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Ações de Macri ajudam a recuperar confiança

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São iniciativas que justificam o otimismo no principal parceiro do Brasil na região, e bem que poderiam inspirar autoridades brasileiras

Editorial O Globo

Após mais de uma década de aventuras e incertezas na economia argentina, marcas da era kirchnerista, Mauricio Macri começou seu governo com uma série de medidas ousadas que estão ajudando a restituir a confiança dos investidores e alimentar um cauteloso otimismo. Embora os desafios sejam enormes, os passos iniciais vão na direção certa.

A principal medida foi o fim do controle cambial, que atrelava o peso ao dólar. Promessa de campanha, muitos apostavam que Macri implementaria esta medida gradualmente ou simplesmente desistiria da ideia. Afinal, havia riscos. Permitir que o peso fosse negociado livremente poderia provocar uma desastrosa desvalorização cambial, pressionando ainda mais a já elevada inflação do país. O presidente argentino, porém, acertou ao agir logo, enquanto seu capital político está alto.

O peso recuou 29%, mas a medida ajudou a inverter a sangria das reservas internacionais do país, no seu mais baixo patamar em nove anos, à proporção que a ex-presidente Cristina K. usava os dólares para sustentar a cotação do peso. Desde 17 de dezembro, quando Macri anunciou o fim do controle cambial, as reservas já subiram 6%, para US$ 25,7 bilhões.

O resultado foi a recuperação da confiança dos investidores na economia e da população no novo presidente, passo crucial para uma retomada. O respaldo da população e dos agentes econômicos será fundamental também no campo político, pois o Congresso argentino é controlado por partidos de oposição. Macri precisará de legitimidade para negociar a aplicação de reformas necessárias para recolocar a economia nos trilhos, algumas delas contrariando grupos políticos poderosos.

Boa parte da agenda econômica de Macri consiste em desfazer as políticas implementadas pelo casal Kirchner em 12 anos de sucessivas gestões “desenvolvimentistas” e que isolaram o país. Para romper esse ostracismo, o presidente argentino já anunciou que vai negociar com credores para tirar o país da situação de calote. O Fórum Econômico de Davos, a partir do dia 20, será uma das arenas dessas negociações. Para isso, Macri convidou Sergio Massa, adversário na corrida eleitoral de linha moderada do peronismo.

Outra iniciativa será a restituição da credibilidade em instituições que calculam as estatísticas econômicas do país. Após a intervenção do governo de Cristina K. no Indec (o IBGE argentino), os dados sobre inflação foram manipulados, e o instituto perdeu credibilidade. Hoje, ela é estimada por consultores privados em 25%.

Com respeito às políticas regionais, Macri também vai deixando sua marca já no início de mandato, ao cobrar dos governos do Mercosul o enquadramento da Venezuela na “cláusula democrática”. Ele também prometeu fortalecer o bloco, retomando negociações e cumprindo cláusulas acordadas.

São iniciativas que justificam o otimismo no principal parceiro do Brasil na região, e bem que poderiam inspirar autoridades brasileiras.

2 Comentários

  1. “Macri já assinou um decreto demitindo milhares de cargos comissionados herança da administração esquerdopata anterior que estava na Argentina. Nossos hermanos foram mais inteligentes que nós e escorraçaram os comunas de lá. Logicamente que o sindicalismo chapa branca, os cabides de emprego, os sangue sugas, parasitas do Estado Portenho protestaram por toda a Argentina. Mas lá não está adiantando o choro e a lamentação da militância paga. Luz no fim do túnel para a América Latina. Realmente o povo Argentino merece parabéns. E indiscutivelmente é o povo MAIS PATRIOTA da América Latina. Acorda Brasil. Muda Brasil…” – Profº Celso Bonfim

  2. Como é bom ter-se um cara que entende as Leis de Mercado. fiquei espantando com a desvalorização do peso frente ao dólar, acreditava que ele passaria dos 15X1, mas a realidade não mostra isto. Quem quer mesmo mudar trata logo de fazer as mudanças logo de cara, e é isto o que o Macri está fazendo, se ele continuar nesta estrada quem vai nos ver sumir no horizonte, pelo retrovisor , serão os hermanos. Já comecei a ficar com inveja deles.

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