Uncategorized

Sem balanço, Petrobras terá dificuldade de emitir títulos no exterior

Sede_PETROB

De O GLOBO – SÃO PAULO – Além dos problemas que a Petrobras está enfrentando no mercado interno, com as investigações operação Lava-Jato, a companhia convive com a piora da imagem no exterior. Após as denúncias de corrupção e o adiamento da publicação do balanço, os títulos emitidos pela estatal estão se desvalorizando. E há o risco, ainda que distante, de investidores pedirem a antecipação do vencimento dos papéis.

O executivo de um banco estrangeiro afirmou que, no caso desses títulos, a Petrobras segue as regras da Security Exchange Commission (SEC, que equivale à CVM no mercado americano) no caso, a obrigatoriedade é que apenas os balanços anuais sejam auditados.

— Por essa razão, eu não vejo um risco iminente de uma antecipação dos investimentos por parte dos investidores — afirmou.

No entanto, o executivo reconhece que para novas emissões, caso a empresa precise levantar mais recursos para arcar com seu bilionário plano de investimentos, o mercado está fechado para a Petrobras. Essa janela só seria reaberta após a divulgação do balanço do terceiro trimestre. E a situação da empresa ficou mais delicada, o que deve fazer com que os juros pagos em novas emissões fiquem mais elevados.

Em parte, a elevação das taxas já ocorre no mercado secundário. Isso pode ser visto pela desvalorização dos papéis – o preço de face fica menor, aumentando o retorno (yield) pago nos títulos emitidos. No caso dos papéis que vencem em 2023, a queda foi de 2,65%, com o papel valendo US$ 87,30, o menor patamar em um ano.

— Essa queda vem desde a semana passada e é reflexo da prisão de 23 executivos pela Polícia Federal, que investiga a corrupção da Petrobras. Os papéis emitidos pelas construtoras no exterior também foiram atingidos — diz Pablo Spyer, diretor da Mirae Asset Management.

No caso dos títulos da OAS com vencimento em 2019, no valor de US$ 875 milhões, a queda nesta segunda-feira foi de 5,2%, chegando a US$ 87,36, o menor valor desde 2012. Os papéis da Odebrecht com vencimento em 2029 recuaram 2,40%, caindo para US$ 92,40.

Comente