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‘Impeachment é coisa séria’, diz Beto Richa

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Convidado pela revista Época a opinar se o PSDB deve ou não apoiar o impeachment da presidente Dilma Rousseff (PT), o governador do Paraná, Beto Richa (PSDB) disse em artigo que o fator gerador do impedimento da presidente “precisa ser incontestável”. “Coisa que até agora, convenhamos, não existe”. “É preciso investigar tudo, esclarecer todas as evidências, punir todos os culpados. Só assim a justiça será feita. O Brasil precisa de verdades que possam ser ditas sem constrangimentos. Fatos que possam nos orgulhar e nos convencer de que estamos, de fato, construindo uma nação civilizada e capaz de discutir todos os assuntos de forma equilibrada. Inclusive o impeachment”. No Leia Maia íntegra do artigo.

Impeachment é coisa séria

Beto Richa

Das ruas, emana a voz dos brasileiros. E o que eles dizem não pode ser ignorado nem por governantes nem por partidos políticos. Insuflada pelas revelações de desvios de conduta de agentes públicos e militantes partidários, a população emite sinais de impaciência e o desejo da condenação sumária. Como interpretar onde vai dar todo esse movimento, que se nutre com prisões e escândalos que beiram os bilhões de reais?

Primeiro, acredito que a mobilização da sociedade brasileira é autêntica, legítima, democrática e pacífica. Bem diferente dos desvios praticados por grupos isolados, em junho de 2013. E, por ser tudo isso, não se submete a qualquer cabresto partidário ou liderança preexistente.

As manifestações se repetem à revelia dos partidos – e é assim que devem continuar a ser. É uma marca dos novos tempos, onde todas as causas são compartilhadas nas redes sociais. Mas é notável que a necessidade de extravasar a opinião seja diretamente proporcional à gravidade dos fatos em apuração pelo Ministério Público, pela Polícia Federal e pelo Judiciário.

Uma das propostas colocadas pelos manifestantes é justamente a do impeachment da presidente Dilma. O tema é delicado, ainda mais para a sempre jovem democracia brasileira. A sua simples discussão não significa que o processo tenha de ser aberto a qualquer custo.

Se for verdade que da discussão nasce a luz, então discuta-se. Mas ela deve ser racional, calcada em fatos concretos e objetivos. Não dá para fazer um debate apenas para iludir a nação ou como pretenso corolário de desvios de conduta que estão sob investigação. Ou para vingar os desmandos e desacertos da economia.

Impeachment é coisa séria. Tão séria que tem regras jurídicas claras. O fato gerador precisa ser incontestável. Coisa que, até agora, convenhamos, não existe.

É preciso investigar tudo, esclarecer todas as evidências, punir todos os culpados. Só assim a justiça será feita. O Brasil precisa de verdades que possam ser ditas sem constrangimentos. Fatos que possam nos orgulhar e nos convencer de que estamos, de fato, construindo uma nação civilizada e capaz de discutir todos os assuntos de forma equilibrada. Inclusive o impeachment.

A maioridade da democracia se forja nesses momentos de crise, em que a legitimidade dos eleitos é colocada em xeque. Ela se manifesta na aglomeração das multidões, que ocupam as ruas e as praças de forma espontânea. Sei que é difícil ter o necessário distanciamento da cena para compreender o verdadeiro sentido dos protestos. Mas também pode ser precipitado tomar partido apenas pela magnitude das concentrações.

Minha crença é que a voz das ruas é a voz da liberdade de expressão, do direito de reclamar, do desejo de punir os desvios de conduta, da decisão de mudar o presente e construir um futuro melhor para o Brasil. Algo que não passará despercebido por nenhum brasileiro.

Beto Richa (PSDB), engenheiro civil, é governador do Paraná

6 Comentários

  1. Estará meditando sobre o próprio? Sim, a coisa pode apertar com as denúncias dos meliantes da Receita Estadual, dos parentes e amigos de corrida. E aí ele poderá falar se é cedo ou tarde para impeachment. O povão acha que já vai tarde. Vai vendo.

  2. Sergio Silvestre Responder

    Os reaças aqui do blog não vão gostar do artigo,nem daquilo que o FHC falou também.Pois quem está com aquilo a premio é claro vai tangenciar para livrar o seu que também está a perigo,mas vamos ver as idéias dos meninos que aqui comentam e as meninas mais ouriçadas né Walesca.

  3. Eles (esses demagogos) seguem a máxima bíblica, mas ao avesso: não quero para os outros o que não quero para mim …

    A maior corrupção institucionalizada da história do Brasil e talvez do planeta e estão com pruridos de chamar à responsabilidade a presidenta?

    Se acovardarmo-nos desse vez – LuLLa escapou – (até agora) o que de pior virá?

  4. -O impeachment só será válido diante de uma imensa crise política, sem reação e sem alguma solução para o tema. É o último instrumento jurídico para se exonerar um presidente…é a arma que a Constituição permite para que a democracia não seja ferida.
    -O impeachment do ex-presidente “caçador de marajás” foi uma trista página em nossa recente democracia e um fiasco internacional para o Brasil. Mas no caso da presidente, este fiasco(em caso de impeachment) não seria menos vergonhoso do que outros já existentes.

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