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Ex-diretor da Petrobras acusa PT, PP e PMDB no esquema de corrupção

PAULOROBERTO4-JCEm interrogatório à Operação Lava Jato, Costa acusou outros quatro diretores de participação nos desvios de recursos

por Leandra Lima e Jailton de Carvalho / Letícia Paris, especial para O Globo

RIO, BRASÍLIA E CURITIBA — Sete dias após ter voltado para casa no Rio em esquema de prisão domiciliar, o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, foi escoltado pela Polícia Federal (PF) para prestar depoimento à Justiça Federal, em Curitiba. No seu primeiro depoimento, Costa acusou o envolvimento de três partidos no esquema de corrupção na estatal, ao mesmo tempo em que garantiu que o dinheiro arrecadado com propinas serviu para abastecer, em 2010, “a campanha de um dos partidos que hoje está no segundo turno”. De acordo com informações obtidas pelo GLOBO, as legendas seriam PT, PP e PMDB.

Costa ainda acusou mais quatro diretores da empresa de participação nos desvios de recursos. Dissera ainda à Justiça federal que o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado, teria lhe entregue R$ 500 mil, quantia também desviada no esquema.

— O Paulo deixou bem claro que este esquema beneficiou a campanha de partidos em 2010. Três partidos grandes foram citados, e eles dividiam efetivamente o bolo da propina — disse Antônio Figueiredo Basto, advogado do doleiro Alberto Yousseff, que depôs nesta quarta-feira juntamente com Costa, ao juiz Sérgio Moro.
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O ex-diretor da estatal reafirmou como funcionava a organização criminosa. Costa afirmou que a propina era equivalente a 3% dos valores dos contratos firmados com a estatal.

Em quase quatro horas de depoimento, o ex-diretor da Petrobras ainda acusou José Eduardo Dutra, atual diretor corporativo e de serviços da empresa, de participar do grupo responsável pelas fraudes. Ele ainda denunciou outros três ex-diretores da estatal. Segundo ele, fizeram parte do esquema Nestor Cerveró e Jorge Zelada (ambos da área internacional) e Jorge Renato Duque (serviços).

— O depoimento do Paulo foi mais detalhado, por ser uma pessoa dentro da empresa. Ficou muito claro que o meu cliente não era o chefe dessa quadrilha, não era chefe de nada, era o operador, uma peça da engrenagem. Ele não disse o nome do chefe porque o juiz não permitiu (que citasse os nomes dos políticos). Não haveria a possibilidade de isso funcionar não fossem os agentes políticos — disse o advogado de Costa.

Paulo Roberto Costa saiu cedo de sua casa, em um condomínio fechado no Rio de Janeiro, na Zona Oeste do Rio, e foi escoltado por um carro oficial da polícia e um descaracterizado. Ele chegou as 12h30m em Curitiba, e entrou escoltado pela porta da frente da Justiça Federal. Ele, o doleiro Alberto Youssef, os outros réus e seus advogados foram encaminhados para a sala de interrogatório, antes das 14h, horário previsto para o início dos depoimentos nesta quarta-feira.

O tema do depoimento seriam vários contratos, especialmente sobre a construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. O interrogatório é parte do processo das ações penais movidas depois da Operação Lava-Jato, da PF.

O Tribunal de Contas da União já apontou indícios de superfaturamento da obra. Num dos depoimentos, da delação premiada, Costa disse ter recebido US$ 23 milhões da Odebrecht.

Os outros oito réus foram interrogados separadamente e poderiam permanecer calados, pois não firmaram acordo de delação premiada. Ao chegarem na sede da Justiça, os advogados nao quiseram se pronunciar, e afirmaram que só vão falar após o início da sessão.

DEVOLUÇÃO DE R$ 80 MILHÕES

Na semana passada, Costa confessou também ter recebido US$ 1,5 milhão só para não atrapalhar a compra da refinaria de Pasedena, nos Estados Unidos, em 2006. Na semana passada, Sérgio Moro autorizou Costa a responder os processos abertos a partir da Operação Lava-Jato em prisão domiciliar. No acordo de delação, Costa concordou em entregar à Justiça os US$ 23 milhões que teria recebido da Odebrecht, que estão bloqueados em contas na Suíça. Entre bens e valores em espécie, ele deverá devolver aos cofres públicos aproximadamente R$ 80 milhões.

Segundo o advogado João Mestiere, contratado pelo ex-diretor da Petrobras depois da homologação da delação, Costa deverá responder a todas as perguntas do juiz e de um dos procuradores que estão acompanhando o caso.

— Existe a obrigação de falar. É uma imposição legal — disse Mestiere.

Costa é acusado de chefiar uma estrutura de desvio de dinheiro da Petrobras em associação com o doleiro Alberto Youssef. Depois de Costa, o doleiro também decidiu fazer acordo de delação premiada com o Ministério Público.

4 Comentários

  1. PT É PERITO NISSO…..PP… TEM MALUF….. PMDB…. ALGUNS …. O MAIS IMPORTANTE BRASIL É MUDAR CHEGA DE VÊ ESSAS NOTICIAS RUIM ROUBOS QUE AINDA VEM CHUMBO GROSSO DA PETROBRAS ESPERE AINDA ISSO É UM COMEÇO DESSA VERGONHA QUE NORTE E NORDESTE APOIAM ESSA VERGONHA,,, MUDA BRASIL…

  2. Sociedade Responde Responder

    Sérgio Moro: uma reserva moral em defesa dos paranaenses e brasileiros da sociedade decente. ** Quantos mais, desse naipe, poderiam se posicionar e mudar a atual fase do Brasil decadente, minado pela corrupção, pelo desmando, pela lei de Gerson, pelo rabo felpudo de políticos desavergonhados e empresários espertalhões? ** Senhores magistrados ajudem a transformar o Brasil numa nora República. Do jeito que está não pode ficar. Chega de bazófia e politicagem rasteira. ** A Pátria sangra e os desaforados não têm dó, nem piedade do povo usado pelo assistencialismo e pelo populismo desvairado e oportunista. Chega!

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