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Desemprego acentua custos sociais da crise

Beth Cataldo

A divulgação dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho e Previdência Social mostra que começam a se materializar de forma mais clara os custos sociais da crise econômica que o país atravessa. O saldo da redução de 1,54 milhão de empregos formais no ano passado contrasta com a exuberância do mercado de trabalho nos últimos anos, e que representou um dos trunfos políticos dos governos do Partido dos Trabalhadores (PT). A perspectiva é que a retração do emprego se acentue ainda mais neste ano.

O cenário traçado pelo Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), prevê uma queda de 2,2 milhões de empregos formais em 2016. Mais do que isso, o panorama com que trabalham os pesquisadores do instituto é de retração também no mercado informal de trabalho. Além das dificuldades adicionais para os profissionais que se lançaram por conta própria, numa tentativa de contornar a escassez de oferta de empregos. O índice de desemprego medido pelo IBGE, que chegou a 9% no trimestre terminado em outubro último, deve evoluir para uma taxa média próxima a 12% neste ano.

Se confirmadas essas previsões, os dois primeiros anos do atual mandato da presidente Dilma Rousseff registrariam a eliminação de quase 4 milhões de postos formais de trabalho no país. Seria ainda o segundo recorde consecutivo de corte de vagas nas séries históricas acompanhadas pelo Ministério do Trabalho. A dimensão desses números explica o discurso de hoje do ministro Miguel Rossetto, que se apegou aos dados da evolução do estoque de postos de trabalho, com base na CLT, no período que abrange os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.

Numa tabela especialmente trabalhada para respaldar esse discurso político do ministro, pode-se observar a evolução do estoque de emprego nos anos de 2003 a 2015, quando foi gerado um saldo adicional de 16,862 milhões de postos de trabalho. O ápice do estoque anual de empregos foi em 2014, com 41,2 milhões. O risco concreto que enfrenta o governo é que o país retroceda, ao final deste ano, a um patamar próximo ao de 2010. Isso significaria que os ganhos na formalização do emprego registrados ao longo de todo o primeiro mandato de Dilma Rousseff seriam jogados por terra.

A preocupação do Palácio do Planalto com o desemprego justifica-se também pelo fato de que a crise no mercado de trabalho é um dos principais fatores da impopularidade do governo. Mas o discurso político importa pouco neste momento em que as pessoas estão perdendo empregos, sonhos e perspectivas de vida. O mais difícil para o governo será apresentar uma proposta coerente de superação da recessão econômica e de geração de empregos. A promessa de medidas de estímulo ao crédito, como estuda o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, pode cair no vazio se os agentes econômicos privados não se sentirem confiantes em assumir riscos e empreender.

Sem esse ingrediente, que remete às expectativas em torno da economia, pode-se repetir o fracasso da estratégia de reduzir fortemente a taxa Selic para garantir investimentos produtivos, como foi tentado no primeiro mandato da presidente da República. Ainda é cedo para se concluir que a decisão de ontem do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, em 14,25%, pode significar que o governo pretende percorrer novamente esse caminho. As medidas que devem ser anunciadas nas próximas semanas devem compor um quadro mais definitivo sobre essa etapa da política econômica.

A gravidade da recessão, como comprovam os dados de queda no emprego divulgados hoje, justificaria tecnicamente a opção do Copom de manter inalterados os juros básicos, ainda mais quando se leva em conta o impacto fiscal do aumento da Selic. Mas o comportamento errático do Banco Central na condução da política monetária acrescentou mais incertezas ao cenário econômico, ao desviar-se de forma abrupta da trajetória de elevação dos juros, que havia sinalizado com insistência nas semanas anteriores. Sem clareza de objetivos e de plano de voo, fica mais difícil vencer a crise de confiança que se abateu sobre a economia brasileira.

3 Comentários

  1. A previsão é de o mundo cresça 4,5% em 2016.Já a previsão para o Brasil é de queda de 3,5% do PIB, para o mesmo período.Logo,como por a culpa na “crise mundial”.Que crise mundial?
    A queda do PIB brasileiro e a consequente subida alarmante do desemprego tem uma só origem:chama-se administração lulopetista!

  2. Fechando em média de 18 empresas por dia, por incompetência e corrupção desse DESgoverno , só poderia dar nisso, desemprego e mais desemprego , e os trabalhadores que se danem.

  3. e aí os gênios responsáveis por traçar a nossa Política Econômica decidem peitar o mercado, só pode dar nisto, o deus mercado não aceita desaforos. Agora os mais pobres vão pagar com o seu ganha pão as bravatas pretendidas por estes esquerdopatas encastelados no Poder.

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