao escolher seus ternos, gravatas e sapatos e, para não errar, aposta sempre nos tons básicos: cinza e azul.

— A única vez que Aécio falhou foi quando apareceu com a gravata torta (no primeiro debate dos presidenciáveis), mas pode ser uma estratégia. Está cada vez mais difícil chamar a atenção. Uma aparente falha vira comentários e estar na boca do povo é sempre importante. À exceção deste episódio, dou nota 10 para ele. Ele é o candidato mais bem vestido, porque está no DNA da herança familiar de políticos, com ternos impecáveis. Até quando faz campanha nas ruas, ele acerta, optando por camisa de botão para fora da calça jeans. Ele sabe que tem uma barriguinha, então a esconde mantendo a camisa solta e desfocando a atenção para a imperfeição.

A MUDANÇA AOS POUCOS DE MARINA

Visando o mais alto cargo na política brasileira, Marina entendeu que não é possível investir apenas nas propostas para angariar votos. No primeiro debate dos presidenciáveis, exibido pela TV Bandeirantes, uma das assessoras da candidata do PSB ficou muito descontente com a armação vermelha dos óculos de Marina, que chegaram a virar comentários nas redes sociais pela atenção que concentravam no vídeo. Marina, então, trocou os óculos por um de armação transparente no segundo debate, promovido por SBT, Folha, UOL e Jovem Pan. Mas não é só isso. O renomado estilista Ronaldo Fraga foi convidado para cuidar do visual dela. Apesar de não poder aceitar o trabalho, ele tem muitos elogios a ela, além de minimizar a moda na política.

— O que me chama atenção são as joias que ela usa. Caem muito bem com qualquer roupa branca, neutra. A Marina Silva já foi a dois desfiles meus. Ela tem proximidade com o mundo da moda, desenha suas próprias biojoias, que são muito bonitas — comenta Fraga. — Também já trabalhei com esse tipo de joia e sei que é um trabalho muito delicado. Fui procurado pela assessoria da Marina para enviar algumas peças, mas não pude aceitar. Estou viajando e não teria tempo de preparar nada específico. Ela já tem um estilo próprio e o que menos importa para mim agora como eleitor é o que o candidato veste.

Além de criar suas biojoias, Marina também é fã de uma matéria-prima vinda do Jalapão, que é transformada por artesãos em joias, bolsas e detalhes de roupas. Ela usa a peça desde que era ministra do meio ambiente até hoje, nos debates e entrevistas que tem feito.

— Ela gosta de estar parecida com o povo e é muito discreta. Acho que ela gosta de acessórios de Capim Dourado, porque é um elemento que pode ser usado por pessoas de todas as classes sociais. Temos peças que custam apenas R$ 12. Já outras, misturadas a joias, chegam a R$ 15 mil. E é possível combinar com roupas muito sofisticadas e muito simples — diz Meire Bonadio, da marca Mbex, aproveitando para reiterar a dificuldade de internacionalizar o produto. — Talvez ela possa ajudar na exportação fazendo acordo comercial com mais países. O Brasil é muito fechado para o mundo. Para participar de uma feira para apresentar o Capim Dourado, por exemplo, temos que pagar uma série de impostos. Se houvesse um acordo comercial seria muito mais fácil e incentivaria outros pequenos empresários.

3 Comentários

  1. Então o Aécio é careca igual ao avô Tancredo e ao primo Senador Dorneles? Eles não colocaram implante capilar e mandaram bem, acho que , no caso do homem público, assumir os sinais da idade passa veracidade, lisura, e até a ideia de que você também não vai maquiar nada no governo…

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