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O hipotético ministério
de Michel Temer

temmer
A plantação de nomes de ministros prenuncia um governo esperto, porém com um fraco pela articulação do caos

Elio Gaspari, O Globo

O início da tramitação do impedimento de Dilma Rousseff ainda não completou uma semana e o entorno do vice-presidente Michel Temer conseguiu adicionar um problema a um país que tem duas epidemias, recessão, desemprego e governos estaduais quebrados.

O problema novo é um ministério virtual posto em circulação. Serve como instrumento de propaganda mas agrava uma confusão que poderá se arrastar até outubro.

Já são mais de 20 os nomes que rolam na praça, alguns deles saídos de conversas no Jaburu, que de palácio não tem nada, é, quando muito, um esbanjamento de dinheiro público. (Ela é uma flor da gastança da ditadura).

Trata-se de uma lista malandra, destinada a criar expectativas individuais (no caso de quem espera ser ministro) ou esperanças coletivas (nos poucos casos de gente que se espera ver no ministério). Por isso, aqui só será mencionado um deles.

Armínio Fraga tem competência e biografia para ser ministro da Fazenda. Há um mês, a repórter Erica Fraga perguntou-lhe: “O senhor aceita participar de um governo de transição?” Sua resposta, numa entrevista concedida por e-mail, foi curta: “Não.”

Colocá-lo como conselheiro ou avalista de outra escolha é o pior ca- minho para começar uma administração num país quebrado que já passou pela experiência de Joaquim Levy, indicado por Luiz Carlos Trabuco, presidente do Bradesco.

Em qualquer governo, em qualquer época, quando um presidente termina de armar um ministério descobre que só um terço dos escolhidos estava em sua primeira lista. O segundo terço ficava entre os prováveis e os demais não eram cogitados quando as conversas começaram.

Já houve presidente que, ao ser eleito, pensou nomear um cidadão sucessivamente para três ministérios. Não conseguiu colocá-lo em qualquer um deles.

Ministério não é como boleto de Mega Sena, onde o dono pode escrever o que quiser, parece-se mais com um quebra-cabeças que adquire fisionomia na medida em que se vai formando.

Temer ainda não sabe sequer quantos ministros terá. Se isso fosse pouco, formar equipe é uma coisa. Governar com ela é outra e depende do estilo e da decisão do presidente.

Ser ministro de Dilma é uma coisa. Ter sido de Lula, bem outra. De Temer, a ver. Nas listas postas em circulação há nomes que cheiram a simples especulações, outros parecem balões de ensaio e há ainda uns poucos capazes de alimentar esperanças.

À primeira vista, tudo isso é coisa de jornalistas sem assunto. Falso. Mesmo quando os assuntos faltam (e não têm faltado), por trás de quase todas essas listas há sempre alguém que merece crédito pela proximidade que desfruta junto ao astro-rei.

É óbvio que se Dilma Rousseff for afastada, Temer deverá ter um ministério pronto. Outro dia o vice-presidente disse que o país precisa de governabilidade e governança.

Associou a governabilidade à harmonização dos conflitos políticos e partidários. Nisso ele é um mestre.

Um dos primeiros testes de uma boa governança está na capacidade de um chefe de apontar prioridades, formar uma equipe e, sobretudo, não criar confusões.

5 Comentários

  1. Todo mundo quer “colaborar” com o futuro presidente, mas não governar, porque se ele for mal ele é que foi mal.

  2. Eu acho que Temer ja está muito velho para assumir a Presidencia. Ele é de 23/09/1940, tem 75 anos.

  3. O que mais me deixa triste é o panorama político do Brasil. Sair
    a Dilma com o PT é uma limpa extraordinária, porem os que resta-
    ram para permanecerem no comando como o Temer é na verdade
    colocar um lobo no galinheiro. Em seguida será montado uma equi-
    pe de oportunistas que de início vão mostrar serviço e logo em se-
    guida continuará o velho fisiologismo que impera no nosso país.
    O problema é que não existe nenhum governo neutro que possa
    ter suporte para governar e o toma lá e dá cá vai continuar e en-
    quanto isso “top top” para o velho eleitor…

  4. grasça ao senador Requião que o pmdb e um bom partido, muitos confião e acreditam mesmo e quando ele fala e deixa o seu recado
    michel teme deve contar com Requião

  5. -Temer está tentando priorizar alguns nomes sem ao mesmo o rito de impeachment ter o desfecho final e a presidente tornar-se apenas uma lembrança!!!
    -De qualquer modo, Temer sendo do PMDB poderá soar um governo análago ao do Sarney e a consequente década perdida. O PMDB não tem sucesso como protagonista, apenas como coadjuvante!!!

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