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Morreu Marília Pêra

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A atriz Marília Pêra morreu às 6 horas deste sábado em sua casa, na Zona Sul do Rio. A causa da morte ainda não foi informada. Em entrevista ao GLOBO, em setembro, a atriz falou sobre um problema de saúde que a afastou do set de gravações da série “Pé na Cova” por um ano, um desgaste ósseo na região lombar: “Jamais imaginei que isso fosse acontecer. Mas tenho 72 anos, sou ex-bailarina e ex-atleta, é normal. Não tive recomendação de cirurgia. Chega uma hora em que você tem que operar e botar uma prótese ou simplesmente parar e ficar quieta”.

Marília Marzullo Pêra, irmã da também atriz e ex-Frenética Sandra Pêra, foi um dos grandes nomes do teatro brasileiro nas últimas sete décadas. Seu pai, o português Manoel Pêra, era ator e tinha uma companhia teatral no Rio; a mãe, Dinorah Marzullo, era atriz. A avó, Antonia Marzullo, fez vários papéis no cinema. Nascida no Rio, em 22 de janeiro de 1943, estreou nos palcos com apenas 19 dias de vida, numa peça que precisava de um bebê.

Apesar da experiência familiar, enfrentou a resistência do pai não queria que ela seguisse a vida artística. Ela insistiu e entrou para o mundo da dança, onde foi atuante dos 14 aos 21 anos, quando participou dos populares espetáculos de revista. Após convencer o pai, conseguiu um papel em “De Cabral a JK”, de Max Nunes. Foi quando conheceu o ator Paulo Graça Mello, com quem se casou aos 16 anos.
A carreira de Marília Pêra em fotos

Morreu na manhã desta sábado, aos 72 anos, no Rio de Janeiro. Marília Pêra, uma das mais premiadas atrizes do Brasil, deixou no currículo mais de 40 peças de teatro, 20 filmes e 20 novelas, além de coreografar e dirigir diversos espetáculos. Na imagem, a atriz no teatro Tereza Rachel, em 2010Foto: Leonardo Aversa / Agência O Globo
Em cena com Miguel Falabella no musical “Alô, Dolly”, o último de sua carreira, apresentado em 2012. A atriz contracenou e foi dirigida por Miguel Falabella, um de seus melhores amigosFoto: Divulgação
Entre 2004 e 2007, Marília interpretou no teatro, com texto de Maria Adelaide Amaral e direção de Jorge Takla, a estilista francesa Coco Chanel, na peça “Mademoiselle Chanel”, encenada no Brasil, França e PortugalFoto: Marcos Ramos / Agência O Globo
Em 2008, Marília Pêra caracterizada como Florence Foster Jenkins, do musical “Gloriosa”, dirigido por Charles Moeller e Cláudio BotelhoFoto: Robert Schwenck / Agência O Globo
Em 1997, Marília atuou no premiadíssimo filme “Central do Brasil”, de Walter Salles. No longa, que teve Fernanda Montenegro no elenco, ela interpretou a personagem IreneFoto: Divulgação
Em cena com Sonia Braga na pele da personagem Perpétua, no filme “Tieta do Agreste”, dirigido por Carlos Diegues, em 1995Foto: Divulgação
Em 1980, a atriz atuou em “Pixote, a lei do mais forte”, filme de Hector Babenco, como SueliFoto: Reprodução
Ao lado de Hugo Carvana, amigo pessoal e diretor do filme “Bar Esperança, sempre o último que fecha”, que lhe rendeu diversos prêmios de melhor atrizFoto: Reprodução
Imagem do documentário “Jogo de cena”, dirigido por Eduardo Coutinho. Esta foi a última aparição de Marília no cinema, em 2007. O diretor foi a primeiro a trabalhar com ela num longa, em 1967, em “O homem que comprou o mundo”Foto: Reprodução
Na TV, Marília estreou em 1965, na novela “Rosinha do Sobrado”, da TV Globo. Na trama, ela interpretou a personagem-títuloFoto: Memória Globo / TV GLobo
Em 1987, Marília caracterizada como Rafaela, sua personagem na novela “Brega e Chique”, onde contracenou com Gloria MenezesFoto: TV Globo
Marília, Ana Paula Arósio e Fábio Assunção nos bastidores da série “Os maias”, da TV Globo, m 2001Foto: Roberto Steinberger / Divulgação
Marília Pêra e José Wilker foram os protagonistas da minissérie “JK”, em 2005. Ele foi ex-presidente Juscelino Kubitschek; ela, a primeira-dama, SarahFoto: João Miguel Júnior / TV Globo
Em 2010, Marília com os amigos e colegas de trabalho de “A vida alheia”, o ator, diretor e escritor Miguel Falabella e a atriz Claudia JimenezFoto: Cléber Júnior / Agência O Globo
A última participação de Marília Pêra na TV foi na série “Pé na cova”. Na imagem, o personagem de Miguel Falabella, o Ruço, e a de Marília, DarleneFoto: Estevam Avellar / TV Globo
Entre 2012 e 2014, Marília foi diretora da peça Callas, com Claudia Ohana e Cassio ReisFoto: Divulgação

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Juntos, se apresentaram no Circo Tihany e, à noite, trabalhavam na boite Plaza, em Copacabana. Encenaram ainda várias peças, como espetáculos infantis do Teatro de Brinquedo. A essa altura, Marília dançava o clássico e o moderno, sabia piano, tinha bons estudos musicais, podia cantar uma partitura à primeira vista, interpretava do lírico à bossa nova e chegou a compor sambinhas com o marido, exímio violonista. Participou da era de ouro dos musicais. Ainda assim, continuava desconhecida.

Aos 18 anos, já era mãe (de Ricardo Graça Mello). Seu primeiro grande papel foi em “Como vencer na vida sem fazer força”, disputado com Elis Regina, em 1964. No ano seguinte, a TV Globo foi inaugurada, e Marília deu início à carreira em telenovelas. A primeira foi “Rosinha do sobrado” (1965), já como protagonista. Na sequência, vieram a primeira versão de “A Moreninha” e, na Tupi, “Beto Rockfeller” (1968).

Paralelamente, conseguia trabalhos cada vez mais sólidos no teatro: “Se correr o bicho pega”, de Oduvaldo Vianna Filho e Ferreira Gullar; “A ópera dos três vinténs”, de Bertolt Brecht e Kurt Weill; “A megera domada”, de Shakespeare; e “Roda viva”, de Chico Buarque, pela qual passou a ser perseguida pela Ditadura.

Em 1969, destacou-se como Mariazinha, uma solteirona virgem, em “Fala baixo senão eu grito”, de Leilah Assumpção, papel que lhe deu o primeiro de três prêmios Molière. O segundo foi com o monólogo “Apareceu a Margarida” (1973), de Roberto Athayde e o terceiro, com “Brincando em cima daquilo” (1984), de Dario Fo e Franca Rame. Logo depois, em 1986, dirigiu e coreografou Marco Nanini e Ney Latorraca em “O mistério de Irma Vap”, que ficou 11 anos em cartaz.

Marília colecionou personagens marcantes. Na TV, entre outros, a Shirley Sexy de “O cafona”, a taxista Noeli de “Bandeira 2” (ambas em 1971), a Rafaela de “Brega & chique” (1987) e a vilã Juliana, na minissérie “O primo Basílio” (1988).

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No cinema, depois de uma estreia que não a agradou, em “O homem que comprou o mundo” (1968), de Eduardo Coutinho, persistiu na tela grande. Em 1980, recebeu o prêmio de melhor atriz da Associação dos Críticos de Cinema dos Estados Unidos, pela prostituta Sueli em “Pixote, a lei do mais fraco”, de Hector Babenco. “Isso me abriu as portas do mundo, mas não fui trabalhar nos EUA porque não dominava o inglês”, contava. Entre seus 24 filmes, estão “Bar Esperança, o último que fecha” (1983) de Hugo Carvana, e “Central do Brasil” (1998), de Walter Salles.

Mesmo fazendo TV e cinema, em nenhum momento abandonou os palcos. Foi Dalva de Oliveira, dirigiu uma peça sobre Maria Callas e atuou, cantou e dançou na pele de Carmen Miranda. Por sua atuação em “Mademoiselle Chanel” ganhou o Prêmio Faz Diferença 2006, do GLOBO, e o Shell. Em 2013, estrelou “Alô, Dolly!”.

No ar no seriado “Pé na cova”, Marília recentemente participou de “Aquele beijo”, em 2011, sua última novela.

2 Comentários

  1. Muitas pessoas que deveriam morrer, assim não acontece, e os que queríamos que vivessem sempre são os que vão mais sem contemplação. Perdemos uma grande e inigualável artista. Pesamos à família enlutada.

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