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Lula pede socorro a Eduardo Cunha para salvar Dilma

lula dilma

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, procurou o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, do PMDB, que está rompido com a presidente Dilma Rousseff desde julho, para pedir ajuda para o governo. Em sua passagem de dois dias por Brasília, Lula teve seguidas conversas para tentar melhorar a situação política do governo no Congresso. A reaproximação com o PMDB está no cerne da articulação defendida por ele. A preocupação principal de Lula é conseguir aprovar o ajuste fiscal e impedir o avanço das pautas-bomba e dos processos de impeachment que tramitam no Congresso.

Nesse esforço, Lula se encontrou às 7h reservadamente com Cunha — visto no Planalto como o maior problema do governo no Congresso. O presidente da Câmara negou que tenha encontrado Lula, mas tanto interlocutores do Planalto, quanto aliados de Cunha confirmam que o encontro ocorreu no hotel onde o ex-presidente se hospedou em Brasília. A assessoria de Lula, por sua vez, disse que não poderia confirmar a agenda.

Mais tarde, já no Rio, Cunha criticou o governo por conta do ajuste e sugeriu que, em vez de propor a retomada da CPMF, faça cortes nos programas sociais:
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— Há programas sociais que subiram de custo, que a aplicação subiu muito sem analisarmos um ano antes da eleição e agora. O governo quer manter o mesmo nível de investimento nesses programas. Então, não tem sentido pedir imposto à sociedade para financiar isso. Em vez de querer colocar um imposto temporário, deveria cortar temporariamente o gasto.

Cunha classificou a falta de um “plano B”, reconhecida pelo ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência, Edinho Silva, como uma “mensagem ruim”.

— Mostra que você não tem alternativa, mas sempre tem. Quando uma empresa gasta mais do que arrecada, demite, para de vender, entrega o escritório, pede falência. O Estado não pode fazer isso. Tem que chegar e se limitar. Se tenho gastos, investimentos ou programas sociais que faço em função da minha arrecadação, não posso fazer isso me endividando. É impossível não ter um plano B. Tem que ter.

Depois do encontro com Cunha, Lula foi às 8h conversar com o chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, a quem criticava por minar as relações com o partido do vice-presidente Michel Temer (PMDB).

Na reunião que manteve com ministros, na noite de quinta-feira, Lula defendeu que Dilma prestigie o partido do seu vice-presidente. Na avaliação de Lula, sua sucessora deveria, antes de anunciar a reforma ministerial, que implicará redução do número de pastas, chamar todos os partidos aliados para uma negociação e não apenas para avisá-los das mudanças. Ele também pregou que o PMDB volte à articulação política do governo.

— Ou abraça o urso, ou morre — disse um amigo de Lula que participou das conversas.

Nas conversas que manteve, Lula ouviu que o clima no Congresso é o pior possível para o governo, com pouca chance de aprovação da CPMF, e que a relação política está muito deteriorada, o que dificulta mais a chance de Dilma conseguir emplacar o pacote sem fortes mudanças.

Um dos parlamentares que estiveram com Lula relatou ao GLOBO que ele afirmou concordar com a essência do pacote, mas que tem muita preocupação com o “ânimo” dos parlamentares em aceitar aumento de impostos e projetos como o que congela o reajuste dos servidores.

Lula disse a aliados que sabe a pressão a que todos estão submetidos, mas que o ajuste precisa ser entendido como a alternativa de superar a crise e projetar uma melhora do quadro político e econômico para os próximos anos. E avaliou que é preciso reorganizar a relação com os partidos que dão sustentação ao governo. Ele defendeu que Dilma use a redução de ministérios e a reforma para “fidelizar” seus votos no Congresso. Apesar de estar incomodado com o fato de não ter sido avisado previamente sobre o conteúdo do pacote fiscal e insatisfeito com a atuação da sucessora, Lula busca ajudar para tentar melhorar o cenário atual.

CRÍTICA A MERCADANTE

Nesta sexta-feira, o ex-presidente também conversou com Dilma e participou de uma reunião com ministros do PT, sem a presença de Mercadante, para conversarem sobre os rumos do governo e os desacertos políticos. Ele está incomodado com a falta de poder nas decisões em um momento tão delicado. Um aliado do ex-presidente contou que Lula reclama que Dilma o escuta, mas não ouve de fato o que diz. Aos petistas, o ex-presidente disse que concorda com a recriação da CPMF, mas discorda da condução da política econômica. Chamou-a de “errática” e avaliou que o Planalto e a equipe econômica precisam achar uma forma de proteger as camadas mais pobres. De forma enfática, Lula disse que o governo precisa construir o “pós-ajuste”, uma agenda de retomada do crescimento, e cobrou os ministros:

— Você diz para a pessoa que ela vai ter que tomar um remédio amargo, e ela até aceita, mas vai perguntar: “Tudo bem, mas se eu tomar eu vou sarar?”. Temos que começar a construir a proposta de retomada, com política de crédito, financiamento de longo prazo do setor produtivo.

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Ele citou a economia americana, lembrando que veio a crise, mas foram sinalizadas medidas positivas. Lula lembrou que já se reuniu com as centrais sindicais e disse que querem colaborar.

O ex-presidente também fez fortes críticas a Mercadante, apesar de Dilma ter deixado claro que não irá tirá-lo da Casa Civil. Lula acredita que ele “não tem condições de permanecer no cargo” porque o principal aliado, o PMDB, não aceita interlocução com ele. E avaliou que Mercadante “blinda” Dilma de más notícias, criando uma redoma. Só depois de a presidente avisar que Mercadante ficaria no cargo é que Lula o encontrou.

Além das críticas a Mercadante, Lula centrou fogo em outro ministro petista, José Eduardo Cardozo (Justiça). Repetiu que ele perdeu o controle sobre a Polícia Federal e sobre as informações relacionadas à Lava-Jato.

10 Comentários

  1. Francisco Foltrani Freire Responder

    Antes pedia votos para a Madame Dilma e agora pede socorro aos políticos. Essa quebradeira do País, já vinha do seu governo e agora os dela. O País está na UTI e embora saibam a doença que são as mais variadas, desde o Mensalão – que deixou nódoas – quanto ao Petrolão, o sumiço do dinheiro dos Fundos de Pensão e outro rombos, além das MANCADAS FISCAIS, DÉFICIT NO ORÇAMENTO DE 2.016 afora outras cositas mas. O PT dizia através de suas lideranças que tinham um plano para o PAÍS e que ficariam no poder por mais de 20 (vinte) ano, e que nós viveríamos DIAS MARAVILHOSOS. E, agora seu Lula, como é que fica ? Em qualquer empresa quando um gerente dá prejuízos é, automaticamente, despedido do seu cargo, e, assim deve ser com a Presidente..Isso não é GOLPE, os petistas não sabem o que é IMPEACHMENT ? O chefe não gosta de ler será que os outros cumpanheiros também não ?

  2. Luiz indignado a yahoo.com Responder

    Pô meu, pensei que iam ser preso e agora aparece fazendo loby no congresso?

  3. É… o mundo dá voltas mesmo. Quem diria que o arrogante e falas-
    trão Lula estaria pedindo “penico” para antes inimigos mortais !?
    Claro que na hora da morte vale tudo para tentar salvar a própria
    pele e se esta difícil missão acontecer o cara vai novamente subir
    no pedestal e continuar navegando fazendo de conta que nunca
    ninguem o ajudou a chegar lá. Atitude de bandido !!!

  4. Faltou só o Renan,o Color e o Sarney,para formar a quadrilha!
    Poi se soltarem 99% dos presos por furto e colocar o Lula e cia,não dará para suprir os 99%(roubaram menos!)

  5. Francisco Foltrani Freire Responder

    o COMENTÁRIO FOI AS PRESSAS PORISSO OS ERROS DE CONCORDÂNCIA. FALHA NOSSA..

  6. É puro desespero desse cara de pau, espero que Eduardo Cunha tenha pelo menos uma sensatez de não atender pedido nenhum desse megalomaníaco.

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