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A greve dos professores

Ao ter cruzado os braços sem pauta definida, sindicato desafia a Justiça e coloca ambições políticas à frente do bom senso e do direito dos alunos.

Editorial, Gazeta do Povo:

Quase duas semanas depois de a Justiça ter considerado ilegal a greve dos professores da rede estadual e das universidades estaduais, determinando multas para os sindicatos em caso de descumprimento, os docentes continuam parados. Os mais prejudicados têm sido os alunos dos últimos anos do ensino fundamental e aqueles do ensino médio, especialmente os que prestam vestibular e o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) no fim deste ano. Eles já estão há 40 dias sem aula, somando os dois períodos de paralisação, e o conteúdo fica ameaçado por não haver garantia de que a reposição será suficiente.

Segundo o sindicato, a greve atual é apenas a continuação daquela paralisação iniciada em fevereiro e que durou 29 dias, adiando o início do ano letivo. Naquela ocasião, a Justiça também interveio, determinando o retorno ao trabalho dos professores. No início de março, a APP-Sindicato, que representa os docentes, e o governo entraram em um acordo que permitiu o início das aulas, mas o “estado de greve” foi mantido, significando que a paralisação poderia ser retomada no futuro

Em março, o governo se comprometeu com 17 itens da pauta dos professores, que tratavam de temas como progressão de carreira, pagamento de atrasados e da rescisão de temporários, tamanho de turmas e contratação de aprovados em concursos. O item 2 da carta dizia que “durante este mês de março, o governo promoverá um amplo debate, com a participação do Fórum de Servidores Públicos, da APP-Sindicato e do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Após esgotado o processo de análise, inclusive com a participação de representantes dos poderes Judiciário, Legislativo, Tribunal de Contas e do Ministério Público do Paraná, a melhor proposta [de reforma da Paranaprevidência] será encaminhada à Assembleia Legislativa”. Foi justamente a suposta quebra desse item a alegação da APP-Sindicato para retomar a paralisação, em 25 de abril.

Mas houve, sim, reuniões para discutir o projeto, inclusive com a participação da APP. A carta-compromisso previa debate, mas não forçava o governo a acatar todas as sugestões do sindicato dos professores. Eles podem ter ficado insatisfeitos com o resultado final (o projeto de lei enviado à Assembleia), mas jamais poderiam ter alegado que o governo não cumpriu sua parte do acordo. Os professores cruzaram os braços sem ter uma pauta real; precisavam encontrar algo novo para justificar a paralisação.

O pretexto foi a data-base da categoria, em 1.º de maio. A pauta salarial não estava entre os 17 itens da carta-compromisso. Mesmo assim, a APP-Sindicato a incluiu nesta segunda etapa da paralisação, que ganhou força e apoio popular depois da violência desmedida da Polícia Militar contra os grevistas em 29 de abril. Aceitemos, por um momento, a afirmação do próprio sindicato de que a atual greve nada mais é que a continuação da mobilização anterior. Se é assim, incluir novas reivindicações em acréscimo àquelas que já tinham sido objeto de negociação anteriormente chega a ser um ato de má-fé. E, se recusarmos o argumento dos professores e considerarmos a greve atual não uma continuação da anterior, mas uma nova paralisação, como de fato parece ser, trata-se de uma “greve preventiva” deflagrada em abril, antes mesmo da data-base, o que também é uma demonstração de má-fé.

Não se questiona aqui o direito dos professores a reivindicar melhores salários – embora seja preciso lembrar que eles foram contemplados com 60% de aumento nos últimos quatro anos, contra os 27% dados aos outros servidores estaduais no mesmo período. Mas a forma como essa demanda foi introduzida na pauta de negociações entre governo e sindicato, aproveitando uma confluência entre a votação do novo projeto da Paranaprevidência e a aproximação da data-base dos professores para misturar as duas causas, é um oportunismo que não condiz com a honradez excepcional que a sociedade espera de seus professores.

O direito de greve é uma garantia constitucional, mas não pode ser abusado – e a Justiça, como vimos, se pronunciou pela ilegalidade da paralisação dos professores. O que parece não ter sido colocado na balança é o direito dos jovens e adolescentes a ter 200 dias de aula. A nova secretária de Estado da Educação, Ana Seres Comin, espera que os docentes retomem o trabalho na próxima segunda-feira, dia 11. Cabe aos professores decidir se o bom senso prevalecerá sobre o desafio ao Poder Judiciário e as ambições políticas de uma entidade sindical que vê na greve o meio ideal para seguir desgastando um já combalido governador.

16 Comentários

  1. O Beto devia saber, calcular bem antes de autorizar o Francis mandar bater nos professores. Esta de dizer que foi errado, não pega pois as imagens são muito fortes e valem mais que 1.000 palavras, e além disso ferrou o PSDB, o Aécio e o Rossoni. Ninguém quer mais apoio dele.É só uma questão de tempo. Como o povo esquece e é burro, vai se eleger DF.

  2. clarice franzec Responder

    O SINDICATO DOS PROFESSORES , NÃO ESTÃO PREOCUPADOS COM O DECRETO DE ILEGALIDADE E TAMPOUCO DOS DESCONTOS QUE VIRÃO EM FOLHA.
    AFINAL, O PT, CUT, MST ESTÃO AI PARA QUE? ARRUMAM MAIS UM DINHEIRINHO COM O PETROLÃO E REPÕE O CAIXA.
    ACHO QUE NÃO ESTÃO NESTA MARATONA DE GRAÇA.
    TAMBÉM NÃO ESTÃO NEM AI PARA OS ESTUDANTES, E MENOS AINDA FAZEM QUESTÃO DA SIMPATIA DOS PAIS DESTES ESTUDANTES.
    COM A CRISE QUE ESTAMOS PASSANDO, EU PENSARIA EM VOLTAR AO TRABALHO. SEI QUE REINVIDICAR É LEGITIMO, MAS O MOMENTO ESTA DIFICIL PARA TODO O BRASIL, E SABEMOS QUE NÃO ESTÁ FÁCIL PARA OS PAISES VIZINHOS.

  3. Caro FÁBIO, com essa insistência e provocação de manter a GREVE, conduzida pela APP – SINDICATO, seus professores, filiados e mercenários, fica claro para nós paranaenses que estamos no interior, de que essas ações de HUMILHAR e FRAGILIZAR ainda mais o já combalido GOVERNADOR BETO, e inclusive a de peitar e confrontar o JUDICIÁRIO, é um claro sinal, de que esses coordenadores estão esticando a corda, ao ponto de provocar a arrebentação, e podemos até aceitar que é isso o que desejam, para desequilibrar o estado de direito, em vigor no PARANÁ e não vêm ninguém na frente, e que passarão por cima de quem se colocar. Os professores não estão muito preocupados com a carreira dos estudantes, pois eles sabem que o governo federal, quebrado como está, não tem recursos para a financiar novos universitários. Agora é o momento de a MAGISTRATURA do TJ se impor e determinar o pagamento dos estragos provocados na ALEP, sob penas previstas na legislação, orientar e determinar que o executivo providencie o desconto dos dias parados, no mês não trabalhado e iniciar o processo de demissão dos faltosos, com a contratação dos professores que estão aguardando o chamamento, tudo isso sob a possibilidade de a MAGISTRATURA do TJ ficar desacreditada pela população estadual de maneira geral, em função da paralisia e da letargia em dar ordenamento jurídico ao estado. Já poderemos questionar qual é a função da MAGISTRATURA?? nesse momento, tão onerosa para a população que recolhe impostos. Dos deputados, com tudo isso, podemos avaliar que são meros vereadores mais caros. Defendo a liberdade de opinião, liberdade de imprensa e liberdade de investigação. Apoio a mobilização dos CAMINHONEIROS e proponho a RENÚNCIA JÁ, da DILMA, agora no poder, para evitar que cometa maiores VEXAMES e VERGONHAS, praticadas contra a sociedade brasileira. Atenciosamente…

  4. Que tal uma campanha tipo ” MENOS GREVE E MAIS AULAS “.
    O motivo da PARANÁ PREVIDÊNCIA já não se justifica porque esta questão poderá ser decidida na justiça, a favor da causa, já que o processo legislativo foi irregular. Porém já dá para perceber que o motivo é tirar o foco do noticiário sobre as podridões ptista e massacrar o fracassado e desastrado governo Richa.

  5. Agora que apoio a esta greve sem sentido da APT/Sindicato e dos professores perde prestígio e apoio a cada dia que passa, a gazetinha mudou de lado. Só estão faltando agora os elogiosa a nossa brava e injustiçada PM e ao piá de prédio. Não acreditam, esperem e verão o Betinho dando entrevistas a esta gazetinha, com as repórteres lhe fazendo perguntinhas bem suaves, ótimas para ele responder.

  6. Como é ingênua esta GAZETA DO POVO. Agora que eles percebem a má fé da APPT!! Atacam o Governador, mas esquecem de julgar o carácter dos elementos que compõem o sindicato dos professores.

  7. Maria Coutinho Responder

    Professor nunca teve força pra eleger ninguém pois na hora de trabalhar e votar cada um vê seu próprio umbigo.Nunca vi classe mais desunida.Estão hipnotizados pela gangue da App.

  8. inacreditavel & cia Responder

    É inacreditável a DESINFORMAÇÃO DE ALGUNS ASSINANTES DESTES COMENTÁRIOS.
    Não tem nada resolvido.
    O MP está fazendo esta onda de inconstitucionalidade da lei, mas não é para corrigir um erro, mas sim para concretiza-lo.
    Quem vai julgar este pedido do MP?
    O judiciário do auxilio moradia.
    Moral da história:
    O MP acusa, o judiciário absolve e o pia de prédio passa a ser heroi pois foi acusado injustamente de algo correto.
    Por isso que eu digo: É INACREDITÁVEL

  9. ROBERTO ANSIOSO Responder

    Isto é uma falta de respeito com os alunos e os pais dos alunos, o que este Sindicato Cut esta fazendo.
    Eu como pai de aluno não vou mandar meu filho a escola dias de sábados e na época de férias. O governo tem que demitir todos os funcionário que andar com bandeira vermelha, acabar com esta palhaçada. São alguns professores que não gosta de sala de aula. ( Não esquecendo que tem que descontar o auxilio transporte deste que estão em Curitiba)

  10. É facil fazer greve, não tem desconto dos dias parados e ainda conseguem beneficios que outros trabalhadores nem sabem que existem como biênio, quinquênio, quadro de carreiras, ferias de 90 dias, licenças diversas e até auxilio transporte em ferias.
    Como dizem, só bônus sem qualquer ônus.

  11. NA CORDA BAMBA Responder

    Independente da razão da greve os professores “decentes” deveriam
    ver o futuro dos alunos que perderão até o vestibular. É um exemplo
    de cidadania negra !!!

  12. Os filhos dos professores não perderam aulas, porque estão nas escolas particulares. E agora tudo de novo!

  13. O que o sindicato dos professores juntamente com a CUT quer é ver o circo pegar fogo. À voracidade predatória do PT representa ameaça a população. Formam bandos que destilam arrogância, pois conta com a proteção de um partido autoritário e corrupto.

  14. Disse tudo Lenza, pais interessados na educação dos seus filhos não os matriculam em escolas públicas, o sacrifício vale a pena. Depois não ficam sujeitos aos caprichos destes caprichosos professores, eles estão pensando só nas suas aposentadorias. A educação da piazada não é a prioridade deles.

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