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Bernardi explica Rede e condena ‘caixa preta’ da Prefeitura

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por Aroldo Murá

Jorge Bernardi está no quinto mandato de vereador em Curitiba. É ficha limpíssima.

Coerente, colocou sempre a cidade e sua população na linha frente de suas propostas, depois de 28 anos no PDT, do qual se desligou para entrar agora na Rede, de Marina Silva. É um dos primeiros paranaenses a aderir à sigla da sustentabilidade.

Nesta entrevista a seguir, ele faz pesadas críticas à Prefeitura, fala de “caixa preta” da administração municipal, que condena também por estar mantendo 300 cargos na Secretaria de Governo preenchidos para atender exclusivamente a políticos. Alerta para o que chama de crescente endividamento da cidade.

1 – Por que você escolheu a Rede?
R – Porque a Rede mudou o paradigma da política tradicional brasileira: conservadores x liberais, esquerda x direita, capital x trabalho, que moveu os movimentos políticos nos séculos XIX e XX. Agora a luta é outra, a REDE está além das ideologias, tendo o ser humano como protagonista, a vida o planeta. Identifiquei-me com o manifesto e o programa da Rede

2 – Quem ou o que o levou a Marina e à Rede?
R – A questão da sustentabilidade na amplitude do conceito: ambiental, social, econômica, política e muito mais. As relações em Rede, horizontal, um partido em que todos são consultados, não há um chefe que manda e desmanda.

3 – Quais as linhas básicas de atuação que a Rede escolheu para o Paraná?
R – A Rede está se estruturando em todo o estado do Paraná, com lideranças que se identificam e aceitam o seu programa e manifesto. A Rede faz uma avaliação de todos os políticos que exercem ou exerceram mandato ou ocuparam cargos públicos, e só são aceitos os que não tem ou tiveram problemas com a Justiça. O objetivo é disputar eleições, oferecer uma opção nas eleições em todos os níveis

4 – Há posições definidas pela Rede de Curitiba com relação ao prefeito Fruet e a Prefeitura? E o quê a levou a tais definições?
R – A Rede tem posição e faz uma oposição responsável a administração. Não uma oposição raivosa, simplesmente por seu oposição. Muito membros da Rede de Curitiba, inclusive eu, e a nossa líder nacional, Marina Silva, apoiaram o Prefeito na eleição de 2012. Confesso, por mim, que a decepção tem sido grande e isto foi também um dos fatores que me fizesse deixar o PDT depois de 28 anos. As desculpa da crise econômica não se justificam mais. Aqui na Câmara abrimos, na CPI do Transporte Coletivo que eu presidi, a caixa preta da URBS, promessa de campanha do Prefeito.

Apontamos inúmeras irregularidade, crimes, e encaminhamos sugestões ao Executivo que quase nada fez, mantendo o “status quo” de décadas. Algo aconteceu com a Administração Municipal que não enfrentou os poderosos. A tarifa continua superfaturada, em mais de 40 centavos, tirando milhões reais todos os anos dos mais pobres. E assim tem ocorrido em outras áreas. O Prefeito poderia ter extinto 300 cargos em Comissão que estão na Secretaria de Governo e servem apenas para nomeações políticas, a um custo anual de mais de 40 milhões de reais.

5 – A Rede de Curitiba está com você. Parabéns ao partido. Mas quem mais vai participar da legendas, aqui e no Estado?
R – Professor Aroldo, como disse a Rede é um partido horizontal, eu sou um militante da causa da sustentabilidade, com mandato. As decisões são colegiadas, buscamos sempre o consenso progressivo, evitando, quanto possível, as disputas que causam cizânia. No Paraná temos já o deputado federal Aliel Machado, de Ponta Grossa, que foi vereador e presidente da Câmara de Ponta Grossa. Ele tem apenas 26 anos e já é uma lideranças. Temos 23 vereadores, em cidades importantes como Maringá, Ponta Grossa, Paranaguá, Fazenda Rio Grande, Piraquara, Palmas entre outros.

6 – Você sabe, melhor que ninguém, que o PT e companhias foram uma amarga experiência para a população de Curitiba. Assim, os eleitores da Rede poderão esperar que posição do partido em defesa da cidade, sem levar mais em conta a cartilha petista?
R – Sim. Mesmo quando estava no PDT já em 2014 defendia o afastamento do PT. Há muitas pessoas honradas e bem intencionadas no Partido dos Trabalhadores, porém lideranças importantes do partido cometeram muitos erros, não só administrativos mas principalmente políticos e de corrupção a nível nacional.

Na Rede há pessoas oriundas de vários partidos e muitas que nunca se filiaram a partido algum, pois acreditam na causa. Para Curitiba estamos propondo uma administração diferente do que temos visto nos últimos anos, de austeridade e eficiência na administração, capacitação dos servidores públicos, de combate aos cartéis que dominam a prestação de serviços públicos, e inovadora, para que a cidade volte a ser protagonista como foi no passado.

7 – Cite cinco metas para a questão da sustentabilidade – ambiental, humana, cultural, etc – que a Rede tem para Curitiba.
R – A sustentabilidade deve permear todas as áreas de vida urbana, no meu ponto de vista deve ser assim: a) Cidade Saudável, onde a saúde pública seja prioridade atendendo desde a gestação a velhice, envolvendo o saneamento ambiental, habitação, o trânsito urbano, os modais de mobilidade, recuperação de áreas degradadas, e os espaços de lazer e os hábitos alimentares e esportivos. b) Cidade Protegida, com ênfase a segurança solidária, onde os aparatos de segurança, público e privados trabalham em conjunto com ações sociais e a participação da comunidade. c) Cidade Inteligente, com ênfase na educação para produzir uma economia cada vez mais voltada ao saber, a produção de novos bens, com menor poluição e mais voltada a criatividade. d) Cidade Cultural, em que as manifestações culturais serão valorizadas, propondo ênfase a economia criativa e solidária, em áreas como artesanato, gastronomia, moda, literatura, fotografia, música, design, publicidade artes cênicas e outras. e) Cidade Policentrica e compacta, e que cada bairro tenha seu centro de serviços públicos, de comércio e de lazer. Em que os deslocamentos possam ser realizados a pé, evitando o uso de outras formas de mobilidade, principalmente as poluidoras. Trabalho, educação, equipamentos e saúde e de lazer estejam próximas dos locais de moradia.

8- Como ser fiel aos propósitos da Rede sem cair em concessões populistas ou dobrar a coluna às visões de uma direita anticristã, no definir políticas públicas para Curitiba?
R – Tendo princípios e não abdicar dos mesmos. Fazendo uma nova política voltada para o bem comum, pensando além de nós, além dos séculos. Com uma administração austera e eficiente, com planos e metas definidas, com o equilíbrio das contas públicas, com o planejamento de curto, médio e longo prazo definindo prioridade aos setores mais necessitados não com práticas paternalistas mas libertadoras. Entendo que a administração deve ter por princípio cortar áreas supérfluas, aplicar o dinheiro público depois de arrecadar e sempre gastar menos do que arrecadar. Concluir as obras inacabadas.

9 – Em que medida a Rede volta-se para a sucessão de Fruet? Tem candidatos a candidato?
R – A Rede deverá ter candidatura própria a Prefeitura de Curitiba, como uma chapa consistente a Câmara Municipal. Também teremos candidatos em várias capitais e nas principais cidades do Paraná. Há nomes que iremos oferecer a comunidade no tempo oportuno.

10- Dos nomes já citados como postulantes a suceder Fruet, quais se alinham mais próximos da Rede?
R – Deveremos ter candidatura própria. A eleição, pelas pesquisas, deverá ter dois turnos, e esperamos estar no segundo turno. Como dizia um grande líder trabalhista do passado, como locomotivas vamos puxar os vagões.

11 – Qual a maior falha da atual administração municipal?
R – No meu ponto de vista, distanciou-se da população. Utilizou-se das práticas da velha política, de conseguir apoio através de cargos públicos. Não enfrentou os problemas que afligem a população como saúde, mobilidade urbana e segurança. Gastam ais do que arrecada, fazendo com que a administração perca a credibilidade. A dívida flutuante, de curto prazo, em 31 de julho, já era de R$ 600 milhões, a dívida fundada (de longo prazo), mas de R$ 1.100 bilhão. Ano que vem Curitiba vai gastar R$ 4 bilhões com pessoal, 47 %, de um orçamento de 8,750 bilhões, onde se deve tirar R 1,5 bilhão do transporte coletivo e outro R 1,5 bilhão da saúde. O orçamento efetivo do município é de R$ 5,75 bilhões. Ou seja, Curitiba tirando os recursos do transporte coletivo e da saúde que entram no orçamento, gasta quase 70 % do que arrecada com pessoal. Isto tem que mudar.

14 Comentários

  1. Essa do fruet não cumprir a promessa de acabar com o ICI vai custar à reeleição dele

  2. Coisa de canalha.

    Ficou quase 3 anos com o Fruet.
    Sem espaço para ser candidato pelo PDT, arranja motivos para deixar a sigla.

    Pior, só agora, passado tanto tempo, ele descobriu que existem cargos políticos na Prefeitura?

  3. vilmar parolin Responder

    Este vereador de 5 mandatos, parece que luta pelo povo, mas quando estava na Urbs não fez nada para abrir a caixa preta do transporte coletivo Infelizmente temos vereadores atrelados a bancada do transporte coletivo.ISTO E lutando a favor das empresas, nunca a favor dos usuarios. Estamos perdidos tanto no municipal, estadual e federal nem precisa falar.

  4. Gozação tem hora, Sr. Bernardi, ate’ outro dia o Sr. era o guarda espalda do Alcaide, agora de uma hora para outra descobriu que estava tudo errado, ou melhor não lhe pagaram direitinho… Por essa e por outras que não voto mais…

  5. Ninguem pode pular fora do barco no ultimo ano de mandato, isso e’ SAFADEZA… E TEM NOME BERNARDI…

  6. Respeito o Bernardi, porem como continuou filiado a um partido falido e
    corrupto presidido pelo ladrão do Lupi por tanto tempo !? Existe uma in-
    coerencia enorme entre mudar de partido por puro ideologismo e por inte-
    resse político…

  7. Observador Atento Responder

    Li, nos meios sociais, uma afirmação da Sra. Marcia Fruet que no governo Fruet não tem penduricalhos. Agora, um dos vereadores mais discreto, correto, preparado e de credibilidade de Curitiba, que pertencia ao partido do prefeito,fala em caixa preta e acusa a existência de 300 cargos de . confiança na secretaria de governo para atender interesses políticos. E agora primeira dama?

  8. Observador Atento Responder

    Enquanto, segundo afirmação do vereador Jorge Bernardi, a prefeitura de Curitiba gasta 40 milhões de reais, anualmente, com cargos de comissão na Secretaria de Governo,onde a grande maioria nada produz, a prefeitura, sem uma analise criteriosa, através da qual verificaria onde poderia ou não cortar horas extras, demonstrando incapacidade administrativa corta, de forma linear, horas extras de funcionários que realmente produzem e cujas atividades necessitam dessas horas.

  9. Falou tudo Vereador. Tem meu respeito e meu apoio nas futuras eleições. Ta no meio e sabe de mta coisa.
    Fora Fruita !!!!!!!

  10. Este Vereador Bernardi descobriu a pólvora ou o papel ? Todos esses anos estava junto e dando apoio ao Prefeito Municipal e, agora de uma hora para outra, sai do PDT, maculado pelo LUPI, e descobre, só agora que existe “CAIXA PRETA” na Prefeitura e 300 CARGOS COMISSIONADOS só na Secretaria de Governo. Essa justificativa ninguém vai acreditar, pois a REDE o partido escolhido pelo mesmo, nada mais é do que irmão gêmeo do PT. Quer distancia do PT e se filia ao partido que ai dar apoio ao mesmo. Pois Marina, ainda é petista disfarçada de oposicionista, pois no 2º turno das eleições presidenciais ficou omissa, neutra como um zumbi.. Rui Barbosa já dizia: PERANTE O DIREITO E O CRIME NÃO PODE HAVER NEUTRALIDADE.

  11. Juvenal de Assis Couto Neto Responder

    A CPI do Transporte analisou com clareza a questão da tarifa super-faturada.
    A CPI, como se recorda, foi conduzida por Jorge Bernardi, de forma brilhante.
    Juvenal

  12. Yasmin Aleluia Responder

    Muita gente atacando Bernardi, mas este vereador é um dos poucos sérios.
    Honesto e competente.
    Yasmin

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