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É o corporativismo, idiota

Em 1991, na bem sucedida campanha eleitoral americana de Bill Clinton contra George H. W. Bush, então presidente dos Estados Unidos e candidato à reeleição, o seu estrategista, James Carville, chamou a atenção de seu grupo de trabalho para a recessão que abalava a confiança dos companheiros. Ficou célebre a sua frase “é a economia, idiota”, para mostrar que esse era o tema central.

Agora, um grupo interdisciplinar que envolve empresários, economistas, professores universitários, executivos, advogados e mais uma penca de profissionais, que analisa a administração pública desde 2012 e que têm em comum serem todos desvinculados do governo, elaboraram um estudo a ser encaminhado ao governador Beto Richa. Para eles, o principal defeito da administração é que ela é preenchida na quase totalidade por agentes corporativos que mais defendem interesses da corporação do que os do Estado como instrumento para propiciar o bem estar social. É daí que surgiu, na conversa interna do grupo, uma paráfrase da máxima de Carville. “É o corporativismo, idiota”.

O grupo conclui que a única saída para superar a crise financeira do Estado é uma reforma administrativa profunda, preparada por pessoas sem vínculo corporativo, sem vínculos políticos do clientelismo, para reestruturar a máquina estatal e prepará-la para o novo cenário econômico. Exige providências mais fundas, como a de acabar com estruturas inúteis, sobrepostas, ou aquelas que não tem razão de existir porque não correspondem ao papel do Estado.

Metade das secretarias seria extinta. Acabaria o guichê de atendimento a demandas da política rasteira ou do corporativismo irresponsável. Exigiria a coragem de fechar órgãos, negar benefícios de carreiras e reajustes salariais para categorias especificas. A coragem de nada fazer sem analisar os impactos atuariais. Enfim, a coragem para por ordem na casa, por mais que isso contrarie velhos hábitos e toque em privilégios de corporações ruidosas, minorias organizadas e agressivas, que colocam seus interesses acima de tudo, mesmo que esses interesses atentem contra os da maioria, a ampla maioria silenciosa, que trabalha, rala e paga o custo dos privilégios das corporações.

10 Comentários

  1. Podiam começar anulando o auxílio moradia dos conselheiros do Tribunal de Contas e mandando aquele incompetente do Marcelo Cattani tentar se empregar na iniciativa privada.

  2. O COMITE GESTOR QUE O BETO CRIOU EM 2011, COMPOSTO POR SECRETARIOS ORIGINARIOS DO SETOR PUBLICO, COLOCARAM ELE NUMA FRIA….

    NOVO PLANO DE CUSTEIO DA PARANAPREVIDENCIA, REENQUADRAMENTO DE CARREIRAS, A EXEMPLO DOS FISCAIS, MANUTENÇÃO DE ÓRGÃOS PUBLICOS SEM FUNÇÃO OU SOBREPOSTOS….
    NINGUEM ESTUDAVA A FUNDO O ASSUNTO E FICAVA BARGANHANDO INTERESSES DE SUAS PASTAS E CORPORAÇÕES E O BETO ASSINANDO….

    ACORDA BETO RICHA!!

  3. Luigi Mereu Jr Responder

    Eu diria: “É o entreguismo idiota!”
    O Paraná nos últimos anos está entregue a um bando de incompetentes que não entendem nada de Administração Pública, que é bem diferente de Administração de uma Empresa.
    O Estado do Paraná não é uma quitandinha familiar de bairro de periferia como o governo vem tratando.

  4. Estes conselheiros, pela capacidade em empresas privadas,nao passariam de um salário mínimo,pelas suas competências. Realmente por outro lado as nomeações para Secretarios,diretorias,Ministérios etc.,nao sao nomeados pela capacidade,mas sim pelos acordos políticos,dai as mas administrações,nos últimos anos,dai as crises governamentais

  5. Ana Dilma Dias Responder

    Sinceramente, é disso que precisamos: coragem para mudar o que está errado, coragem para enfrentar o corporativismo. Falta coragem para ir em frente com pulso firme e determinação. O governador Beto Richa foi, foi, foi, mas no último momento cedeu à pressão. E pressão, falemos a verdade, muito bem orquestrada por organizações políticas adversárias ao seu governo. A opinião pública é “Maria vai com as outras”, pende para o lado que faz mais barulho, mesmo que este seja o lado errado. Não pensa, não avalia, não se informa. O máximo que consegue fazer é ficar indignada. E ponto. É por isso que o Brasil está assim desse jeito, virado, sem perspectivas. Enquanto cada um olhar só pro seu umbigo e se unir apenas àqueles que defendem única e exclusivamente uma pequena minoria absolutamente nada vai melhorar. Parabenizo este grupo e torço para que, quem sabe daqui uns 50 anos, consigam o seu intento.

  6. Xiiii o “governador” não vai aceitar a sugestão, pois se aceitasse, como ele irá acomodar os “Ezequias”, “caramoris” e outros no governo? Parabéns aos seus eleitores.

  7. Não é necessário a formação de um grupo interdisciplinar para que se chegue a esta conclusão.
    Nunca a gestão pública se deu bem com o comando de elementos vindos dos setores corporativos.
    Somente no momento de se fazer bravatas, abrindo mão do salário, de forma hipócrita como foi feito pelo governador e seus secretários, é que é bom ter comandos originários do corporativismo, pois eles realmente não precisam desse dinheiro. Participam apenas como títeres neste modelo de governo oligárquico.

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