Uncategorized

Perda total

odebrecht_sede_policia_federal
Quando uma empreiteira contribui, ainda que legalmente, para mais de 200 políticos de todos os partidos, há algo de muito podre no sistema partidário-eleitoral do país

Nelson Motta, O Globo

Depois de um ano negando “veementemente” qualquer malfeito, a Odebrecht finalmente vai assumir suas responsabilidades no “sistema ilegítimo e ilegal de financiamento do sistema partidário-eleitoral” tentando uma delação “definitiva” que salve seus sócios e executivos da cadeia.

Reparem: quando negam “veementemente” ou ordenam “rigorosa” investigação, é sinal de mentira grossa.

Quando uma grande empreiteira contribui, ainda que legalmente, para mais de 200 políticos de todos os partidos, há algo de muito podre no sistema partidário-eleitoral do país. Óbvio que não contribui por patriotismo e espirito público, mas porque, como sabem todas as outras grandes empresas que sustentam esse sistema, quem paga a conta é que diz a hora que terminou o jantar.

O que dizer então de uma planilha com propinas pagas a políticos, funcionários e empresários, em dinheiro vivo e no exterior, com o nome e o apelido de cada um? Parece que o pessoal que paga a propina, seja como suborno ou achaque, expressa seu desprezo por quem recebe com apelidos debochados, que devem lhes ter provocado boas risadas em tempos mais risonhos.

Drácula, Nervosinho, Viagra, Candomblé, Caranguejo, Múmia, não é uma quadrilha de bandidos da Rocinha, são os homens que comandam a política brasileira, fazendo da vida pública, privada. Piada velha, mas mais atual do que nunca.

Como reconstruir um sistema politico-eleitoral quando a Lava-Jato revela ao país que dele só sobraram ruínas e escombros, que a perda é total? Como podem reconstruí-lo justamente os que o destruíram, financiados por um cartel de empreiteiras que saqueava o país e contribuía para fraudar eleições e apodrecer as instituições democráticas ?

Como o ovo e a galinha, quem veio primeiro, o político achacador ou o empresário corruptor? Tanto faz, o que interessa é que os dois se combinaram como um sádico e um masoquista, numa perfeita integração para assaltar os cofres públicos e aviltar a vida política do país, porque uns confiavam no seu dinheiro e outros no seu poder para sentirem-se acima de todos, da Constituição e das leis. Pelo menos até a Lava-Jato.

3 Comentários

  1. Caro FÁBIO, defendemos apoio total a OPERAÇÃO LAVA JATO, por apenas uma questão de necessidade econômica e política. O BRASIL necessita evoluir, avançar e não pode carregar esses defuntos insepultos. A OPERAÇÃO LAVA JATO pode permitir que a sociedade possa passar o BRASIL a limpo. NÃO ACEITAMOS ACORDÃO. Atenciosamente.

  2. Opa uma reportagem coerente reproduzida no blog do Campana onde não tem puxa saquismo de golpista e nem de Richa. Parabéns esta melhorando.

  3. Talvez, o não comparecimento as urnas já em 2016 e 2018 seja uma alternativa viável para que o povo demonstre a insatisfação que predomina. O grande problema é esta petezada, para os quais tudo está as mil maravilhas.

Comente