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Os fundos e
o estilo petista

Editorial, Estadão

A crise do Postalis e de outros fundos de pensão de estatais, em péssima situação financeira, é mais uma consequência ­ como o desastre da Petrobrás ­ dos padrões implantados na administração federal pelos governos petistas. Aparelhamento, politização e desprezo aos critérios de competência e eficiência têm sido, a partir de 2003, marcas indisfarçáveis da gestão de Ministérios, empresas controladas pelo Tesouro e entidades a elas vinculadas. O mais novo capítulo dessa história escandalosa é a manobra dos dirigentes do Postalis, comandado pelo PT e pelo PMDB, para cobrir um déficit atuarial de R$ 5,6 bilhões. A ideia é cobrar de servidores dos Correios uma contribuição extra, equivalente a até 25,9% dos salários. Segundo resolveu o conselho deliberativo, o rombo será reavaliado a cada ano, com base na evolução das operações. O valor extraordinário deve ser cobrado dos funcionários admitidos até 2008, cerca de 75% do pessoal.

Os funcionários, naturalmente, resistem a essa tentativa. Além de acusarem a Empresa de Correios e Telégrafos (ECT) de atrasar um pagamento de R$ 1,15 bilhão devido ao Postalis, rejeitam a proposta de pagar por erros cometidos pelos administradores. Entidades de representação dos trabalhadores anunciaram no fim de semana a intenção de buscar na Justiça proteção contra a manobra dos dirigentes do fundo. Contribuições extras já são feitas por empregados e pela empresa, desde 2013, para cobrir o déficit de R$ 1 bilhão acumulado nos dois anos anteriores.

Assim como o Postalis, os fundos de pensão da Caixa (Funcef) e da Petrobrás (Petros) têm acumulado perdas bilionárias, causadas por administração ineficiente e por investimentos baseados em critérios mais que discutíveis. O Postalis aplicou dinheiro em papéis dos Bancos Cruzeiro do Sul e BVA, ambos quebrados, em ações de empresas de Eike Batista e em títulos vinculados a dívidas públicas da Argentina e da Venezuela. É uma seleção notável, especialmente no caso de uma instituição criada para melhorar as condições de aposentadoria de milhares de assalariados. É muito difícil de imaginar uma justificativa minimamente razoável para o envolvimento com duas das economias mais problemáticas do mundo. Motivação ideológica?

Também os fundos vinculados à Caixa e à Petrobrás têm apresentado números ruins. Segundo uma auditoria recente, papéis da Vale apareceram nas contas da Funcef e da Petros com preços 50% maiores, em média, que aqueles atribuídos aos mesmos títulos nas contas da Previ (do Banco do Brasil) entre 2006 e 2013.

Segundo informação dos diretores da Funcef aos participantes, a correção dos valores começou a ser feita no fim de 2014. A reavaliação do ativo, segundo as primeiras informações, causou um impacto negativo de R$ 2 bilhões no resultado financeiro do ano passado. Na Petros, o mês de março foi marcado por mudanças na diretoria e por muitos rumores acerca de uma auditoria interna. Essa auditoria foi contratada para apurar denúncias de irregularidades vinculadas ao escândalo das propinas pagas a dirigentes da Petrobrás.

Os problemas dos fundos de pensão das estatais, assim como os escândalos apurados na Operação Lava Jato, são componentes de uma única história. É a crônica da ocupação predatória da administração direta e indireta ­ Ministérios, órgãos subordinados e empresas vinculadas ao Tesouro ­ pelo governo a partir de 2003. Mais uma vez pode ser útil lembrar: a corrupção na maior estatal brasileira é muito mais que uma coleção de casos de improbidade no interior de uma companhia. É consequência de um estilo de exercício do poder. Esse estilo se expressa também na distribuição de benefícios a grupos selecionados, com critérios sempre duvidosos, por quem comanda o uso de recursos públicos. Algumas decisões expressam tanto ambições pessoais de poder quanto preferências ideológicas. A fracassada e custosa associação da Petrobrás com o governo venezuelano é um exemplo desse tipo de ação. Mas o aparelhamento e o loteamento da administração pública envolvem também outros objetivos.

8 Comentários

  1. Fizeram de tudo para colocar a Dilma de novo no poder, agora que se danem e paguem pelo erro.

  2. O mais incrível desta história é a PTzada roubar e os funcionários
    dos Correios terem que arcar com este montante absurdo para cobrir
    o rombo. Isto não existe mesmo !!!

  3. Renato Britto Barros Reply

    Nada perdoar as dívidas desses LADRÕES do dinheiro dos carteiros e funcionários dos correios esses heróis brasileiros ( os concursados e não os pelegos do PT )
    Deve o Ministério Público Federal investigar o “FALCON” o marido da BARBYE das araucárias, esse sim deve dar explicações sobre onde foi parar o suado dinheiro da aposentadoria dos correios.
    Vamos esperar pra ver.

  4. Os SADIM estão em todos os lugares do Governo, Estatais e Fundos de Pensão. Esse pessoal é o anti-MIDAS, estes aonde colocavam a mão as coisas viravam ouro, sendo que os SADIM tem efeito inverso aonde colocam a mão as coisas, objetos e dinheiro DESAPARECEM.

  5. Achei ótimo! Esses bobos vão aprender de vez por todas, que quem usa de métodos escusos para se chegar ou continuar no poder, não é confiávellllll

  6. Não acho nada demais os funcionários pagarem a conta, afinal quem colocou os ladrões lá foram eles, então paguem e corram atrás de quem roubou para apanhar de volta. Isso se quiserem se aposentar condignamente, senão acabem com o fundo e deixa como está.

    Não é assim que tudo termina neste país, EM PIZZA.

  7. Doutor Prolegômeno Reply

    O projeto do lulopetismo é afanar tudo e destruir o futuro do Brasil.

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