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Cunha e governo negociam acordo por salvação de ambos

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De O Globo

Em conversa na última segunda-feira à noite, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), pediu ao ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, que o governo interfira nas investigações contra ele, sua mulher e sua filha na Operação Lava-Jato; que substitua o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, pelo vice-presidente Michel Temer; e que atrapalhe o andamento de processo contra ele no Conselho de Ética da Câmara. Essas foram as condições colocadas por Cunha – acuado por investigação do Ministério Público suíço sobre contas em seu nome – para não iniciar um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, segundo relato de Wagner a aliados. O ministro da Casa Civil e Cunha negam haver essa negociação.

O governo alega não ter como entregar o que Cunha pede, principalmente o controle das investigações do esquema de corrupção na Petrobras. Dilma também resiste em trocar Cardozo, o que já foi pedido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acusa o ministro de ter perdido o controle da Polícia Federal. Porém, segundo deputados que estiveram terça-feira em reuniões no Palácio do Planalto, há a expectativa de que Wagner dê uma resposta a Cunha sobre suas demandas nos próximos dias. O apoio no Conselho de Ética é a parte mais fácil de ser atendida.

Cunha estaria especialmente preocupado em blindar sua mulher e sua filha. Documentos enviados pela Suíça, em poder da Procuradoria-Geral da República, revelaram que as contas do presidente da Câmara no exterior foram abastecidas com dinheiro desviado da Petrobras e financiaram gastos pessoais de sua família.

Nas conversas que teve com ministros de Dilma, Cunha pediu o arquivamento da denúncia que responde por corrupção e lavagem de dinheiro no âmbito da Lava-Jato ou, ao menos, que o governo tente paralisar o andamento do processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

– Vocês me colocaram nisso, agora me tirem – disse Cunha a interlocutores de Dilma, que relataram parte de uma conversa ao GLOBO.

O pedido, no entanto, é visto no governo como algo “praticamente impossível” de atender.

– Se fosse assim tão simples, um canetaço do governo como ele faz parecer, por que petistas estariam também sendo denunciados? – disse um auxiliar presidencial.

A conversa entre Cunha e Wagner, na última segunda-feira, aconteceu na Base Aérea de Brasília. Originalmente estava marcada para a residência oficial da Câmara, mas o peemedebista telefonou para o ministro avisando que havia jornalistas em sua porta. Na semana anterior, Cunha se reuniu com o ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, e com Giles Azevedo, assessor especial de Dilma. Nesta quarta-feira, Cunha reafirmou estar aberto ao diálogo com qualquer agente político – do governo e da oposição – e disse que não se sente pressionado no cargo.

– Não tem trégua porque não tem guerra. Não precisa ter trégua nem guerra. Tenho que cumprir minha função que é dar curso (às votações). Não fiz nada diferente do que disse que não iria fazer. Sempre disse que impeachment não é recurso eleitoral, que fato anterior não contamina mandato presente – disse Cunha nesta quarta-feira.

Neste momento, o governo e Cunha querem tempo. O Planalto, para tentar reconstruir sua base aliada e garantir os votos necessários, se o processo de impeachment for aberto. E o presidente da Câmara porque, a partir do momento em que tomar uma decisão sobre esse assunto, deverá ser abandonado pela oposição. Em última instância, o governo aposta na abertura de um debate jurídico, a partir das liminares concedidas pelo STF anteontem, para obstruir o andamento do processo de impeachment.

Aliados de Cunha relataram que ele ficou extremamente irritado com as notícias de que as negociações com o Palácio do Planalto estavam sendo vazadas. Em conversas, chegou a sinalizar que isso pode resultar na interrupção do diálogo com o governo. A interlocutores, Cunha disse que não havia termos concretos de negociação em jogo e que atendia os ministros governistas apenas de forma “institucional”. Desde que as evidências sobre contas secretas na Suíça para recebimento de propina se avolumaram, Cunha decidiu abrir o canal de comunicação com o governo.

Para manter viva a negociação com Cunha, o governo acena com ajuda no Conselho de Ética, onde começará a tramitar pedido de cassação do mandato do presidente da Câmara, feito pela Rede e pelo PSOL. Os ministros também prometem ajudar a esvaziar eventual pedido de cassação de mandato no plenário, se ele for aprovado no Conselho de Ética. Aliados de Cunha, no entanto, acham a oferta pouco atraente, pois o Planalto não tem o controle da base aliada, nem mesmo dos deputados do PT.

– O governo não tem voto nem para abrir sessão do Congresso – disse um petista, em referência à dificuldade do governo em manter os vetos à chamada pauta-bomba, como o reajuste para os servidores do Judiciário.

Aliados de Cunha na Câmara afirmam que, para o processo contra ele prosperar no Conselho de Ética, serão necessárias provas documentais. Apostam ainda no poder de pressão de Cunha sobre os deputados, mesmo com a votação sendo aberta. Um peemedebista próximo a Cunha afirmou que, ao estabelecer uma ponte e aceitar negociar com o Planalto, sua estratégia é ver as cartas do governo, para evitar surpresas.

– Eduardo Cunha não está disposto a recuar, sentando em cima de um processo de impeachment. Quando perceber que sua vida ficou mais difícil e que não terá saída, instala imediatamente o pedido de afastamento – disse um peemedebista próximo a ele.

Ao GLOBO, Cunha negou “veementemente” que tenha feito qualquer demanda ao governo em troca do arquivamento do pedido de impeachment contra a presidente. Wagner também negou que esteja fazendo qualquer acordo com Cunha. Segundo a assessoria de Wagner, o ministro tem mantido conversas com ele, mas sempre em torno das pautas do governo na Casa e no intuito de manter uma ponte com o presidente da Câmara. Ainda ontem, Wagner teve um encontro com Temer sobre as votações de interesse do governo.

14 Comentários

  1. O que nós pobres mortais temos a dizer sobre isso?

    Que pouca vergonha se transformou o meu país.

    Estou começando a achar que só existe uma solução para nós, os milicos voltarem e colocarem ordem na casa, porque do jeito que a coisa está se encaminhando, não sei não.

  2. ISSO ESTAVA MAIS QUE CERTO,congresso nacional,stf…VERGONHA NACIONAL,SÓ AS FORÇAS ARMADAS PODEM SALVAR O BRASIL,NOVAMENTE.

  3. Sergio Silvestre Responder

    Tem sim é que meter esse ladrão na cadeia esse sabotador do Pais,não tem nada que salvar a pele desse infeliz.
    Se acontecer isso eu paro até de me esgoelar para essa praga chamada politica.

  4. Esse é o típico acordo de bandido para bandido, deveriam sim ser afastados tanto um quanto outro, se no Brasil houvesse gente descente no comando essa palhaçada já estaria encerrada, e ainda vem um verme dando palpite como se ainda fosse presidente, os sujos falando dos maus lavados.

  5. Isso é coisa de facção, bandidos governando com acordos malditos, onde a sociedade está refém. Os senhores não representam o Povo, se auto representam com seus interesses escuso, o que os senhores querem uma guerra civil ? Pois cada passo dos senhores, levam a Nação ao descrédito e ao sentimento de incapacidade, gerado pelos poderes, Executivo, Judiciário e Legislativo.

  6. Espera aí: já acertaram tudo com o STF e com a PGR? Ai eu pergunto: que país é este?

  7. Dilma, Levy, Cunha, Lula e outros, fora nós brasileiros não queremos gente desta categoria…

  8. Doutor Prolegômeno Responder

    É muito simples: o governo está vendendo uma mercadoria que ele não tem para entregar. É mais um embuste do lulopetismo.

  9. Não tem que ter acordo com ninguém, tem é que respeitar o povo brasileiro, que trabalha para pagar impostos e sustentar estra corja.Não Importa que partido seja, se for corrupto, tem que ser processado, devolver o que roubou e ser excluído da vida pública. FORA A TODOS OS CORRUPTOS, NÃO IMPORTA O PARTIDO.Não nos faça sentir mais vergonha por sermos brasileiros.

  10. O meu querido Brasil já virou um país pior do que Cuba, Venezuela e a
    Bolívia. Aqui vergonhosamente a presidente e os poderes dos Congressos
    combinam para ludibriar o povão e tudo vai ficando como está. Teremos
    alguns anos tenebrosos pela frente…

  11. sargento tainha Responder

    Esses sao os prevaricadores! Biblicamente falando segundo,.. meu guru Israelita KNOV o russo.
    Eles os polktikos brasileiros, se encontram e se amassam no escurinho da PROSKTITUICAO como a da KGB dizia que eles fariam, entendeu? Sao Matadores dos escravos! Adoradores do vil metal , mas se dizem Squerda! Ni K Froid explica- Sao uns Prostitutos! Amantes do ventre, diz KNOV. sabio,… KNOV. Mora na Serra do Mar, numa caverna, ha 5 km do Morro do Anhangava, mora sozinho com seu cao Chulyp de raça indefinida. Muito sabio! DEvia escrever em seu blog.. Fabio. Cria até trutas na serrinha… sabio KNOV..

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