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O custo da corrupção

Por Miriam Leitão

Qual o custo da corrupção? Pergunta difícil de responder em números exatos. Hoje, o Brasil já sabe que o preço é intolerável: a maior empresa do país à beira de um precipício, o custo Brasil subindo, o aprofundamento da recessão, risco de contágio de inúmeras empresas. Apesar disso, o governo decidiu abrir a temporada de loteamento de cargos nas estatais e no segundo escalão.

Naquele terreno fugidio entre a economia e a política, as notícias passam e, às vezes, as pessoas nem somam o que acontece nos dois lados. Na política, a presidente está fraca porque foi derrotada na eleição para a Câmara dos Deputados. Além disso, sua articulação política conseguiu a proeza de não ter nenhum petista na mesa da Casa.

Na economia, a maior empresa do país corre perigo pelo saque comandado pelos indicados políticos. A presidente, então, para se fortalecer na política, manda seus articuladores dizerem que fará a distribuição dos cargos do segundo escalão e das empresas públicas em troca de apoio político. Mas se a maior crise do país vem justamente como efeito colateral do loteamento, como se pode falar em mais distribuição de cargos por esse mesmo critério?

Do ponto de vista contábil, os auditores tentam medir a corrupção e têm tido problemas. No demonstrativo financeiro da Petrobras foi dito que pode ser alguma coisa entre R$ 4,06 bilhões e R$ 88,6 bi. O primeiro número foi encontrado através de uma conta simples: 3% do valor dos contratos que pagaram comissão, segundo depoimento de Paulo Roberto Costa. O outro, a diferença entre o valor justo e o valor contábil de 31 dos 52 ativos analisados. Nem tudo é corrupção. Parte desse sobrepreço pode ser resultado de outras ineficiências. Mesmo assim se sabe que a corrupção leva à ineficiência. Para que um contratante, que teve que pagar propina para ganhar uma concorrência, terá interesse em ser eficiente? E o funcionário corrupto, que interesse terá em que o valor sobre o qual incide seu percentual seja menor? Os preços e custos vão para cima e para o alto sempre, em ambiente corroído pelo veneno da corrupção.

Não é trivial fazer o que a Petrobras está tentando junto com seus auditores e com a orientação técnica da CVM e da SEC: saber exatamente como calcular um custo que, pela sua natureza, foge à contabilidade. Nessa direção é que a Petrobras vinha trabalhando desde novembro do ano passado com a PricewaterhouseCoopers (PwC). Agora, a auditoria vai trabalhar com Aldemir Bendine e seus diretores. Qualquer que seja o compromisso que Bendine assumiu de reduzir o valor do abatimento nos ativos, ele terá que seguir normas técnicas dos órgãos reguladores.

Mas, quando houver o número exato da baixa contábil, ainda assim não será o custo da corrupção. O que impressiona neste caso revelado pela Operação Lava-Jato é que foi montado um conglomerado de corrupção. Havia uma holding e depois centros subsidiários de exploração, extração, refino e distribuição de propina. Portanto, a busca do dinheiro perdido é necessária, mas nunca estará completa.

Se todo o dinheiro fosse recuperado, se fosse possível encontrar um valor exato do que foi subtraído da Petrobras, ainda assim não seria o custo total da corrupção. Ela é muito mais cara. A Petrobras e o Brasil perderam reputação. Tente calcular o custo de reconstrução da imagem do país que permitiu que sua maior empresa fosse assaltada para que fossem instalados dinheirodutos para os partidos governistas. O Brasil precisará lutar contra a convicção de que é um país de corrupção endêmica, porque isso afasta investidores.

Se ainda assim fosse possível quantificar o dinheiro tirado da Petrobras, os sobrepreços causados direta ou indiretamente pelo ambiente de corrupção que se instalou na empresa, a deterioração da imagem da empresa e do país, o custo da piora do risco Brasil, não seria o preço total da corrupção.

Seria preciso contabilizar também o intangível custo da depreciação do ativo maior: a confiança na democracia. Como evitar que os brasileiros comecem a perder a fé na democracia? O que se vê são os intestinos de um esquema que transformou a mais mítica das empresas brasileiras em local de botim do partido que nos governa e seus aliados. Esse ataque à Petrobras nos tem tirado mais do que podemos calcular.

9 Comentários

  1. Este chororô todo só confirma uma coisa, o estelionato eleitoral. O resto é lero lero, conversa fiada que não leva a nada. O que fazer então? Cada um arregaçar as mangas e mandar ver, faça o seu melhor e se esqueça da camarada Dilma, não percamos tempo chutando cachorra morta.

  2. NA CORDA BAMBA Responder

    A corrupção custará ao país o que nós mortais não conseguimos dimen-
    sionar. Em um país do primeiro mundo as perdas e as roubalheiras que
    estamos tendo, com certeza colocaria o Brasil no seu merecido lugar e
    longe da pobreza. Infelizmente, cada povo tem o governo que merece…
    para os 51 milhões que votaram nesta anta.

  3. Do Interior..... Responder

    É o custo PT.

    Inclusive no exterior já se fala em “custo PT”, referindo-se à corrupção

  4. Caro FÁBIO, com essas manifestações percebemos que há uma percepção da sociedade de que o país BRASIL está em CRISE. O que percebo, e muito claramente é que o BRASIL NÃO está em CRISE. Quem está em CRISE MORAL, ÉTICA e ECONÔMICA é a ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA PETISTA e todos os seus meliantes que participam em todas as esferas municipais, estaduais e federal. Porque onde tem um meliante da ORGANIZAÇÃO atuando, essa entidade está corrompida. Porém o BRASIL e sua população honesta e trabalhadora é muito MAIOR que essa quadrilha que está instalada no poder. O tempo dessa ORGANIZAÇÃO expirou, chegou ao fim, vamos enterrá-los. Alguns meliantes iludidos e embriagados pelo poder, ainda resistem, afirman que estão jopgando uma “pá de cal na ORGANIZAÇÃO”, porém é como enxugar gelo

  5. Sergio Silvestre Responder

    Quanto custa para o estado o emprego do Haulinho,Belinatinho e mais os filhos de tantos deputados alinhados que o governo bota nas asas do estado.
    Qual a competência destes imberbes que mal saíram da casca do ovo e já tem empregos de diretoria e gerencia sem saber nada disso.
    Ai esses orgãos serão antros de corrupção,sem um gestor capacitado.

  6. Caro FÁBIO, com essas manifestações percebemos que há uma percepção da sociedade de que o país BRASIL está em CRISE. O que percebo, e muito claramente é que o BRASIL NÃO está em CRISE. Quem está em CRISE MORAL, ÉTICA e ECONÔMICA é a ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA PETISTA e todos os seus meliantes, que participam em todas as esferas municipais, estaduais e federal. Porque onde tem um meliante da ORGANIZAÇÃO atuando, essa entidade está corrompida. Porém o BRASIL e sua população honesta e trabalhadora é muito MAIOR que essa quadrilha que está instalada no poder. O tempo dessa ORGANIZAÇÃO expirou, chegou ao fim, vamos ajudá-los a enterrá-los. Alguns meliantes iludidos e embriagados pelo poder, ainda resistem, afirmam que estão jogando uma “pá de cal na ORGANIZAÇÃO”, porém a defesa é como “enxugar gelo”, ninguém mais dá credibilidade e respeitabilidade. Defendo a liberdade de imprensa, liberdade de investigação e liberdade de opinião. Apoio a proposta de ” o sul é o meu país” e proponho o IMPEACHMENT JÁ da DILMA, agora no poder, para evitar maiores ressentimentos e VERGONHAS a sociedade brasileira. Atenciosamente.

  7. Do Interior..... Responder

    Sergio SilvestrePT, custa muito menos que os 200 milhões de dólares afanados pelo PT da Petrobras. Isso sem contar a Eletrobrás, Itaipu e os acordos de LULLarápio com o perdão das dívidas de ditadores sanguinários sul-africanos. No mínimo houve uma comissão grande para o lulopetismo para perdão destas dívidas.

  8. Essas investigações não dão em nada….alguém lembra do mensalão……QUEREM RESOLVER O PROBLEMA, CONTRATEM O PRESIDENTE DA INDONÉSIA, solução prática, simples, rápida e barata. O POVO trabalhador e honesto AGRADECE.

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